quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'O Rei da Internet'

Nota: O filme estreia dia 14 de Maio. 

Sinopse: Daniel, um rapaz prodígio, fica deslumbrado com as conquistas geradas por sua capacidade excepcional de hackear sistemas, tornando-se o maior hacker do país.

Não é de hoje que o cinema explora histórias reais de larápios que burlam o sistema para se dar bem na vida. Curiosamente, esse tipo de indivíduo acaba se tornando um exemplo de como quebrar as barreiras de um mundo cheio de regras, provando que sempre haverá uma fenda por onde escapar. "O Rei da Internet" (2026) é uma viagem a um passado não tão distante, mas que revela os elementos que hoje se tornaram os pilares do nosso mundo conectado.

Dirigido por Fabrício Bittar e baseado na obra DN pontocom: A Vida Secreta e Glamourosa de um Ex-Hacker, de Daniel Nascimento e Sandra Rossi, o filme conta a história de Daniel (interpretado por João Guilherme) e mostra como ele se destacou como um dos maiores hackers do Brasil. O jovem fez parte de uma organização criminosa que movimentou milhões de reais, viveu intensamente uma vida de ostentação e foi alvo de uma grande operação da Polícia Federal — tudo isso antes de completar 17 anos.

Antes de mais nada, é preciso aplaudir a edição frenética do filme, que assume uma linguagem quase de videoclipe — algo que eu não via no cinema brasileiro com tanta força desde "2 Coelhos" (2012). O primeiro ato moldado dessa forma serve para apresentar o protagonista de um jeito que gera identificação com o público, principalmente pelo fato de sua paixão pelo hacking ter começado nos tempos da internet discada. É nesse momento que o longa remete a tempos mais simples, trazendo de volta os computadores de tubo, as salas de bate-papo e o clássico Orkut.

Por meio de uma narração em off, Daniel nos revela passo a passo como se tornou um dos criminosos mais procurados pela justiça, desde a invasão ao sistema do site da editora Abril até o acesso a contas bancárias por todo o país. O filme resgata elementos de outras produções que abordam o universo da informática, como "A Rede Social" (2010), mas, ao mesmo tempo, evoca a atmosfera de "O Lobo de Wall Street" (2013). Em comum, esses protagonistas anseiam pela riqueza, nem que para isso precisem quebrar as regras de um sistema movido por números que governam o mundo.

João Guilherme Ávila se sai muito bem como protagonista e narrador. A narração em off funciona como uma ferramenta criativa para compreendermos as motivações do personagem e o que o levou ao mundo do crime cibernético. O filme se desenha como um verdadeiro estudo de uma parcela de uma geração perdida que procura seu lugar no mundo, enquanto é desprezada por uma sociedade conservadora que dita as regras. Daniel, por sua vez, rema contra a maré não apenas para enriquecer, mas também para ser lembrado de alguma maneira.

O ritmo do longa sofre um declínio na transição do segundo para o terceiro ato, momento em que as cenas frenéticas desaceleram para revelar o lado mais obscuro do submundo em que Daniel se envolveu. Não que isso prejudique a obra como um todo, mas fica a sensação de que esticaram a corda mais do que o necessário, já que os minutos iniciais da projeção já antecipavam o destino do protagonista. Ao final, constatamos que o crime pode até não compensar, mas a máxima do "fale mal, mas fale de mim" nunca esteve tão viva.

"O Rei da Internet" é um filme nostálgico que, além de esmiuçar a vida criminosa do protagonista, nos transporta para tempos mais inocentes, resgatando os primeiros passos da internet em terras brasileiras.


 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 07 A 13 DE MAIO

 ESTREIAS:

TIMIDEZ

SURDA

Espanha/ Drama/ 2025/ 99min

Direção:EVA LIBERTAD

Sinopse: Ângela, uma mulher surda, vive pela primeira vez a experiência da maternidade, ao lado de seu parceiro ouvinte, Hector. Com a chegada do bebê, Ângela precisa enfrentar os desafios e complexidades de ser mãe em um mundo que não foi preparado para pessoas como ela.

Elenco:  Miriam Garlo, Álvaro Cervantes, Elena Irureta


TIMIDEZ

Brasil/ Drama/2025/ 82min.

Direção: Thiago Gomes Rosa e Susan kalik

Sinopse: Jonas vive com o irmão Nestor, um homem cego que é, ao mesmo tempo, seu porto seguro e o que o mantém preso. Entre lembranças que insistem em voltar e um amor guardado pela vizinha Lúcia, ele se vê diante de uma noite decisiva onde precisará encarar tudo aquilo que sempre evitou.

Elenco: Dan Ferreira, Ridson Reis, Antônio Marcelo, Evana Jeyssan.


EM CARTAZ:

MÃE E FILHO

Irã, Drama, 2025, 133min

Direção: SAEED ROUSTAEE

Sinopse: Mahnaz, uma enfermeira viúva de 40 anos, luta com seu filho rebelde, Aliyar, que foi suspenso da escola. As tensões familiares atingem o auge durante a cerimônia de noivado com seu novo namorado, Hamid, e um trágico acidente ocorre. Como consequência, Mahnaz será forçada a confrontar a traição e a perda, e a embarcar em uma busca por justiça.

Elenco: Parinaz Izadyar, Payman Maadi, Soha Niasti



HORÁRIOS SESSÕES DE 07 A 13 DE MAIO (não há sessões nas segundas):

15h: MÃE E FILHO

17h30: TIMIDEZ

19h: SURDA


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 5 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'O Estrangeiro'

Sinopse: A trama acompanha Meursault, um francês apático e indiferente que vive na Argélia dos anos 1930. Sua completa falta de emoção após a morte da mãe e o envolvimento em um crime trágico o levam a um julgamento implacável.

François Ozon é, atualmente, um dos diretores franceses mais curiosos de se analisar de perto, justamente por sua versatilidade. Ele transita com facilidade por boas comédias, como "O Crime é Meu" (2023), e por dramas densos cujos temas soam polêmicos, como no caso de "Está Tudo Bem" (2021). "Em O Estrangeiro" (2025), o realizador prova novamente que alguns clássicos literários ainda podem — e devem — ser reaproveitados nos dias de hoje, entregando uma adaptação que é uma prova mais do que genuína desse potencial.

Adaptação da obra-prima literária do franco-argelino Albert Camus, o filme conta a história de Meursault, um homem indiferente que vive na Argélia ocupada dos anos 1930 e demonstra uma completa apatia perante a vida. Quando sua mãe morre, nenhuma emoção parece comovê-lo. Já no dia seguinte ao funeral, ele começa a se relacionar com sua colega de trabalho, Marie. No entanto, a rotina monótona de Meursault é interrompida por um vizinho que o arrasta para uma série de negociações obscuras até que, num dia quente de verão, uma tragédia ocorre na praia.

Alguns críticos literários pregam que certos livros são praticamente impossíveis de serem adaptados, ou que pertencem somente à sua época de lançamento. Não é o que acontece aqui. Se a clássica versão de 1967, estrelada por Marcello Mastroianni, já havia sido bem-sucedida, esta nova leitura de François Ozon se mostra mais atual do que nunca. Ela sintetiza o vazio do ser humano perante os posicionamentos, por vezes, conservadores e atrasados do próximo. Qualquer semelhança com os dilemas que atravessamos no decorrer deste século XXI não é mera coincidência.

Meursault é um personagem enigmático diante de um mundo ao qual não sente que pertence, mas no qual busca viver mesmo assim. Ele não se esforça para demonstrar sentimentos, mesmo em uma situação delicada como a perda da mãe — quase como se a apatia fosse uma forma de se proteger dos olhares julgadores de uma sociedade moldada por convenções e crendices. O jovem intérprete Benjamin Voisin consegue construir um personagem que aparenta carregar um constante conflito interno, mas que procura jamais externá-lo para aqueles que buscam compreendê-lo.

Ozon constrói uma atmosfera que transita entre elementos dramáticos e passagens de suspense que prendem a atenção na medida certa. A cena da praia onde acontece o crime, por exemplo, é um verdadeiro jogo de montagem alinhado a uma fotografia fantástica, com atuações que diferenciam a obra dos outros longas do cineasta. Transitando entre o passado e o presente, somos apresentados a um personagem misterioso com o qual, lá no fundo, conseguimos até nos identificar.

Curiosamente, o filme traz à mente o clássico "A Paixão de Joana d’Arc" (1928), do dinamarquês Carl Theodor Dreyer. Em ambos os casos, os protagonistas são julgados por ações que poderiam ser analisadas de forma imparcial, mas acabam condenados por uma justiça conservadora que existe apenas para servir a objetivos ambiciosos — sejam eles religiosos ou políticos. É por isso que esta adaptação funciona tão bem nos dias de hoje: tornou-se cada vez mais comum o olhar tribunalesco da sociedade se tornar implacável, condenando sem ao menos analisar a complexidade do assunto.

Ao final, vemos pela primeira vez um Meursault desabafando diante da possibilidade de salvação, mas negando-a por achá-la hipócrita, assim como as demais situações que testemunhou em sua Via Crucis pessoal. É um momento digno de nota, onde finalmente enxergamos o protagonista mais humano, digno de assumir suas próprias falhas, mas indisposto a aceitar a absolvição daqueles que o julgam superficialmente. Um filme que se casa com perfeição com os dilemas morais de um mundo atual em declínio.

"O Estrangeiro" é uma nova leitura cinematográfica brilhante, que prova que os dilemas existenciais de ontem não são muito diferentes dos que enfrentamos hoje.

 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'O Diabo Veste Prada 2'

Sinopse: Miranda Priestly (Meryl Streep) em declínio, enfrentando a crise das revistas de moda. Ela precisa da ajuda de Emily (Emily Blunt), agora uma poderosa executiva de luxo, e de Andy (Anne Hathaway), que retorna como consultora.

Em tempos de franquias intermináveis não é de surpreender que o cinema americano busque até mesmo uma forma de dar continuidade aos eventos de um clássico que nunca precisou de uma continuação. "O Diabo Veste Prada" (2006) é um daqueles exemplos dos quais ninguém dava nada para o longa, mas que rapidamente se tornou um sucesso de público e de crítica. Vinte Anos depois eis que chega "O Diabo Veste Prada 2" (2026), longa que respeita os amantes do clássico e que não fica preso exatamente àquela sensação de nostalgia como um todo.

Dirigido por David Frankel, o filme nos traz de volta  Miranda Prestly em  um momento de mudanças na moda e na indústria de publicações e revistas. Lidando com o colapso do jornalismo, Miranda precisa enfrentar ainda mais um novo desafio: o retorno de Andreia, agora uma jornalista profissional e que precisará elaborar ótimas matérias para que Miranda se mantenha no topo. Além disso, Emily em um novo cargo desvenda as suas novas ambições e que pode surpreender até mesmo Miranda.

O que eu mais temia nesta continuação seria uma espécie de releitura do primeiro, o que não é o caso. Vemos Andreia retornando, mas agora mais madura e focando exclusivamente no universo do jornalismo. O retorno para as garras de Miranda vem justamente da ameaça da extinção do jornalismo profissional e fazendo com que ela use todos os seus esforços para que isso não aconteça.

Talvez esse seja o grande acerto do longa, ao não se repetir, mas sim dando continuidade e focando o universo da moda em  um mundo atual sempre em mutação, onde as revistas tradicionais impressas se encontram quase extintas e perdendo o lugar para sites e redes sociais que se dizem entendedores do assunto. O mundo mudou nestes últimos vintes anos, onde não basta ter ambição, como também saber se atualizar em uma realidade onde o amanhã você pode ser dispensado e substituído por uma tecnologia onde tudo se torna mais fácil. Com o advento do IA, o filme toca em um assunto em que o cinema norte americano está explorando com intensidade, por vezes, exagerada, mas aqui com bastante criatividade na medida certa.

Outro ponto positivo é o fato de revisitarmos os velhos personagens conhecidos, mas cujo amadurecimento após vinte anos é bem sentido em cada um deles. Anne Hathaway consegue construir uma Miranda que nos transmite já certo peso de experiência, mas mantendo as suas virtudes intactas através do tempo. Já Emily Blunt pouco faz de diferente para a sua Emily, o que não é necessário, pois já no primeiro filme a sua personagem nos transmitia a ambição de um mundo que faltava poucos centímetros para alcançar, mas que nunca conseguia exatamente abraçar. Aqui uma nova faceta de sua pessoa é revelada e fazendo a gente questionar até onde ela irá para obter o que mais deseja.

Stanley Tucci, por sua vez, obtém mais tempo em tela, pois o seu personagem Nigel é um dos mais amados do filme original. Ao ser especialista nas melhores roupas da moda, Nigel procura manter o equilíbrio ao não se desesperar pela possibilidade de sua profissão ser extinta e manter o lado mentor com Miranda intacto. E se muitos ficaram chateados com que Miranda fez com ele no filme original, aqui ele finalmente obtém a sua merecida redenção.

E como não poderia deixar de ser, novamente Meryl Streep enche a tela toda vez quando entra em cena, pois a sua Miranda é sem sombra de dúvida um dos melhores papéis de sua carreira. Curiosamente, vemos aqui a mesma Miranda de sempre, mas tendo que encarar as mudanças vindas no horizonte e fazendo com que a mesma acabe revelando uma humanidade maior do que havia sido vista no filme anterior.  Sua interação com Andreia ganha um novo patamar, mesmo quando ainda mantém a sua atitude autoritária, mas que serve para não transmitir a sua fraqueza que começa a ser exposta.

O filme somente peca ao não manter o mesmo equilíbrio em termos de ritmo ao ser comparado ao filme original. Ao meu ver, os realizadores exageraram um pouco na questão do jogo de poder sobre quem puxa o tapete mais rápido e cujo os desdobramentos, por vezes, se tornam um tanto quanto exagerados. Ao menos  a edição quase frenética se torna uma cortina de fumaça para ofuscar esse, porém, além de novamente possuir uma trilha sonora pop e que irá fazer a gente cantarolar após a sessão.

Em tempos atuais em que o cinemão norte americano vê suas franquias milionárias um tanto quanto enfraquecidas, o filme vem um momento em que público anseia por algo novo. O longa  pode ser a continuação de um grande clássico, mas ao menos ele serve para nos tirar da nossa zona de conforto e adentrarmos ao universo da moda onde o jogo pelo poder domina a cena. Curiosamente, o filme deixa uma brecha para uma possível continuação e faz a gente se perguntar qual seria o próximo passo de Miranda e companhia.

Com participação especial de Lady Gaga, "O Diabo Veste Prada 2" é um filme que ninguém esperava nada, mas que surpreende ao ter alma própria e respeitar todo o culto em volta que o clássico havia adquirido no decorrer dos anos. 


 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

Cine Dica: Curso - Kleber Mendonça Filho

 INSCRIÇÕES ABERTAS

 Curso

KLEBER MENDONÇA FILHO: UMA ANÁLISE IDEOLÓGICA

de Lucas Vidal

* Datas: 16 e 17 / Maio (sábado e domingo)

* Local: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 - Centro - Porto Alegre - RS)

* Horário: 14h30 às 17h30

Apresentação

Atuando como um filho do seu tempo, Kleber Mendonça Filho faz questão de abordar os acontecimentos da política brasileira a todo momento, através de metáforas, circunstâncias, homenagens e citações. Assim como Jean-Luc Godard, Kleber também tem origem na crítica cinematográfica. E também seguindo os passos do francês, o recifense faz crítica com a câmera, reescrevendo a história de atores e trazendo uma visão própria de clássicos brasileiros.

Objetivos

O curso KLEBER MENDONÇA FILHO: UMA ANÁLISE IDEOLÓGICA, de Lucas Vidal, busca situar o cineasta no contexto histórico do Brasil do século XXI e apresentar toda a riqueza dos filmes do célebre recifense. Será possível relacionar as criações nem tão fictícias assim com a realidade brasileira e também compreender a forma com que o cineasta faz esse trabalho, observando suas escolhas estéticas. Analisaremos de forma detalhada muitas cenas, comparando diálogos com acontecimentos reais e com as influências de Kleber, do faroeste ao terror, passando por filmes marcantes do Brasil. Dizendo muito em cada frame e em cada diálogo, Kleber faz dos seus filmes um grito ideológico. Estudaremos o que ele diz e por que ele diz.

Ministrante: Lucas Vidal

Graduado em Jornalismo pela PUC-RS, com passagem pelo jornal Zero Hora. Já ministrou aulas e conteúdos sobre Ingmar Bergman no curso de Jornalismo da UniRitter. Desenvolveu a monografia "A Representação dos Relacionamentos Amorosos em Godard: Uma Análise de Uma Mulher É Uma Mulher e Acossado", como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo.


Informações / Inscrições

https://cinemacineum.blogspot.com/2026/04/kleber-mendonca-filho.html

domingo, 3 de maio de 2026

Cine Dica: Cinema da UFRGS apresenta mostras “Delírias” e “Cinema socioambiental”

Reunindo obras protagonizadas por mulheres, a Sala Redenção apresenta, de 4 a 13 de maio, a mostra “Delírias”. São sete filmes de diferentes gêneros que, em comum, encaram o onírico e o fantasioso como espaços de liberdade feminina.

A programação inicia no próximo dia 4 com dois longas-metragens que tematizam o luto: “Cleo” (2019), produção alemã que acompanha a trajetória de uma jovem marcada pela culpa após a morte do pai; e “Despedida” (2021), fantasia gaúcha protagonizada por uma menina de 11 anos que viaja ao interior do estado para o funeral da avó. Na mesma semana, a Sala Redenção exibe “O céu de Alice” (2020), primeiro longa-metragem da diretora francesa Chloé Mazlo. O filme mistura ficção, stop motion e animação para retratar a relação de Alice, recém-chegada no Líbano vinda da Suíça, e Joseph, um astrofísico excêntrico que tem o sonho de enviar ao espaço o primeiro libanês.

A mostra segue com dois musicais: “Orféa apaixonada” (2022), de Axel Ranisch, que acompanha o romance entre uma aspirante a cantora de ópera e um criminoso surdo; e “Anos dourados” (1986), de Chantal Ackerman, emblemático musical ambientado em um shopping center. “Delírias” encerra com as comédias “Franky Five Star” (2023), da alemã Birgit Möller; e “A bruxa do amor” (2016), da estadunidense Anna Biller.

Todas as sessões têm entrada franca e aberta à comunidade em geral. A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui.

Sala Redenção estreia mostra “Cinema socioambiental”

Com nove produções brasileiras na programação, como Ilha das Flores (1989), “Xingu” (2011) e “Lixo extraordinário” (2010), a Sala Redenção convida o público a refletir sobre o cenário global de crise climática por meio da mostra “Cinema socioambiental”. A programação, realizada em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis do Rio Grande do Sul (Ibama/RS), acontece de 8 a 22 de maio com entrada franca.

A mostra inicia no dia 8, às 14h, com “Xingu” (2011), longa-metragem de Cao Hamburger que acompanha os irmãos Villas-Bôas na Expedição Roncador-Xingu, na década de 1940. No dia 14, no mesmo horário, “Lixo extraordinário” (2010) documenta o trabalho do artista visual Vik Muniz no Jardim Gramacho (RJ), maior aterro sanitário da América Latina. Ambas as sessões são seguidas de conversa com o setor Educativo do Ibama/RS.

Já no dia 15 de maio, às 14h, são exibidos os curta-metragens “O veneno está na mesa” (2011), “Ilha das Flores” (1989) e “Recife frio” (2009). Após a sessão, integrantes do G6+Direitos Humanos, grupo ligado ao Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da UFRGS, conduzem um bate-papo sobre os filmes. Na noite do mesmo dia, às 19h, a programação segue com “Águas de maio” (2025), longa-metragem que registra o trabalho voluntário realizado pela Faculdade de Farmácia da UFRGS e por outras entidades farmacêuticas durante as enchentes de 2024 no estado. A exibição é seguida de conversa com o diretor Lucas Moraes.

No dia 21, às 19h, é a vez de “Comida de mentira” (2025), documentário sobre a indústria dos ultraprocessados cuja apresentação é acompanhada de conversa com as professoras Tatiana Camargo e Marilisa Hoffman, do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências (PPGECI), e com os mestrandos Edu Lopes e Julia Sokolovsky.

Para finalizar a mostra, no dia 22 de maio, a Sala Redenção exibe “25 anos da Feira do Menino Deus: a cidade encontra o campo” (2020) e “Mãos à terra” (2025), às 14h e às 16h, respectivamente. Ambas as sessões contam com bate-papo com as pessoas realizadoras.

“Cinema Socioambiental” tem apoio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Casa de Cinema de Porto Alegre, Vitrine Filmes e ACT Promoção da Saúde.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cine Especial: 'O Diabo Veste Prada - 20 Anos Depois'

O sucesso de um filme se deve a muitos fatores, mas, às vezes, é preciso uma dose de sorte vinda dos "deuses do cinema" para que os realizadores alcancem o êxito pretendido. Determinados temas são difíceis de prever, e o universo da moda é um desses casos. "O Diabo Veste Prada" (2006) é um exemplo de longa-metragem que conquistou o sorriso desses deuses, adquirindo o status de cult com o passar dos anos.

Dirigido por David Frankel e baseado no best-seller de Lauren Weisberger, o filme conta a história de Andrea Sachs (Anne Hathaway), uma jovem recém-formada em jornalismo que consegue um emprego na Runway Magazine, a mais importante revista de moda de Nova York. Ela passa a trabalhar como assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep), a principal executiva da publicação. Apesar da oportunidade com que muitos sonhariam, Andrea logo nota que lidar com Miranda não é uma tarefa simples.

Lauren Weisberger escreveu a obra baseada em sua própria experiência como assistente de Anna Wintour. Apesar do sucesso comercial, o livro não foi unanimidade entre a crítica especializada, que apontou o tom excessivamente queixoso da protagonista. Obviamente, a história não seria vista com bons olhos pelos detentores do poder no universo da moda — um mundo moldado pela estética, pelo vestuário e, acima de tudo, pelo poder. Trata-se de um ambiente regido pelo sistema capitalista, que vende sonhos para aqueles que desejam estar sob os holofotes.

A protagonista Andrea funciona como uma representação do nosso olhar inocente perante esse glamour, inicialmente não enxergando conteúdo algum nele. É a partir do momento em que ela compreende que só sobreviverá ao emprego se decidir adentrar de fato nesse universo — não apenas na forma de se vestir, mas no "jogo de cintura" necessário — que a trama se aprofunda. Um de seus mentores acaba sendo Nigel (interpretado brilhantemente por Stanley Tucci), que lhe mostra como a vestimenta dita as regras em um ambiente onde a beleza é a moeda de troca.

Logicamente, este é um mundo onde, a qualquer momento, alguém pode lhe "puxar o tapete". É o caso de Emily (Emily Blunt), personagem que não esconde suas ambições e vê em Andrea um obstáculo inesperado. Emily Blunt obteve sua consagração na carreira ao interpretar uma mulher que transita entre o humor e o lado trágico de quem sucumbe à ideia de que, para ser alguém, é preciso driblar até mesmo os amigos e colegas.

Embora tenha chamado a atenção anteriormente em filmes como "O Diário da Princesa" (2001) e "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005), foi em "O Diabo Veste Prada" que Anne Hathaway obteve o papel de sua vida, abrindo portas para grandes projetos futuros. Sua Andrea é uma personagem com quem nos identificamos facilmente: sua inocência pode ser um obstáculo, mas sua força de vontade em meio às adversidades a leva a cenários nunca antes vistos. O fato de ela não se deixar seduzir totalmente pelo poder talvez seja o principal motivo dessa identificação.

Mas, como não poderia deixar de ser, o filme pertence a Meryl Streep. Sua Miranda Priestly é a representação de uma líder que já não consegue enxergar as "pessoas normais", mas apenas aquelas que compreendem sua visão sobre o mundo da moda. Para ela, todas as suas assistentes são "Emilys" descartáveis, a menos que sucumbam à sua lógica de que o poder dita todas as regras.

É curioso observar como Streep constrói uma personagem não estereotipada, usando a arrogância para esconder uma faceta frágil. Talvez, no passado, Miranda não tenha sido tão diferente de Andrea, mas optou por se moldar ao sistema para sobreviver e dominar aqueles que queriam destruí-la. Sua humanidade existe, mas nem todos conseguem enxergá-la.

Com personagens tão ricos, o filme flui graças a uma edição dinâmica que combina com a correria do meio editorial. Além disso, a trilha sonora é marcante, incluindo sucessos como Crazy (Alanis Morissette), Vogue (Madonna) e Suddenly I See (KT Tunstall). Os figurinos, por sua vez, enchem os olhos e fazem o espectador se imaginar naquelas peças de alta-costura.

Com um orçamento de US$ 41 milhões, o filme faturou US$ 326 milhões mundialmente, recebendo o reconhecimento da crítica e diversas indicações a prêmios. É um caso raro de comédia refinada que não se entrega a fórmulas óbvias, arriscando-se em um cenário inédito para o gênero. Desde então, as bolsas Prada e o próprio filme passaram a sintetizar, com perfeição, o glamour superficial e o alto padrão da moda contemporânea.


Onde Assistir: Disney+

 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

Cine Dica: Clube de Cinema de Porto Alegre: "Disque M para Matar" (02/05) na Cinemateca Capitólio

Neste sábado, dia 2 de maio, às 10h15 da manhã, nos reunimos na Cinemateca Capitólio para assistir o clássico Disque M Para Matar, de Alfred Hitchcock.

Baseado em uma peça teatral de mesmo nome, o filme condensa sua ação em poucos espaços e personagens, seguindo a fórmula consolida pelo mestre do suspense: ao colocar o espectador a par do crime desde o início, Hitchcock desloca o nosso interesse para a execução minuciosa do plano e, sobretudo, para suas inevitáveis falhas, construindo um jogo de ironia e reviravoltas que nos mantém envolvidos na narrativa até o seu desfecho.


Confira os detalhes da sessão:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 02/05, às 10h15 da manhã

📍 Local: Cinemateca Capitólio

Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre

Disque M para Matar (Dial M for Murder)

EUA, 1954, 105min

Direção: Alfred Hitchcock

Roteiro: Frederick Knott

Elenco: Ray Milland, Grace Kelly, Robert Cummings, Anthony Dawson

Sinopse: Ao descobrir a traição da esposa, um ex-tenista elabora um plano meticuloso para assassiná-la e garantir sua herança. Quando o crime não ocorre como previsto, ele precisa improvisar uma nova estratégia, manipulando evidências e circunstâncias para incriminá-la.

  Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cine Dica: Cinesemana de 30 de abril a 6 de maio de 2026

A primeira cinesemana de maio reúne quatro novos filmes na nossa programação, incluindo três estreias brasileiras. Uma delas é A FÚRIA, o longa mais recente do veterano cineasta Ruy Guerra, que chega aos 95 anos em 2026; da seleção de Gramado do ano passado estreamos PAPAGAIOS, que rendeu ao talentoso Gero Camilo o Kikito de melhor ator; e O ANO EM QUE O FREVO NÃO FOI PRA RUA, mostrando o quanto a Covid-19 impactou uma das principais festas brasileiras. A quarta novidade é A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes.

O público lotou as sessões da primeira semana e segue pedindo para ver BETTY BLUE, drama erótico francês que voltou aos cinemas para comemorar seus 40 anos de lançamento. Seguem em cartaz filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, com destaque para PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus, A CRONOLOGIA DA ÁGUA, com a atriz Imogen Poots dando vida às memórias da escritora Lidia Yuknavitch.

Esta é última semana para conferir CASO 137, filme que rendeu a Léa Drucker o prêmio César de melhor atriz, e CINCO TIPOS DE MEDO, o longa vencedor dos Kikitos de melhor filme e roteiro no Festival de Gramado de 2025.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – "Zico: O Samurai de Quintino"

Sinopse: Documentário que desvenda os primórdios da era de ouro de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro.


Vivemos tempos em que o futebol brasileiro virou moeda de troca. Um jogador se destaca brevemente e logo é vendido para o exterior, pelo valor mais alto. O resultado é a escassez de atletas com amor à camisa; em campo, vemos "bonecos articulados" facilmente substituíveis, fazendo do esporte um grande negócio, e não mais uma paixão. A era de ouro parece ter ficado para trás, e as gerações mais novas talvez não compreendam esse sentimento, a menos que se dediquem a ler um bom livro de história esportiva ou a assistir a produções como esta.

Para quem se dispõe a ver documentários, surge ao menos uma noção de como eram esses tempos dourados. É inegável que Pelé permanece no topo, mas figuras como Zico garantiram seu lugar na história por meio de ações que definiram seu caráter. "Zico: O Samurai de Quintino" (2026) revela não apenas o craque, mas o homem que se tornou peça primordial para o esporte.

Sob a direção de João Wainer, acompanhamos a trajetória do maior ídolo da história do Flamengo, desde a infância no subúrbio carioca até sua ascensão como lenda global. O filme resgata a história de Arthur Antunes Coimbra com um acervo precioso: objetos históricos, vídeos em Super-8, imagens raras e entrevistas inéditas que fazem jus ao seu legado.

Lembro-me de, quando pequeno, assistir a uma notícia sobre um garoto acidentado que era fã do Galinho. Zico fez questão de ir ao hospital presenteá-lo com a mística camisa dez, transmitindo uma sensação de total humildade. Talvez essa mesma postura tenha sido o combustível para sua jornada no Japão, onde se tornou o símbolo máximo do futebol no "País do Sol Nascente". Em um cenário onde o beisebol reinava absoluto, Zico fez a diferença, cultivando no povo japonês uma paixão genuína pelo futebol.

O documentário destrincha com equilíbrio a vida pessoal e a profissional: os primeiros passos no Flamengo, a consagração na Seleção Brasileira, o casamento e a construção da família. Há momentos de puro deleite, como ver o Rei Pelé ao lado de Zico em registros de tempos longínquos. Wainer capricha ao trazer arquivos de jogos históricos, cujas imagens, saturadas pelo calor do Super-8, sintetizam uma estética nostálgica e vibrante.

Ao assistir ao longa, constato que vivemos um presente que pouco olha para o passado e raramente extrai dele o seu melhor. Zico representa um tipo de atleta em extinção, que se entregava à profissão por amor, e não pelas cifras futuras. No passado, havia jogadores de quilate; hoje, infelizmente, sobram aqueles que jogam pelo lance mais alto.

"Zico: O Samurai de Quintino" não é apenas sobre um grande jogador; é o retrato de uma época em que o futebol brasileiro era, verdadeiramente, a nossa principal paixão.

 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 30 DE ABRIL A 06 DE MAIO

 ESTREIAS:

O RISO E A FACA

Portugal / Brasil / Romênia / França, Ficção, 2025, 212 min.

Direção:Pedro Pinho

Sinopse:Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.

Elenco: Sérgio Coragem | Sérgio ,Cleo Diára | Diára, Jonathan Guilherme | Gui ,Renato Sztutman | ele mesmo ,Jorge Biague | Borjan , Nástio Mosquito | Horatio ,Bruno Zhuody McCree Everton Dalman

MÃE E FILHO

Irã, Drama, 2025, 133min

Direção: SAEED ROUSTAEE

Sinopse: Mahnaz, uma enfermeira viúva de 40 anos, luta com seu filho rebelde, Aliyar, que foi suspenso da escola. As tensões familiares atingem o auge durante a cerimônia de noivado com seu novo namorado, Hamid, e um trágico acidente ocorre. Como consequência, Mahnaz será forçada a confrontar a traição e a perda, e a embarcar em uma busca por justiça.

Elenco: Parinaz Izadyar, Payman Maadi, Soha Niasti



HORÁRIOS SESSÕES DE 30 DE ABRIL A O6 DE MAIO (não há sessões nas segundas):

16h: MÃE E FILHO

18h30: O RISO E A FACA

Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR 


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 28 de abril de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema e Fantaspoa - 'Sunshine Express'

 Nota: Filme exibido para os associados no último dia 26/04/26.

Sinopse: Um grupo de pessoas embarca em uma viagem encenada rumo a um destino mítico, assumindo papéis dentro de um jogo controlado por regras rígidas.

No início do ano, muitos brasileiros acompanham o Big Brother, um reality show onde pessoas são confinadas e eliminadas conforme a votação do público. Esse formato, por sua vez, já foi explorado pelo cinema de diversas formas — o recente "O Sobrevivente" (2025), por exemplo, é uma crítica ácida a uma sociedade que busca a celebridade instantânea a qualquer custo, mesmo o da própria vida. "Sunshine Express" (2025) surge como uma síntese desse mundo atual tomado por conflitos, mas cuja população é persuadida pela promessa de sucesso financeiro.

Dirigido por Amirali Navaee, o filme narra a jornada de um grupo em uma viagem encenada rumo a um destino mítico. À medida que a experiência avança, a dinâmica lúdica revela as tensões, frustrações e desejos dos envolvidos, transformando a jornada em um reflexo crítico de suas próprias limitações.

Navaee utiliza enquadramentos fechados para construir uma noção de claustrofobia. Já no plano de abertura, os protagonistas são apresentados em uma janela, recebendo seus papéis no jogo e embarcando em uma situação inusitada onde realidade e ficção se fundem. Conforme a trama evolui, notamos que os personagens se tornam cada vez mais isolados; o cenário do trem transita entre a fantasia e o real de forma a instigar diversas teorias no espectador.

Por isso, o filme exige atenção redobrada: em vários momentos, os protagonistas atuam conforme seus personagens, mas suas realidades pessoais se misturam de tal forma que a separação dos fatos torna-se inútil. O objetivo de cada um é o grande prêmio, mote que os faz adentrar nesse programa que se revela mais misterioso do que aparenta. O ato final entrega situações densas para análise.

Em tempos de guerra no Oriente Médio, Amirali Navaee nos conduz por um local desconhecido que serve como representação de um mundo hiperconectado, porém sem privacidade. É o retrato de pessoas que se entregam a redes sociais e programas que distraem as massas de forma viciante. Tudo funciona como um "circo" enquanto o mundo real pega fogo, restando ao indivíduo aceitar um jogo que pode lhe custar a vida. Ao meu ver, a realidade não está distante dessa ficção.

"Sunshine Express" é uma metáfora sobre como nos tornamos marionetes de falsas promessas enquanto o mundo explode para satisfazer a elite.

 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948 

Cine Dica: Newsletter de 28 de abril a 6 de maio

 Após Fantaspoa, Cinemateca Capitólio retoma programação com estreias e sessões especiais

Encerrado o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, o FANTASPOA, a Cinemateca Capitólio retoma a partir de 28 de abril sua programação regular com a estreia de um clássico italiano restaurado, de um premiado documentário pernambucano e sessões especiais para todos os públicos. A seleção transita entre o horror clássico, o documentário musical e o registro de trajetórias artísticas.

A programação abre com Suspiria, de Dario Argento, exibido em cópia digital 4K restaurada a partir de seu negativo original. Lançado em 1977, o filme acompanha a bailarina Suzy Bannion ao chegar à prestigiosa Tanz Akademie, em Freiburg, onde uma série de eventos perturbadores a conduz a uma investigação sobrenatural. Primeiro capítulo da trilogia As Três Mães – seguida por A Mansão do Inferno (1980) e O Retorno da Maldição: A Mãe das Lágrimas (2007) –, Suspiria é um giallo psicodélico de visuais saturados, trilha sonora da banda Goblin e direção de arte rigorosa, consolidado como um dos títulos mais emblemáticos da história do cinema de horror.

Também em cartaz a partir de 28 de abril, Manguebit, de Jura Capela, é o mais abrangente registro audiovisual já realizado sobre o manguebeat — movimento que, nos anos 1990, conectou as periferias de Recife ao circuito musical global por meio de nomes como Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S.A. e o festival Abril Pro Rock. Com imagens raras, arquivos históricos e depoimentos de artistas como Otto e DJ Dolores, o documentário transita entre música, cinema, artes visuais e literatura. Vencedor do prêmio de Melhor Filme no In-Edit Brasil e dos prêmios de Melhor Direção, Trilha Sonora e Montagem no Festival Aruanda, o filme chega à Capitólio com sessão de estreia gratuita no dia 28 de abril, às 19h, com a presença do diretor Jura Capela e do professor e crítico de cinema Milton do Prado para debate com o público.

Na quarta-feira, 29 de abril, às 19h, a Sessão Abraccine apresenta Jamex e o Fim do Medo, primeiro longa do cineasta baiano Ramon Coutinho. Definido como uma aventura documental de ficção científica, o filme mistura a vida real do artista visual Jamex com um dia fictício do seu personagem, que precisa cruzar as zonas radioativas de Salvadolores, cidade distópica livremente inspirada em Salvador, para entregar um quadro a um misterioso comprador. A sessão, realizada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, terá entrada franca e será seguida de debate mediado pelo crítico gaúcho Rodrigo de Oliveira.

Nos fins de semana de 2 e 3 de maio, às 15h, a Sessão Vagalume exibe Toy Story 2, de John Lasseter. No filme, ao tentar salvar um brinquedo que vai parar num bazar de usados, Woody acaba sequestrado por um colecionador que planeja vendê-lo a um museu japonês. Enquanto o cowboy descobre sua própria história como personagem de um famoso seriado de TV, Buzz Lightyear e os demais brinquedos partem numa atrapalhada operação de resgate.

A programação da semana se encerra em 6 de maio com a exibição especial de Da Cor e da Tinta, documentário da cineasta sino-americana Weimin Zhang desenvolvido ao longo de 12 anos de pesquisa. O filme acompanha as jornadas criativas, políticas e espirituais de Chang Dai-chien (1899-1983), considerado o mais importante pintor chinês do século XX e o primeiro a alcançar renome internacional, durante seu exílio autoimposto de três décadas. Da China pré-comunista à Argentina, das florestas brasileiras às aclamadas exposições em Paris e Berlim, e dos encontros com Pablo Picasso e André Masson até os últimos anos na Califórnia e em Taiwan, o filme reconstrói a busca do artista por um ideal de harmonia num mundo distante de sua terra natal. A coprodução Brasil-China-Estados Unidos, que estreou na 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é o primeiro documentário a a retratar os anos de exílio de Chang na América do Sul, Europa e Estados Unidos. Porto Alegre possui uma relação especial com o artista: a Pinacoteca Ruben Berta possui uma obra de Chang Dai-chien em seu acervo, a tela Passeio ao Longo do Rio Apreciando as Flores de Ameixeiras, adquirida em 1966 pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand e posteriormente doada ao museu gaúcho. Esta sessão, que acontece às 19h, contará com debate mediado pelo co-produtor do filme, Guilherme Gorgulho, e terá entrada franca.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Michael'

Sinopse: A vida complexa do Rei do Pop, Michael Jackson, desde a infância no Jackson 5 até sua ascensão solo e genialidade artística. 

Quando assisti a "Bohemian Rhapsody" (2018), na época, eu ainda não tinha uma dimensão sobre a vida pessoal da banda Queen, tampouco sobre Freddie Mercury. Quando era criança, nos anos oitenta, eu simplesmente ouvia as suas músicas e curtia cada uma delas como se não houvesse amanhã. Portanto, assistir à cinebiografia foi uma grande experiência, mesmo sabendo, através de outros, que muito daquilo visto na tela não aconteceu exatamente daquela forma na história real.

Devido a esse grande sucesso, começaram a surgir algumas cinebiografias de quilate, como "Rocketman" (2019), e algumas duvidosas, como "Back to Black" (2024). O problema é que fica sempre aquele dilema entre entregar uma adaptação nua e crua sobre a pessoa por trás do artista ou simplesmente levar a figura impecável que os fãs sempre endeusavam. "Michael" (2026) é uma adaptação somente parcial sobre a vida de um dos maiores cantores da música pop, mas que irá agradar aos fãs que cresceram ouvindo as suas obras que entraram para a história.

Dirigido por Antoine Fuqua, o longa retrata a vida e o legado do cantor (Jaafar Jackson), desde a descoberta de seu espetacular talento como líder do Jackson 5 até o impacto cultural de sua visão artística ímpar. Para além da música, este drama biográfico traça as ambições criativas de um homem que buscou ativamente se tornar um dos maiores artistas do mundo, destacando os passos dados por Jackson fora dos palcos. Performances icônicas de sua carreira solo compõem esse retrato íntimo e inédito do artista.

Para o fã de carteirinha, o filme não decepciona, principalmente ao revelar, no primeiro ato, os primeiros passos dos Jackson 5, moldados por um pai e empresário severo, Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo. Vale destacar que o intérprete nos brinda com uma das grandes atuações do longa; seu Joe possui uma paixão quase doentia em levar os filhos ao topo do estrelato, não escondendo a ambição em seus olhos. Ao mesmo tempo, ele enxerga no pequeno Michael a sua verdadeira pepita de ouro, não medindo esforços para que a criança seja um superastro.

É neste cenário de sonhos e pesadelos que os produtores não se intimidaram em revelar as raízes do lado problemático da infância do astro, que cresceu diferente das outras crianças, isolando-se em um mundo de fantasias vindo de contos como o de Peter Pan. A partir do momento em que ele cresce e começa a não esconder as suas excentricidades — como adotar um macaco de estimação —, concluímos que o astro nunca teve a infância que realmente queria, e, neste retrato, o filme acerta em cheio.

Mas, sem sombra de dúvida, a grande surpresa fica por conta da atuação de Jaafar Jackson. Sendo sobrinho de Michael no mundo real, Jaafar tinha a missão ingrata de dar vida, cara e voz ao seu falecido tio, mas, felizmente, não decepciona. É como se estivéssemos vendo o Rei do Pop de volta à vida, em tempos mais coloridos, mesmo com todo o lado problemático de sua vida pessoal. Por mais que soe estranho em alguns momentos ele cantando, não há como negar que o intérprete chega perto do que Jackson foi em vida, além de surpreender nos passos de dança, o que nos desperta uma imensa nostalgia.

Aliás, a palavra nostalgia é a força motriz do filme, já que as passagens da história são moldadas por boa parte dos seus grandes sucessos e representam muito bem períodos específicos. É delicioso ver os motivos do astro para realizar a canção Beat It, ou então o maior feito de sua carreira, Thriller, cuja reconstituição das filmagens do clássico clipe está entre os melhores momentos do filme. Mas, por mais perfeitas que sejam essas passagens, é preciso reconhecer que tudo se torna quase um "clipão", em que a trama fica em segundo plano, fazendo com que apenas nos deleitemos com as músicas que ouvíamos quando garotos.

Nesse ponto, o filme talvez falhe ao se preocupar mais em agradar aos fãs do que em mostrar um Michael Jackson mais humano e falho em suas ações. Em alguns momentos, por exemplo, parece que os realizadores buscavam uma espécie de "predestinação" para algo maior, o que acaba soando pretensioso, para dizer o mínimo. O lado mais humano surge em cena apenas nos momentos em que ele busca um ombro amigo, seja através do seu motorista ou do seu empresário John Branca, interpretado de forma inesperada pelo ator Miles Teller.

Inevitavelmente, todos ficam curiosos sobre como o astro lidava com o vitiligo, mas o tema fica apenas na superfície, dando maior destaque à cirurgia que ele fez no nariz por sofrer preconceito vindo do próprio pai. Em contrapartida, o acidente durante as filmagens do comercial da Pepsi se torna o momento mais tenso da obra, ao ponto de ficarmos imaginando como seria se o filme fosse mais a fundo em outros fatores de sua saúde.

Naturalmente, muitos críticos se incomodarão pelo fato de o longa não abordar as acusações de abuso de menores. O filme não chega a esse ponto, principalmente porque nem adentra o ápice e o início do seu declínio durante a década de noventa. Ao meu ver, os realizadores estavam mais interessados em retratar a fase de ouro do cantor, sem esconder o lado problemático de sua fase inicial.

O filme pode ser interpretado como o primeiro grande ato sobre a vida do astro levado às telas. Obviamente, fará um grande sucesso, fazendo com que suas músicas voltem às paradas. Resta saber se os fãs irão ignorar a maioria da crítica especializada e ir em massa aos cinemas para desfrutar das mais de duas horas de pura nostalgia. "Michael" é um longa que irá dividir opiniões, mas acerta em cheio no coração dos fãs do eterno Rei do Pop.


 Faça parte:

 


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.co m/ccpa1948

twitter: @ccpa1948