quarta-feira, 22 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Mãe e Filho'

 Nota: O filme estreia dia 30 de Abril

Sinopse: Acompanhamos uma enfermeira viúva enfrentando conflitos familiares e dilemas emocionais após um acidente marcante.

Com a guerra contra o Irã, fica difícil prever qual será o futuro do cinema local, ou se veremos outros longas-metragens que tenham tanto a dizer sobre o país. Até lá, é necessário aproveitar ao máximo as obras produzidas sob restrições de um governo, por vezes, totalitário, mas cujos realizadores sabem transmitir mensagens poderosas nas entrelinhas. "Mãe e Filho" (2025) é um desses casos: um filme que diz muito sobre sua nação, mesmo sob o olhar onipresente da censura.

Sob a direção de Saeed Roustaee, acompanhamos uma enfermeira viúva em meio a conflitos familiares e dilemas emocionais. Ela está prestes a se casar com um colega de trabalho, mas teme contar a verdade aos filhos. No entanto, o desenrolar dos fatos traz acontecimentos terríveis e revelações surpreendentes.

Roustaee nos conduz por uma trama em que os olhares dos personagens comunicam muito mais do que meras ações. Inicialmente, o movimento parte principalmente do filho da protagonista — um jovem rebelde diante de uma realidade repleta de regras que, contudo, não conseguem conter seu ímpeto destrutivo. A mãe, por sua vez, tenta contornar a situação; para isso, omite certas verdades que acabam se acumulando até transbordar.

Parinaz Izadyar entrega uma interpretação magistral, dando vida a uma personagem que se "descasca" gradualmente, revelando alguém que vai muito além do que o entorno imagina. Sua figura é uma representação da força de vontade das mulheres iranianas contemporâneas, que não se deixam intimidar pelo autoritarismo, mesmo quando a justiça opta pela cegueira em vez da verdade. Nesse aspecto, o filme expõe uma justiça viciada por leis que tendem a ser sistematicamente menos severas com os homens.

O filme aborda a união feminina perante uma realidade patriarcal, mesmo quando algumas sucumbem por acreditarem não haver alternativa. A protagonista encarna a mulher que "cai atirando": pode ser rotulada como louca, mas não se calará até obter justiça. Se em "Dez" (2002), do mestre Abbas Kiarostami, esse sentimento já era pressentido, aqui Roustaee nos diz que sempre haverá um meio de sobrevivência. Mesmo que o papel da mulher seja colocado em xeque, ela acaba surpreendendo a todos — e a si mesma — por sua resiliência.

"Mãe e Filho" é o retrato contundente da mulher iraniana que, apesar das limitações impostas pelo patriarcado, luta contra um olhar conservador e injusto.



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Cine Dica: Cinesemana de 23 a 29 de abril de 2026

A última cinesemana de abril traz uma novidade muito aguardada pelo público cinéfilo: a reestreia de BETTY BLUE, drama erótico francês que volta aos cinemas em versão restaurada para comemorar seus 40 anos de lançamento. A outra estreia é CASO 137, filme que rendeu a Léa Drucker o prêmio César de melhor atriz. Também teremos duas sessões de pré-estreia na nossa programação da semana. Uma delas é A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes, junto com NINO DE SEXTA A SEGUNDA, sobre a jornada de um jovem diante da notícia de uma doença terminal.

Seguem em cartaz filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, com destaque para PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus. Em última semana, o público pode conferir A CRONOLOGIA DA ÁGUA, com a atriz Imogen Poots dando vida às memórias da escritora Lidia Yuknavitch, e CINCO TIPOS DE MEDO, grande vencedor do Festival de Gramado em 2025.

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui. 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Cine Dica: Premiado em Cannes, “O Riso e a Faca” tem sessões de pré-estreia dias 28 e 29 de abril no CineBancários


Depois de ser premiado no Festival de Cannes e terminar em 5º lugar na lista da Cahiers du Cinéma de melhores filmes do ano passado, O RISO E A FACA ganha duas sessões de pré-estreia no CineBancários, nos dias 28 e 29 de abril, às 18h. O longa-metragem estreia dia 30 de abril, às 18h30. Lançado pela Vitrine Filmes, a coprodução entre Portugal, França, Romênia e Brasil reúne diversos profissionais brasileiros na equipe.

O novo filme do português Pedro Pinho lança um olhar sobre a complexa relação entre Europa e África, marcada por invasões territoriais e dominação econômica. Pinho mostra que, hoje, essa história ganhou gestos, tons e formatos diferentes.

O longa é inspirado na letra da música de mesmo título composta pelo baiano Tom Zé. Na trama, acompanhamos Sergio, engenheiro português enviado por uma ONG a uma metrópole africana. Sua missão é fazer um estudo sobre o impacto ambiental da construção de uma estrada. Lá, ele se envolve com dois moradores locais, Diára e Gui. O trio é vivido por Sergio Coragem, conhecido por filmes como Verão Danado e Fogo-Fátuo; Cleo Diára, que venceu o prêmio de Melhor Atriz na mostra Un Certain Regard, em Cannes, por este filme; e Jonathan Guilherme, brasileiro que estreia no cinema.

Pinho diz que o filme parte “da ideia central da relação entre o poder e os corpos dos ‘outros’” e afirma que o longa “mergulha no calor sufocante, nos escritórios climatizados das ONGs, nos jipes brancos, nas ruas empoeiradas, nas buzinas dos carros e nas festas glamourosas — todos, símbolos da presença da comunidade expatriada num cenário de capitalismo pós-colonial”. Segundo ele, “no coração do filme está o eterno ‘encontro’ entre a Europa e África, em contraste com uma batalha furtiva por um devir queer, que se desenha nas discotecas e nas ruas de uma cidade da África Ocidental”.


O DIRETOR

Pedro Pinho nasceu em Lisboa e viveu em Paris, Barcelona, Maputo (Moçambique) e Mindelo (Cabo Verde). Em 2009, fundou, com outros cinco cineastas, a produtora Terratreme. O seu primeiro documentário, Bab Sebta (co-realizado com Frederico Lobo), estreou no FIDMarseille em 2008, onde ganhou o Prêmio Espérance de Marselha.

O média-metragem de ficção Um Fim do Mundo participou da seção Generation, da Berlinale, em 2013. Em 2014, o documentário As Cidades e as Trocas (co-realizado com Luísa Homem) estreou no FIDMarseille e no Art of the Real no Lincoln Center, em Nova York. Em 2017, sua estreia em longas-metragens de ficção, A Fábrica de Nada, estreou na Quinzena de Cineastas de Cannes, onde ganhou o Prêmio FIPRESCI da Crítica Internacional e recebeu outros 20 prêmios em festivais em todo o mundo. O filme recebeu ainda dois prêmios Sophia, o Oscar do cinema português e foi lançado comercialmente em países da Europa, Ásia e América Latina, entre eles o Brasil.


FILMOGRAFIA

2025 – O Riso e a Faca (longa)

2017 - A Fábrica de Nada (longa)

2017 - Cidade (série de TV)

2014 - As Cidades e As Trocas (longa), co-dirigido com Luísa Homem

2013 - Um Fim do Mundo (média)

2008 - Bab Sebta (longa), co-dirigido com Frederico Lobo

2008 - Zone d’Attente #00 (curta), co-dirigido com Frederico Lobo e Luísa Homem

2005 - No Ínicio (curta)

2004 - Perto (curta)

Assista aqui ao trailer de O Riso e a Faca 


SESSÕES DE PRÉ-ESTREIA


28 e 29 de Abril – 18h

ESTREIA

30 de abril a 06 de maio – 18h30


O RISO E A FACA

Portugal / Brasil / Romênia / França/2025/212 min

Direção: Pedro Pinho

Sinopse: Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.


Elenco:

Sérgio Coragem | Sérgio

Cleo Diára | Diára

Jonathan Guilherme | Gui

Renato Sztutman | ele mesmo

Jorge Biague | Borjan

Nástio Mosquito | Horatio

Bruno Zhu

Kody McCree

Everton Dalman


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate – "O Último Gigante"

Sobre o Filme: A reconciliação entre pais e filhos não é um tema novo na história do cinema, mas continua gerando longas que levantam debates profundos sobre até onde se pode perdoar um passado cujas cicatrizes emocionais ainda não fecharam. Saber ouvir é, muitas vezes, uma questão de tempo — mesmo quando a raiva ofusca o olhar que deveria acolher a versão do outro. "O Último Gigante" (2025) não é apenas sobre o reencontro familiar, mas também sobre a busca por uma redenção quase sempre inalcançável.

Dirigido por Marcos Carnevale, o filme narra a história de Boris (Matías Mayer), um guia turístico em Puerto Iguazú que vê sua vida virar de cabeça para baixo com o aparecimento inesperado de Julián (Oscar Martínez), o pai que o abandonou na infância. Aos 28 anos, Boris terá que lidar com o retorno de um homem que deseja, tardiamente, reconquistar o tempo perdido.

Carnevale construiu uma carreira transitando habilmente entre o humor e o drama. Aqui não é diferente: ele conduz um roteiro em que os personagens lidam com situações delicadas por meio de pinceladas de um humor refinado, prendendo a atenção do espectador do início ao fim. O encontro dos protagonistas já nos dá a dimensão do conflito, mas é nessa transição orgânica de gêneros que o filme ganha fôlego.

O veterano Oscar Martínez brilha ao interpretar um homem no limiar do fim, buscando forças para encarar os próprios erros e obter um perdão ainda não conquistado. Já Matías Mayer constrói um personagem que, inicialmente, não sabe processar seus sentimentos, usando a raiva para expressar uma dor guardada por anos. O embate verbal entre os dois rende momentos de tensão que, aos poucos, dão lugar à razão, facilitando a identificação do público com suas trajetórias.

Além disso, o longa toca em um assunto espinhoso e recorrente no cinema: a eutanásia. Curiosamente, esse ponto acaba ficando em segundo plano. Isso ocorre não apenas porque o foco primordial recai na reconciliação, mas também porque o tema já foi exaustivamente debatido em títulos anteriores. Embora a iniciativa seja válida, o filme talvez chegue um pouco tarde a uma discussão que já possui marcos cinematográficos muito consolidados.

Ao final, as questões levantadas são sanadas, permitindo que cada personagem siga sua própria jornada. "O Último Gigante" pode não mudar a vida do espectador, mas é um título que se destaca pelo lado humano e reflexivo. É, em última análise, um filme sobre a busca pela redenção enquanto ainda resta tempo.


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domingo, 19 de abril de 2026

Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres - 'Minhas Tardes com Margueritte'

 "Minhas Tardes com Margueritte", um hino à amizade e à leitura, na próxima sessão do Cineclube Torres, segunda-feira, dia 20, às 20h, 

O filme francês integra o ciclo dedicado à leitura na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo sempre com entrada franca. Minhas Tardes com Margueritte é um filme francês de 2010 dirigido por Jean Becker, baseado num livro homônimo, sobre a magia da leitura. Germain, um homem solitário e com pouca instrução que trabalha com serviços gerais, cria um laço especial com uma mulher muito mais velha e culta, descobrindo uma nova forma de conexão e aprendizado.

Quem gosta de livros e filmes, não pode perder “Minhas Tardes com Margueritte”: nas palavras dodiretor Jean Becker, que é filho de cineasta e iniciou sua carreira como assistente do pai “É uma coisa que eu aprendi com meu pai. A cultura e o cinema podem tornar nossas vidas melhores.”A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.

Apoio cultural Livraria Superlivros

Serviço:

O que: Exibição do filme "Minhas Tardes com Margueritte" (2010) de Jean Becker - França

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 20/4, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).


Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Cléo das 5 às 7'

Nota: Filme exibido para os associados no dia 02/04/26

Quando François Truffaut lançou seu clássico "Os Incompreendidos" (1959), reuniram-se ali todos os ingredientes do que viria a ser a Nouvelle Vague. Com a câmera na mão, o realizador criou cenas maravilhosas das ruas de Paris — um feito raro em um período no qual a maioria dos filmes era feita em estúdios, quase nunca revelando o lado mais realista do mundo. "Cléo das 5 às 7" (1962) talvez seja uma das melhores sínteses desse período e um dos melhores trabalhos da diretora Agnès Varda.

Na trama, Cléo (Corinne Marchand) é uma cantora francesa que vive um momento de angústia enquanto espera o resultado de um exame. O teste pode apontar se ela tem ou não câncer de estômago. Sem saber o que fazer, Cléo perambula pela cidade de Paris. No decorrer desse tempo, ela observa e conversa com as pessoas que cruzam seu caminho.

Confesso que só fui conhecer Agnès Varda a partir de "Visages, Villages" (2017), documentário que revela seu talento e que foi o suficiente para me fazer buscar seus outros títulos. No caso dos tempos de Nouvelle Vague, talvez tenha sido ela quem melhor compreendeu a proposta principal de seus colegas: ter uma ideia na mente, uma câmera na mão e ocupar as ruas para realizar um feito mais cru, mas não menos magistral. A jornada de angústia da protagonista torna-se um artifício de roteiro para que a realizadora possa exercer sua liberdade criativa.

Já na abertura, por exemplo, vemos um jogo de cena protagonizado por mãos e cartas, para logo em seguida testemunharmos diversos espelhos espalhados pelos lugares onde a protagonista caminha. Esse recurso serve para obtermos uma perspectiva do mundo em que ela vive — onde há muito a oferecer, mas cujas possibilidades se tornam nubladas pelo medo inicial. Há, por exemplo, um momento em uma cafeteria onde ocorre um conflito entre um casal e a câmera dá atenção à moça, que se encontra extremamente sozinha.

Se por um momento achamos que a protagonista irá ajudá-la, logo ela dá as costas para continuar caminhando sem rumo. É neste ponto também que ocorre o delicioso encontro entre a ficção e o lado documental de Varda; sua câmera torna-se uma representação do olhar da protagonista, dando-nos a dimensão de como ela enxerga o mundo em meio ao temor pela vida. Nota-se que a câmera caminha entre as pessoas, que olham com espanto em alguns momentos, dando a entender que não foram avisadas da filmagem, o que confere um peso maior ao realismo.

Isso se casa com a presença de Corinne Marchand. Ao atravessar as ruas, nota-se o olhar curioso do público — principalmente o masculino — devido à sua beleza marcante. Marchand é um caso raro em que talento e beleza se cruzam; ela surpreende tanto na atuação quanto na voz, tornando seus momentos de canto um dos pontos altos do longa. Ao mesmo tempo, ela mantém uma inocência que contrasta com o surgimento de sua amiga, interpretada por Dorothée Blank.

É neste encontro que surge uma bela homenagem ao cinema mudo, mais precisamente quando ambas vão assistir a um curta-metragem na cabine de projeção. O curta é estrelado por ninguém menos que Jean-Luc Godard e Anna Karina. Curiosamente, esse trecho me fez lembrar do clássico "Um Cão Andaluz" (1929), de Luis Buñuel, já que a trama flerta com o non-sense.

Graças a esse filme, não me surpreende que a obra de Varda tenha servido de inspiração para outros realizadores. Richard Linklater, por exemplo, criou sua trilogia iniciada com "Antes do Amanhecer" (1995), onde o casal central conversa sobre a vida em planos-sequência surpreendentes. Ao conhecer "Cléo das 5 às 7", percebo de onde ele bebeu sua inspiração. Linklater, inclusive, lançou recentemente "Nouvelle Vague" (2025), filme que não apenas homenageia a criação de "Acossado" (1960), mas o movimento como um todo.

No final das contas, é um filme sobre saborear a vida, pois nunca sabemos o dia de amanhã. Quando a protagonista começa a dialogar com um soldado (Antoine Bourseiller), prestes a embarcar para uma guerra que pode lhe tirar a vida, ela percebe que cada minuto é precioso e que a interação com o próximo pode mudar sua perspectiva. O final em aberto nos faz manter o filme na mente e desejar que ele não tivesse acabado tão cedo.

"Cléo das 5 às 7" é o longa que melhor representou a ideia primordial da Nouvelle Vague, um grande feito que somente Agnès Varda poderia ter colocado em prática dessa maneira.



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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Cine Dica: Clube de Cinema de Porto Alegre: "Amores Expressos" (18/04) na Cinemateca Paulo Amorim

Neste sábado, dia 18 de abril, às 10h15 da manhã, nos reunimos na Cinemateca Paulo Amorim para a exibição de Amores Expressos, de Wong Kar-wai. Também responsável pelos belíssimos Amor à Flor da Pele e Anjos Caídos, o cineasta constrói um cinema marcado por narrativas fragmentadas, música atmosférica e uma fotografia de cores intensas e saturadas. Em Amores Expressos, não é diferente: ambientado em Hong Kong, o filme acompanha duas histórias de amor desencontradas, atravessadas pela solidão, pelo acaso e pelo ritmo vertiginoso da vida urbana. Policiais melancólicos, encontros improváveis e personagens à deriva, aqui Wong Kar-wai compõe um retrato fragmentado das relações na modernidade, embalado ao som de The Mamas & the Papas. Inesquecível!


Confira os detalhes:


SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 18/04, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


Amores Expressos (Chung Hing sam lam)

Hong Kong, 1994, 102 min, 12 anos

Direção: Wong Kar-wai

Elenco: Takeshi Kaneshiro, Tony Leung Chiu-wai, Faye Wong, Brigitte Lin


Sinopse: Todos os dias, o policial 223 compra uma lata de abacaxi em conserva com a mesma data de validade: 1º de maio. A data simboliza o dia em que ele superará seu amor perdido. Ele também está de olho em uma mulher misteriosa de peruca loira, sem saber que ela é traficante. O policial 663 está devastado pela tristeza causada por um término. Quando sua ex-namorada deixa cair um molho extra de suas chaves em um café local, uma garçonete entra em seu apartamento e dá um toque especial à sua vida.



Esperamos vocês para mais uma grande sessão.

Até sábado!

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (16/04/26)

 RIO DE SANGUE

Sinopse: Na trama, Patrícia Trindade é afastada da polícia após comandar uma operação fracassada. Sem emprego e em busca de segurança, ela resolve deixar São Paulo e passa a morar em Santarém do Pará.


MALDIÇÃO DA MÚMIA

Sinopse: A jovem filha de um jornalista desaparece no deserto sem deixar rastros. Oito anos depois, a dilacerada família fica chocada quando ela retorna para casa, e o que deveria ser um reencontro feliz se transforma em um pesadelo vivo.


O ADVOGADO DE DEUS

Sinopse: Um drama cheio de suspense, romance e aquele olhar espiritual e sobrenatural é o gênero da história de O Advogado de Deus.

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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Um Cabra Bom de Bola'

Sinopse: Zeca Brito (ou Will/Cam em algumas versões), um pequeno bode com grandes sonhos no "berrobol", um esporte intenso dominado por animais fortes.

O cineasta Tyree Dillihay parece confiar tanto na estética de animação com toques de CGI, animação 2D e influências de anime, quanto no seu roteiro, e não força a barra para encher a projeção com momentos desnecessários. "Um Cabra Bom de Bola" (2025) é divertido e tem várias gags medianas, capazes de agradar tanto os pequenos quanto os mais velhos. Mas o ponto principal é que Zeca é um protagonista doce e sincero, e é particularmente bom ver um longa-metragem onde um jovem admira abertamente uma estrela feminina. As mensagens são boas e a película fala sobre a importância do elenco em equipe e de acreditar em si mesmo, ainda que explore muito os dispositivos de celulares, curtidas online e viralização, o que pode ser um pouco cansativo, ainda mais quando nos utilizamos da sala escura para fugir um pouco desses vícios modernos.

"Um Cabra Bom de Bola entrega" uma produção carismática, visualmente inventiva e com uma trama honesta sobre pertencimento, persistência e colaboração em equipe. Mesmo sem reinventar o clássico clichê do azarão, a fita se destaca pelo cuidado com seus papéis, pela mistura criativa de estilos de animação e pela sensibilidade ao retratar um personagem que vence mais pela empatia do que pela força. Apesar do uso excessivo de referências à viralização e às redes sociais, o que pode soar repetitivo, o título encontra equilíbrio ao apostar no coração da narrativa: a alma de uma trupe e o poder de acreditar em si mesmo. No fim das contas, é uma exibição divertida, calorosa e inspiradora, capaz de agradar crianças e adultos, e que deixa uma moral positiva.


Onde Assistir: Prime Vídeo 

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Cine Dica: Cinesemana de 16 a 22 de abril de 2026

A cinesemana de 16 a 22 de abril destaca a estreia de O ESTRANGEIRO, novo filme do diretor francês François Ozon e que traz uma adaptação do cultuado romance de Albert Camus. A semana também dá sequência à programação do Fantaspoa, o festival dedicado ao gênero fantástico e que traz dezenas de filmes inéditos de cinematografias do mundo todo.

Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicando aqui. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'A Graça'

Sinopse: Um presidente italiano viúvo enfrenta crises morais sobre a legislação da eutanásia e o indulto a assassinos, enquanto lida com a infidelidade da falecida esposa em seus últimos meses de mandato.

Quando "A Grande Beleza" (2013) levou o Oscar de Melhor Filme Internacional, muitos começaram a apontar o diretor italiano Paolo Sorrentino como um novo Federico Fellini. Embora, em um primeiro momento, a comparação soe exagerada, por outro lado, é preciso reconhecer que o realizador constrói tramas reflexivas e alinhadas com a cultura pop contemporânea. "A Graça" (2025) é um caso curioso em que a seriedade da história transita entre pitadas de humor que surgem na surdina.

Na trama, acompanhamos os últimos dias do presidente italiano Mariano De Santis (Toni Servillo). Viúvo e católico, ele tem uma filha chamada Dorotea, que trabalha como orientadora para o pai. No decorrer do tempo, o presidente precisa decidir sobre dois indultos, ao mesmo tempo em que tem de enfrentar as dores do passado.

Paolo Sorrentino segue a mesma cartilha que havia sido usada no seu grande sucesso, A Grande Beleza. Se naquele filme víamos o protagonista sendo apresentado em um número musical, aqui o personagem nos é revelado através de músicas que não parecem condizer com a sua personalidade, mas que atraem o olhar curioso de quem assiste. Além disso, é surpreendente o que o realizador faz com a câmera quando o assunto é o uso do slow motion.

Se Zack Snyder usou esse artifício até saturá-lo nos filmes de super-heróis, aqui Sorrentino procura usá-lo nos momentos mais banais, mas que, ao mesmo tempo, têm algo a dizer. Na cena, por exemplo, em que o protagonista aguarda a chegada de um grande aliado, nota-se cada detalhe deste último sendo apresentado, mas sendo sucumbido por uma tempestade repentina, onde vemos cada gota de água cair sobre ele. Se, por um lado, isso pode parecer gratuito, por outro, há de se analisar que possa ser uma representação do olhar daqueles que testemunham aquele momento, gerando certa aflição, para dizer o mínimo.

Apesar de a visão autoral do diretor chamar bastante atenção, é preciso reconhecer que o filme é carregado nas costas pelo ator Toni Servillo. "Queridinho" do cineasta em sete de suas obras, o ator constrói um político que busca a lógica ao lado do viés emocional e conservador que molda o seu governo, tendo que analisar com cuidado as suas decisões ao longo do percurso. Ao mesmo tempo, o seu conflito ao não saber quem foi o amante de sua falecida esposa gera momentos tanto tensos quanto de um humor refinado, algo raro de se ver hoje em dia.

Curiosamente, talvez esse seja o ponto em que o filme vá dividir a opinião do público, principalmente daqueles que apontam que o longa teria sido feito para agradar a todos a todo custo. Ao meu ver, o filme toca em assuntos espinhosos quando o tema é política, mas, ao mesmo tempo, faz um convite para acompanharmos um protagonista digno de nota, cujo maior inimigo é ele mesmo, enquanto se sente assombrado pelas dores vindas do passado. Quando ele esboça um único sorriso durante o filme todo, é então que nos damos conta de que a sua redenção finalmente foi obtida.

"A Graça" é um filme elegante, dramático e bem-humorado de Paolo Sorrentino, mesmo não sendo o "novo Federico Fellini", como muitos dizem.


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Cine Dica: Newsletter FANTASPOA de 16 a 22 de abril de 2026

 Segunda semana de Fantaspoa na Cinemateca Capitólio tem como destaque o já tradicional Madrugadão

Depois de uma primeira semana bastante movimentada, com a presença de convidados de diferentes países e um público de mais de 1.500 espectadores, a partir de quinta-feira, 16 de abril, a Cinemateca Capitólio entra na segunda semana de programação da 22ª edição do Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre – FANTASPOA, um dos eventos mais importantes do gênero na América Latina.

Realizado anualmente em Porto Alegre desde 2005, o Fantaspoa consolidou-se como o maior festival da região dedicado exclusivamente ao cinema fantástico, reunindo produções de fantasia, ficção científica, horror e thriller. Nesta 22ª edição, que ocorre entre 8 a 26 de abril de 2026 em diversos espaços culturais da cidade, o festival apresenta uma programação robusta com 210 filmes, entre curtas e longas-metragens, a grande maioria inédita no Brasil.

Nesta segunda semana, o público poderá acompanhar uma intensa agenda com cinco sessões diárias, e no sábado, 18 de abril, a atração é o sempre muito aguardado Madrugadão Fantaspoa, com uma maratona de quatro filmes, com início às 23h.

Confira a programação completa no site oficial clicando aqui. 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema e Fantaspoa – 'Virtuosas'

Sinopse: Acompanha um retiro VIP para mulheres cristãs em busca da "melhor versão" de sua feminilidade. Liderado pela coach Virgínia (Bruna Linzmeyer), o grupo mergulha em um cenário de controle e isolamento, onde a busca pela perfeição se torna uma perigosa descida à loucura.

Em tempos atuais, nos quais os assuntos sobre política e religião estão cada vez mais acalorados em território brasileiro, é sempre interessante ver o cinema nacional explorar esses temas. Ao mesmo tempo, assim como ocorre em outros países, o nosso cinema tem explorado cada vez mais o horror psicológico em detrimento do tradicional, pois o mundo real parece estar se tornando mais assustador do que qualquer ficção. "Virtuosas" (2025) é aquele caso de filme pequeno em escopo, porém grande em impacto, que retrata uma história situada em um único cenário, mas que sintetiza o que o país está vivendo.

Dirigido por Cíntia Domit Bittar, a trama acompanha um grupo de mulheres cristãs selecionadas por sorteio para participarem de uma imersão exclusiva com o objetivo de "aumentar a feminilidade", explorando a ótica das coaches de comportamento. O que algumas não sabem é que esse isolamento se transformará em um verdadeiro inferno.

Nesta era em que a Geração Z cria influenciadores virtuais a todo momento, é curioso notar como isso se tornou banal; há um surgimento constante desse tipo de celebridade, embora muitas sejam esquecidas rapidamente. Ao fazer um retrato dessa mania atual, Cíntia Domit Bittar nos revela o lado falso e hipócrita desse universo, principalmente vindo daqueles que pregam "bons costumes" através de passagens bíblicas usadas como mera cortina de fumaça. Qualquer semelhança com a nossa realidade pré-eleições não é mera coincidência.

Com um orçamento enxuto, a diretora usa a criatividade para transmitir uma sensação claustrofóbica através do cenário principal, que aos poucos se revela um ambiente estranho. Com a câmera sempre em movimento, vemos quase sempre algo acontecendo em primeiro plano, enquanto detalhes ao fundo nos deixam apreensivos — algo semelhante ao que foi visto no já clássico "Hereditário"(2018), guardadas as devidas proporções.

Verdade seja dita, a câmera torna-se uma extensão do nosso olhar, adentrando aquele ambiente e fazendo-nos sentir impotentes perante os eventos orquestrados pela personagem Virgínia. Ela usa seu talento de persuasão para manipular o grupo de acordo com seus desejos. Bruna Linzmeyer nos brinda com uma atuação assombrosa; seu olhar de controle e fúria contida sintetiza um ser ambicioso que instrumentaliza a religião em benefício próprio.

Transitando entre crendices e lógica, o filme é um retrato de uma parcela de um Brasil "zumbificado", seja pela palavra de falsos profetas, de líderes políticos ou de influenciadores que se dizem detentores da verdade. Por conta disso, o longa termina de forma abrupta, deixando-nos a refletir sobre as consequências do descontrole no ato final. Ao meu ver, o final em aberto nada mais é do que o reflexo de um Brasil cujo futuro se encontra indefinido neste momento.

"Virtuosas" é um horror psicológico fictício, mas não muito distante do cenário atual brasileiro.


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Cine Dica: Sala Redenção participa do 22º Fantaspoa



Até dia 24 de abril, o cinema da UFRGS recebe parte da programação do 22º Fantaspoa, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, um dos eventos mais importantes do gênero na América Latina. São três sessões diárias de curtas-metragens, a maioria inédita no Brasil. A exibição desta segunda-feira, dia 13, às 19h, é seguida de conversa com representantes dos filmes apresentados. A entrada é franca, sem retirada de ingressos.

Confira a programação completa no site oficial clicando aqui.  

domingo, 12 de abril de 2026

Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres - "Livros Restantes"

 O próximo filme do ciclo Ler do Cineclube Torres é o brasileiro "Livros Restantes" de Márcia Paraiso, na segunda-feira, dia 13, às 20h

O ciclo do mês dedicado à leitura continua na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo sempre com entrada franca. Ana Catarina, professora de literatura, está de mudança para Portugal. Ela consegue doar quase todos os seus livros, menos cinco, os mais especiais, com dedicatórias, cheiros e marcas, que ela decide devolvê-los para quem a presenteou. É mais um delicado filme da carioca, mas catarinense de adoção, Márcia Paraiso, que após anos de documentários de caráter etnográfico, abordando questões sociais, ambientais e culturais, desde 2017 se dedica, com sucesso de critica, à ficção.

"O filme dá vontade de ler. Dá vontade de revisitar os livros que foram importantes na nossa vida e lembrar das pessoas que estavam por trás deles, do momento em que os lemos. Os livros são um pano de fundo da nossa existência" (Denise Fraga, que interpreta a protagonista do filme). A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, contando para isso com a parceria e o patrocínio da Up Idiomas Torres. Entrada franca até a lotação do espaço.

O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.

Apoio cultural, Livraria Superlivros!


Serviço:

O que: Exibição do filme "Livros Restantes" (2025) de Márcia Paraiso - Brasil

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 13/4, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).


Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur


CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Cine Especial: Revisitando 'BER-HUR'

Ao longo dos seus mais de cem anos de existência o cinema sempre foi ameaçado de extinção antes mesmo do advento da tv nos lares da população. Charles Chaplin certa vez disse que quando o cinema começou a ter som uma parte significativa havia sido morta e dando um passo adiante para que essa arte fosse extinta. A evolução tecnológica pode até trazer algum benefício, mas talvez nem tudo seja flores quando a magia se encontrava no que já estava perfeito.

Com o surgimento da tv foi então que o cinema corria risco real, principalmente no início dos anos cinquenta onde os principais estúdios viam o futuro como algo nebuloso. Coube então alguns avanços para atrair a grande massa de volta às salas, como no caso do surgimento do CinemaScope que foi um revolucionário processo de filmagem anamórfica criado pela 20th Century Fox em 1953 e que expandiu a tela do cinema até então de uma forma inédita. Foi graças ao épico "O Manto Sagrado" (1953) que essa nova tecnologia surpreendeu o público e provou que grandes espetáculos visuais não poderiam ser apreciados em sua total magnitude em uma caixa pequena dentro de casa.

Vale salientar que foi graças aos épicos romanos dos anos cinquenta que o cinema obteve novo sangue para atrair as pessoas de volta às salas. Em 1956  a Paramount lançou o magistral "Os Dez Mandamentos", sendo considerado a versão definitiva sobre a história de Moisés e se tornando a última e grande obra do diretor e produtor  Cecil B. DeMille. Porém, o melhor e mais arriscado projeto estava ainda por vir.

Baseado na obra de Lew Wallace, o livro "Ben-Hur" de 1880 já havia sido adaptado para o cinema no ano de 1925 pelo diretor  Fred Niblo e se tornando um verdadeiro clássico para a época. A ideia de levar o conto novamente as telas acontecia desde o início da década de cinquenta, principalmente pelo fato que o gênero épico estava fazendo um enorme sucesso a partir de títulos como "Quo Vadis?". Porém, o projeto não era somente uma forma para obter sucesso, como também a última cartada do estúdio MGM.

Na época, o estúdio do leão estava quase decretando falência e por conta disso apostou todas as suas fichas nesse épico que poderia dar muito certo, ou muito errado. Coube ao diretor  William Wyler comandar a empreitada, sendo que o mesmo já havia sido o responsável por grandes clássicos como "Morro dos Ventos Uivantes" (1939) e "Os Melhores Anos de Nossas Vidas" (1946). Com um orçamento de R$ 15 milhões, sendo astronômico para aquele periodo, o épico foi rodado nos estúdios da Cinecittà, em Roma, Itália, sendo que as  filmagens também incluíram locações em Arcinazzo, perto de Roma, e cenas de batalha naval em tanques do estúdio, com algumas miniaturas feitas em Culver City, EUA.

Para o papel principal os realizadores acertaram em cheio ao escolher Charlton Heston, sendo que na época já era apontado como favorito para estrelar filmes épicos como o já citado "Os Dez Mandamentos". Com uma presença forte, o intérprete carrega o filme nas costas em cenas impactantes, seja nos elementos dramáticos envolvendo a sua família, como também nas cenas de ação que exigiu o seu porte físico. Não é à toa que o astro viria a ganhar o seu único Oscar por esse papel.

Em contrapartida, Stephen Boyd foi outra escolha perfeita para a produção, ao interpretar o líder Romano Messala, que trai Ben-Hur e condena a prisão perpétua ele e a sua família. O intérprete constrói para si um vilão de diversas camadas a serem analisadas, principalmente pelo fato do intérprete construir uma aura ambígua com relação aos reais sentimentos de Messala a Ben-Hur, sendo que originalmente ambos teriam um caso homosexual, mas que para os padrões conservadores da época seria algo impossível de ocorrer. Porém, graças a sua atuação sugestiva, isso acabou sendo perceptível para o cinéfilo de olhar mais atento da época.

Há de se destacar outros intérpretes da produção como Jack Hawkins, Haya Harareet, Martha Scott, Cathy O'Donnell e Hugh Griffith. Esse último, por sua vez, interpreta Inderius, dono dos cavalos de corrida que Ben-Hur usaria na corrida de bigas. Com uma expressão forte e presença marcante, o intérprete teve poucos momentos em cena, mas sendo o suficiente para conquistar o público e conquistar o seu merecido prêmio de ator coadjuvante no Oscar. O seu personagem por sua vez é peça principal para que Ben-Hur possa participar de um dos momentos mais marcantes do filme como um todo.

A famosa corrida de bigas levou cerca de cinco semanas para ser filmada, com as filmagens distribuídas ao longo de três meses. A sequência épica, realizada nos Cinecittà Studios em Roma, envolveu milhares de figurantes e mais de 320 km de corrida acumulada. A cena custou US$ 1 milhão e utilizou mais de 70 cavalos e a  equipe de segunda unidade, liderada por Yakima Canutt e Marton, foi a principal responsável por treinar os cavalos e filmar a sequência.

Tudo isso culminando em 11 minutos de pura tensão e adrenalina pura, onde vemos realmente cavalos correndo com toda a sua grandeza e os intérpretes principais quase não sendo substituídos por dublês. O resultado é de um realismo até então jamais visto, onde Charlton Heston quase morreu em uma queda, sendo que muitos cavalos também se machucaram seriamente, mas tudo foi mantido para ser levado às telas do cinema. O resultado não é só um dos melhores como a melhor cena de ação de todos os tempos.

Contudo, o filme é pertencente a uma época em que a igreja tinha um papel fortíssimo em meio a sociedade e isso é sentido quando assistimos aos títulos da época. Os épicos bíblicos surgiram através desta  tendências e "Ben-Hur" vem carregado de mensagens de fé, principalmente pelo fato de Jesus Cristo ter um papel crucial dentro da trama. Vale destacar que o ator Claude Heater que interpreta o Messias aparece quase sempre de costas, pois o diretor William Wyler decidiu que seria mais poderoso mostrar a reação das pessoas ao olhar para Jesus do que mostrar o rosto de um ator.

Lançado em 18 de novembro de 1959 nos Estados Unidos, "Ben-Hur" acabou se tornando um verdadeiro sucesso de bilheteria, arrecadando cerca de US$ 74 milhões de dólares e salvando a MGM da falência. O filme também foi colecionando diversos prêmios na carreira e ao chegar na cerimônia do Oscar acabou levando 11 estatuetas, incluindo melhor filme e melhor diretor e se tornando um recordista para a época. Feito somente repetido vários anos depois a partir de títulos como "Titanic" (1997) e "O Senhor Dos Anéis - O Retorno do Rei" (2003), sendo que ambos obtiveram também 11 Oscars no total.

Revisitando o filme atualmente no cinema percebo que é um tipo de superprodução que quase não se faz hoje em dia, já que os estúdios se encontram presos por demais pelo CGI e limitando um maior realismo em cena. Contudo, após sucessos como "Top Gun: Maverick" (2023) percebo que o  grande público tem um interesse maior pelo realismo, onde se sente o peso das cenas e fazendo com que a gente se sinta dentro da história. O clássico de 1959 foi isso e muito mais e por isso merece ser conferido em uma grande tela.

"BEN-HUR" é sem sombra de dúvida um dos maiores épicos da história do cinema, ao nos brindar com a melhor cena de ação da história e que nenhum filme atual consegue superar em hipótese alguma.  


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