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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Cine Especial: Cinema Independente Brasileiro Hoje: Parte 2

Nos dias 08 e 09 de Julho eu irei participar do curso Cinema Independente Brasileiro Hoje, criado pelo Cine Um e ministrado pelo crítico de cinema do jornal Zero Hora Daniel Feix. Enquanto o final de semana da atividade não chega por aqui eu irei relembrar de alguns filmes do cinema brasileiro independente que eu assisti nesses últimos dez anos.     

Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009)

 

Sinopse: José Renato (Irandhir Santos) tem 35 anos, é geólogo e foi enviado para realizar uma pesquisa, onde terá que atravessar todo o sertão nordestino. Sua missão é avaliar o possível percurso de um canal que será feito, desviando as águas do único rio caudaloso da região. À medida que a viagem ocorre ele percebe que possui muitas coisas em comum com os lugares por onde passa. Desde o vazio à sensação de abandono, até o isolamento, o que torna a viagem cada vez mais difícil.


Nas mãos de Karim Ainouz e Marcelo Gomes, o conhecido gênero road movie, que dele nasceram obras como Sem Destino,  é reinventado por um protagonista nunca visto, mas que fica narrando sempre a sua cruzada de auto descobrimento. O filme levou uma década para ser finalizado, sendo que as imagens começaram a ser criadas antes mesmo da criação dos filmes de cada um dos cineastas (de Karim e Marcelo). Reunidas numa caixa cheia de imagens captadas, elas foram montadas e remontadas inúmeras vezes, mas que aos poucos foi nascendo algo completamente diferente do que se previa anteriormente.
Numa verdadeira experiência de montagem e roteiro, Karen Harley fez um trabalho de gênio na montagem, reunindo na época registros em super-8, 16 mm e digital numa concisão narrativa que emociona embalada pela trilha sonora de Chambaril e a voz do personagem principal que, apesar de nunca ser visto, está presente o tempo todo. Ao final da trama, o objetivo da viagem é sobrepujado pela força da travessia. Travessia apresentada em exuberantes e delicadas imagens captadas em diferentes suportes, sendo que um deles imprimindo defeitos nas paisagens, que foram propositadamente mantidas assim na montagem e que fazem um percurso que vai dos feixes de rocha do semiárido nordestino até o ser humano que habita essa geografia.
Se fôssemos resumir a obra, seria uma espécie de retrato da reação do homem perante a rejeição de um amor. A vontade de botar o pé na estrada, viajar sem rumo certo, a mentira pra si mesmo de que tudo está bem, a aceitação do "pé na bunda", o sexo que não pode parar na figura de diferentes parceiras, a bebida, a música de amor. Tudo isso sem excluir a lágrima, ou, como diria o poeta, "os sócios vis do amor: rancor, dor, ódio, solidão" (Antonio Cícero).
O homem sai pelas estradas do Ceará. Sua voz narra à situação em que vive, sem que sua imagem apareça. Antes, ela se reflete no cenário vazio, árido e sofrido do sertão brasileiro: seca, fome e abandono. O filme se inicia com supostas cartas escritas à amante, como se dele ela ainda fosse. Mente então em uma delas, com a frase que dá título ao filme. Termina concluindo:

"Viajo porque preciso, não volto porque ainda te amo."




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