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quarta-feira, 22 de março de 2017

Cine Especial: Literatura Policial no Cinema: Parte 4

Nos dias 25 e 26 de março eu estarei participando do curso Literatura Policial no Cinema, criado pelo Cine Um e ministrado pelo crítico de cinema César Almeida. Enquanto atividade não chega, por aqui eu irei fazer uma pequena investigação sobre os principais clássicos envolvidos nesse gênero cinematográfico.  

Jackie Brown (1997)

Sinopse: Jackie Brown é uma aeromoça, funcionária de uma companhia aérea de segunda linha, que reforça o seu baixo salário trazendo para o país dinheiro sujo de um traficante de armas, Ordell Robbie. Um dia, ela é pega por policiais com uma alta soma numa mala. Mas estes lhe oferecem a liberdade se os ajudar a pegar o traficante.
Terceiro filme de Tarantino que abriu mão de um roteiro original para adaptar o livro Poche de Run, de El More Leonard (O Nome do Jogo). Ignorado no Oscar/98 (só Foster foi lembrado com uma indicação a coadjuvante) leva as telas uma trama aparentemente banal que ganha tensão, suspense e humor por meio de sua criatividade. Repleto de referencias dos anos 70 (figurinos, trilha sonora, cenários) resgatou dois atores daquele tempo (Grier e Foster), da época colocou grandes nomes (Deniro, Fonda, e Keaton) em papeis menores, mas importantes. Mais maduro, Tarantino abandonou a estética da violência explicita dos seus filmes anteriores e talvez por isso na época fosse um tanto que incompreendido, mas jamais esquecido. Um dos grandes momentos chaves do filme, que mostra toda a criatividade do diretor, é uma sequência de trocas de bolsas em um vestuário. Tarantino retorna pelo menos umas três vezes no local dos acontecimentos, para mostrar a mesma trama, mas de ângulos diferentes, focando o destino de cada um dos personagens em decorrência a esses eventos na loja de roupas. Com um uso criativo de montagem de imagens, essa seqüência, apesar de simples é eficaz, que de quebra, é onde os atores estão em seus melhores momentos, em especial a Robert Deniro e Bridget Fonda.
 
O Homem que não estava lá (2001)

Sinopse: Em meio aos anos 40, Ed Crane (Billy Bob Thornton) é um barbeiro infeliz, que vive com sua esposa Doris (Frances McDormand). Ao descobrir que ela o está traindo, Ed passa então a planejar uma trama de chantagem contra ela, a fim de ensinar-lhe uma lição. Mas quando seu plano vai por água abaixo uma série de consequências desagradáveis ocorrem, incluindo vários assassinatos.
Se em seu primeiro filme (Gosto de Sangue) era uma espécie de namoro com o gênero noir, aqui fica mais do que evidente que os irmãos cineastas prestavam, não só um tributo ao gênero, como criaram um filme a altura. Com um belíssimo preto e branco, todas as características deste gênero estão lá, desde a trama policial, assassinato, mulheres sedutoras, narração off, cigarros e traições. Misturando tudo isso com a já estabelecida visão que os cineastas têm em colocar os seus personagens em tramas cujas situações são imprevisíveis e afiadas no humor negro. Mas nada se compara ao grande desempenho de Billy Bob Thornton no decorrer do filme, onde ele protagoniza e narra com a sua voz firme e mansa, transformando-se na grade alma da trama. 


 

Sobre Meninos e Lobos (2003)

Sinopse: Um grupo de três meninos brinca em Boston, e um deles é raptado e estuprado. Os três, já adultos e não mais tão amigos assim, vivem seus inferninhos particulares. Tim Robbins, a ex-vítima, tem uma existência amargurada. Sean Penn é quase um marginal, mas mantém as aparências graças à loja que tem. Quando sua filha de 19 anos é assassinada, seu mundo desaba. E entra em cena o Kevin Bacon, que faz o policial que investigará o caso.
Clint Eastwood é conhecido pela mão firme com que dirige seus dramas e pela primazia na composição de suas trilhas. Em Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, 2003) não é diferente, a história nos envolve de forma comovente com traços reais e intimistas que são realçados pelas canções de andamento calmo e introspectivo. Os atores foram levados por Eastwood a uma autoflagelação artística que tem como resultado uma película casual e amistosa que se torna agressiva e amarga com o desenrolar dos fatos. Eastwood toca na emoção como se fosse uma cítara e encontra a ira oculta adormecida por nosso senso moral, mas o som da cítara não a acalma e seu despertar faz com que o próprio destino seja mudado em prol de sua vingança.


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