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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 66 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 31 de março de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: Era o Hotel Cambridge



Sinopse: Refugiados recém-chegados ao Brasil dividem com um grupo de sem-tetos um velho edifício abandonado no centro de São Paulo. Além da tensão diária que a ameaça de despejo causa, os novos moradores do prédio terão que lidar com seus dramas pessoais e aprender a conviver com pessoas que, apesar de diferentes, enfrentam juntos a vida nas ruas.

Cada vez mais percebo que os cineastas brasileiros pegaram gosto pelo cinema que transita entre o documentário e ficção. Filmes como Fome, por exemplos, são vindos de um cinema experimental, do qual se extrai dele uma analise mais límpida e crua de nossa realidade e sem a maquiagem plástica que, por vezes, empalidece outros títulos brasileiros que tentam vender uma visão não oficial do Brasil do qual vivemos. No filme Era o Hotel Cambridge, a ficção e documentário se misturam e formando um mosaico que sintetiza tudo que há de bom e ruim em nosso país nesse momento.
Dirigido pela cineasta Eliane Caffé (Narradores de Javé) a trama retrata o dia a dia do movimento FLM (Frente de Luta pela Moradia) que ajuda abrigar um grupo sem teto e refugiados de outros países num velho edifício abandonado. Além de assistirmos o dia a dia de alguns personagens que moram na ocupação, acompanhamos também a aflição de muitos, pois eles receberam a noticia que precisam se retirar do local por ordem do governo. Segue então a união e luta dessas pessoas perante o inevitável e tentando de todas as formas não cederem perante a opressão.
Uma vez apresentado o cenário dos eventos que irão acontecer no decorrer do filme, a câmera de Caffé segue andando pelos corredores do prédio, como uma espécie de registro documental e para então termos a chance de fazermos uma analise sobre o que acontece nessa ocupação. Uma vez que os moradores reais dividem espaço com atores em cena, se apresenta então inúmeras subtramas, mas das quais cada um passa uma verossimilhança convidativa e da qual a gente se identifica com ela, mesmo para aqueles que nunca tenham passado numa situação parecida. Nada é forçado, mas sim convidativo, como se a câmera de Caffé fosse os nossos olhos, para então adentrarmos todos juntos nesse mundo pouco explorado pelos principais meios de comunicação.
No elenco, José Dumont, Suely Franco e Paulo Américo estão ótimos em seus respectivos papeis, bem como os amadores saídos de oficinas com moradores, bem como Carmem Lucia, líder do MSTC, sendo ela mesma na trama. Aliás, Lucia é que realmente rouba a cena do filme, pois ela é a principal voz da daquela comunidade, da qual necessita de uma força para seguirem em frente e não desistir perante os obstáculos que virão a seguir. É de se impressionar, por exemplo, a cena em que ela conduz inúmeros moradores para o prédio antes da policia chegar, sendo uma sequência da qual ficamos nos perguntando se ela é fictícia ou verídica, já que não é muito diferente do que ela já enfrentou em sua cruzada em defesa dessas pessoas.
E como se isso já não bastasse, o ato final nos reserva pura tensão, já que ele começa com um determinado personagem principal lendo os comentários intolerantes pela internet contra as ocupações, para logo depois testemunharmos a policia de São Paulo armada até os dentes e indo de encontro contra os moradores. O filme não poupa críticas contra o sistema, do qual cada vez mais se vende ao mundo capitalista e fazendo do socialista uma espécie de inimigo número do estado para ser abatido.  Devido a isso, temos cenas aterradoras de policiais disparando bombas de gás contra pessoas desarmadas e correndo com as suas crianças de colo para não serem feridas.
Essa sequência é desde já o ápice do filme, já que ela é uma síntese da imagem da força policial opressora, da qual é comandada pelo estado da direita atual inconsequente e que não mede esforços para colocar pessoas necessitadas para debaixo do tapete. Uma cena corriqueira, da qual vivemos assistindo nos principais meios de comunicação, mas nunca testemunhamos o desespero daqueles que se sentem acuados e não sabem o que fazer quando percebem que estão lhe tirando o direito de viver abaixo de um teto. A cena da qual mostra pessoas correndo de andar e andar para fugir das bombas de gás, ou até mesmo das balas de borracha, é momentos do qual não deve nada se for comparado qualquer mero filme de ficção catástrofe.
Com cenas finais esperançosas, das quais mostram as bandeiras do movimento FLM nos inúmeros prédios ocupados na cidade de São Paulo, Era o Hotel Cambridge é um filme sobre a resistência  do Brasil de hoje, da qual não merece ser calada, mas sim ouvida e  refletida.  




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quinta-feira, 30 de março de 2017

Cine Dicas: Estréias do final de semana (30/03/17)



 A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell
Sinopse: Num futuro pós-apocalíptico, Major (Scarlett Johansson) foi salva ao ser transformada num híbrido de humano e ciborgue. Ela lidera um esquadrão de elite, dedicado a combater crimes cibernéticos. Sua missão é encontrar um cracker extremista que ameaça a ordem tecnológica. Mas ela também tem uma missão pessoal para descobrir quem realmente é agora.

  Central

Sinopse: Em meio ao caos do sistema carcerário que se desencadeou no Brasil, em que centenas de presos são submetidos à superlotação, falta de infraestrutura e de higiene e má alimentação dentro dos presídios e as cidades estão vivendo ondas de violência nunca vistas, estreia o documentário Central - O poder das facções no maior presídio do Brasil, que retrata de dentro das celas a realidade nua e crua do piorpresídio do Brasil e também da América Latina. O documentário, inédito no cinema brasileiro, é dirigido por Tatiana Sager com codireção de Renato Dornelles e usa como ponto de partida o Presídio Central de Porto Alegre - considerado em 2008 o pior presídio do país pelo Congresso Nacional e um dos piores da América Latina pela Organização dos Estados Americanos (OEA) – para traçar uma radiografia da crise nas penitenciárias brasileiras.  
  
Mulheres do Século 20

Sinopse:Santa Barbara, Califórnia, 1979. Dorothea Fields (Annette Bening) tenta criar seus filhos da melhor maneira possível. No seu dia a dia, ela ainda precisa dar força para uma amiga fotógrafa e dar conselhos para uma adolescente, que é amiga de seu filho.
 
Eu te Levo

Leia a minha crítica já publicada clicando aqui.




O Espaço Entre Nós

Sinopse:O adolescente Gardner Elliot (Asa Butterfield) se tornou o primeiro humano a ter nascido em Marte. Mas o seu passado lhe intriga e tudo o que mais quer é ter informações sobre isso. O jovem então parte para uma viajem até à Terra e vai atrás de seu pai biológico.

O Ornitólogo
Sinopse:Fernando (Paul Hamy) é um solitário homem de 40 anos que trabalha como um ornitólogo. Ele decide viajar pelo curso de um rio a bordo de um caiaque, mas quando uma correnteza forte derruba sua pequena embarcação, ele inicia uma jornada sem volta e repleta de perigos. 

O Mundo Fora do Lugar

Sinopse: Quando Paul Kromberger (Matthias Habich) e sua filha Sophie (Katja Riemann) encontram, por um acaso, uma foto da cantora de ópera americana Caterina Fabiani (Barbara Sukowa), o homem reconhece nela sua falecida esposa Evelyn. Incapaz de convencer seu teimoso pai, Sophie viaja ara Nova York para encontrar Caterina e inestigar essa estranha semelhança.

O Poderoso Chefinho

Sinopse:Um bebê que fala, usa terno e carrega uma mala misteriosa une-se com seu irmão mais velho invejoso para impedir que um CEO sem noção acabe com o amor no mundo. O objetivo da dupla é salvar os pais, impedir a tragédia e provar que o mais intenso dos sentimentos é uma poderosa força.

Os Belos Dias de Aranjuez
Sinopse:No norte da França, um escritor alemão (Jens Harzer) começa a escrever os esboços para o seu próximo livro e desenvolve, como ponto de partida, um diálogo entre um homem (Reda Kateb) e uma mulher (Sophie Semin), que se encontram em um jardim suspenso para discutir, entre outras coisas, questões como sexualidade, amor, infância e também suas memórias e a vida em si.

Paraíso

Sinopse: Durante um terrível período de guerra e de intensos conflitos bélicos, as vidas de três pessoas acabam se cruzando: Olga (Yuliya Vysotskaya), uma aristocrata russa e membro da resistência francesa; Jules (Philippe Duquesne), um francês; e Helmut (Christian Clauss), um oficial de alta patente dentro das tropas nazistas.
 


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Cine Dica: Era o Hotel Cambridge ganha Sessão de Lançamento no CineBancários

Com direção de Eliane Caffé, Era o Hotel Cambridge entra em cartaz no CineBancários no dia 30 de março, com uma Sessão de Lançamento às 19h30. Após a exibição do filme será realizado um debate que contará com a presença do ator Jose Dumont e Carmen Silva (Frente de Luta por Moradia). O longa narra a trajetória de refugiados recém-chegados ao Brasil que, juntos com trabalhadores sem-teto, ocupam um velho edifício abandonado no centro de São Paulo. Em meio à tensão diária da ameaça do despejo, revelam-se dramas, situações cômicas e diferentes visões de mundo. Desde a sua apresentação no Festival do Rio, em setembro/outubro passados, Hotel Cambridge vem tendo expressiva participação em eventos de cinema no País e no exterior.
A distribuição de senhas será realizada a partir das 19h e a entrada é franca.

O filme ficará em cartaz nas sessões das 15h e 19h. Os ingressos podem ser adquiridos no local ou no site ingressos.com a R$10,00. Estudantes, idosos, pessoas com deficiência, bancários sindicalizados e jornalistas sindicalizados pagam R$5,00. Aceitamos os cartões Vale Cultura do Banrisul, Banricompras, Visa e Mastercard.

FICÇÃO

Era o Hotel Cambridge aborda a questão do movimento de refugiados/imigrante em conexão com a luta de trabalhadores sem-teto que disputam uma moradia digna nascidades do mundo inteiro. O filme é um hibrido de ficção e documental no qual participam atores e personagens reais de uma ocupação no centro de São Paulo. O convívio entre línguas, mundos e culturas diferentes transforma a narrativa em uma rica polifonia de situações tragicômicas. As janelas do edifício se abrem para outros mundos através da web, quando os refugiados se conectam com seus familiares e países de origem deixados para trás.

A preparação do projeto levou dois anos e foi gerido por um coletivo que permitiu transformar todo o edifício (que é zona de conflito real) no set criativo da filmagem. Esse coletivo foi composto por quatro frentes principais: equipe de produção do filme; lideranças da FLM (Frente de Luta pela Moradia); grupo dos refugiados e núcleo de estudantes de arquitetura da Escola da Cidade. Por meio oficinas dentro da ocupação surgiu a matéria prima para o aprimoramento do roteiro e da direção de arte. A ousadia do experimento garantiu autenticidade e força dramática ao filme.

MOVIMENTO

A FLM (Frente de Luta pela Moradia) acolheu e orientou a produção do filme Era o Hotel Cambridge. Constituída por indivíduos com extração nas camadas mais vulneráveis da população, a Frente de Luta pela Moradia tem entre suas principais lideranças mulheres pobres, negras, trabalhadoras e chefes de família, que veem na organização a esperança em dias melhores para si e seus filhos. Carmen Silva Ferreira, atriz do filme, é uma dessas novas lideranças na cidade de São Paulo. Baiana, vítima de violência doméstica, oito filhos, imigrante, ela mesma foi uma sem-teto. Na luta pela reforma urbana, constituiu vários oásis de solidariedade e respeito em São Paulo, uma cidade acostumada a excluir os mais pobres, os mais fracos, os diferentes. Assim são os prédios hoje ocupados pelos sem-teto organizados na FLM.
Antes imóveis mortos (mortos pela especulação imobiliária, diga-se), esqueletos de concreto e ferro inúteis na paisagem urbana, focos da criminalidade, da doença e do desespero, esses edifícios transformaram-se em generosa experiência coletiva de acolhimento sem discriminação.
O convívio respeitoso que vemos entre os moradores, a proteção às crianças, aos idosos, aos deficientes, o cuidado com seu futuro, para não falar da limpeza esmerada das áreas comuns, tudo isso reforça em nós a idéia de que, ali, entre os pobres, encontra-se uma nova forma de vida e de luta social –mais feminina, mais gentil, mais solidária.
São Paulo merece o amor e a dignidade humana que vemos prevalecer no trato entre os moradores desses imóveis onde quem fala mais alto é a voz da esperança em uma cidade mais justa e gentil. É disso, estamos certos, que o Brasil e o mundo precisam.

OS REFUGIADOS

O filme Era o Hotel Cambridge representa o universo do refugio em sua dimensão humana, intimista e diferente dos preconceitos com os quais ele é percebido pelo imaginário dominante. A trama os situa em pé de igualdade com brasileiros que também vivem em situações limites. A presença deles transforma profundamente a geografia restrita do edifício, pois trazem consigo fortes referências sensoriais, afetivas, ideológicas e linguísticas. No interior da ocupação o convívio entre línguas, mundos e culturas diferentes exibe um rico território de situações tragicômicas. Espaços reais e virtuais se mesclam na ficção para uma experiência com a narrativa cinematográfica cuja importância é aproximar o espectador da figura do refugiado.

ARQUITETURA, EDUCAÇÃO E CINEMA

O que definiu a ambiência do filme não foi somente a série de demandas do roteiro, mas também as demandas dessa comunidade que temporariamente habita o edifício Cambridge. A diretora de arte, Carla Caffé, juntamente com professores e estudantes de arquitetura da Escola da Cidade, trabalhou os cenários para que terminadas as filmagens, com a da saída da equipe do filme, os espaços permanecem equipados para promover o encontro, para empoderar a comunidade. Essa experiência possibilitou não somente a extensão da educação para fora de seus padrões tradicionais de ensino, como também ampliou o diálogo entre arquitetura e cinema.

SOBRE A DIRETORA

Seu primeiro longa metragem Kenoma (1998) alcançou reconhecimento internacional e foi exibido em diversos festivais pelo mundo. Seus filmes seguintes Narradores de Javé (2002) e O Sol do Meio Dia (2009) seguiram o mesmo caminho. Na televisão, Eliane dirigiu minisséries e documentários com um viés experimental, além de trabalhar na coordenação de coletivos audiovisuais em zonas de conflito no interior do Brasil.

AURORA FILMES

É uma produtora audiovisual que desenvolve projetos para o cinema e televisão no Brasil e no exterior. Foi fundada em 2006 pelos produtores Rui Pires e André Montenegro, que possuem em seus currículos mais de 40 obras entre longas-metragens e séries. A Aurora Filmes produziu a série A Grande Viagem e os longas-metragens Tudo por Amor ao Cinema, Entre Vales, Estamos Juntos, Reflexões de um Liqüidificador e A Via Láctea. Atualmente a produtora finaliza os filmes Era o Hotel Cambridge e A Comédia Divina.

TU VAIS VOIR

Fundada em 2001 é uma produtora francesa que produz filmes nacionais e de coproduções internacionais. Um de seus maiores sucessos é o filme Diários de Motocicleta, de Walter Salles. A produtora possui sólidos vínculos com coprodutores de diversos países europeus, assim como na América Latina e Israel.

FICHA TÉCNICA

2016 / Brasil / Drama / 90 min
Direção: Eliane Caffé
Produção: Aurora Filmes
Coprodução: Tu Vas Voir
Distribuição: Vitrine Filmes


GRADE DE HORÁRIOS

30 de março (quinta-feira)
15h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé
17h – Sessão Vitrine: O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
19h30 – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé

31 de março (sexta-feira)
15h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé
17h – Sessão Vitrine: O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
19h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé

01 de abril (sábado)
15h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé
17h – Sessão Vitrine: O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
19h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé

02 de abril (domingo)
15h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé
17h – Sessão Vitrine: O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
19h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé

04 de abril (terça-feira)
15h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé
17h – Sessão Vitrine: O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
19h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé

05 de abril (quarta-feira)
15h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé
17h – Sessão Vitrine: O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues
19h – Era o Hotel Cambridge, de Eliane Caffé