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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: TONI ERDMANN



Sinopse: Winfried (Peter Simonischek) é um senhor que gosta de levar a vida com bom humor, fazendo brincadeiras que proporcionem o riso nas pessoas. Seu jeito extrovertido fez com que se afastasse de sua filha, Ines (Sandra Hüller), sempre sisuda e extremamente dedicada ao trabalho. Percebendo o afastameto, Winfried decide visitar a filha na cidade em que ela mora, Budapeste. A iniciativa não dá certo, resultando em vários enfrentamentos entre pai e filha, o que faz com que ele volte para casa. Tempos depois, Winfried ressurge na vida de Ines sob o alter-ego de Toni Erdmann, especialista em contar mentiras bem-intencionadas a todos que ela conhece.

Num mundo dividido cada vez mais entre esquerdas e direitas, ou capitalistas ou socialistas, há uma sensação cada vez maior com relação à falta de harmonia entre trabalho e família, da qual não se chega a um consenso. Enquanto essa nova geração vive cada vez mais no piloto automático para tentar se promover na vida, a velha guarda tenta resgatar um pouco do que se tinha de mais precioso num passado remoto. É com esses pensamentos que me vieram à mente ao assistir Toni Erdmann, cuja sua história poderia soar das mais previsíveis, mas ela vai se encaminhando por caminhos incomuns, ao ponto de chegar a momentos dos quais nos faz rasgar um sorriso no rosto.
Dirigido por Maren Ade (o Superego e você), acompanhamos o dia a dia de Winfried (Peter Simonischek), senhor de idade que gosta de usar o seu tempo livre para inventar brincadeiras um tanto que peculiares, mas proporcionando momentos surpreendentes. Essa atitude fez com que a sua filha Ines (Sandra Hüller), uma bem sucedida empresária, se afaste dele ao longo do tempo. Após a morte do seu inseparável cachorro, Winfried decide passar uns dias com a sua filha, para tentar reatar a relação, mas ao mesmo tempo criando situações imprevisíveis, das quais fará com que, ou ela se afaste mais, ou nasça uma nova reaproximação entre os dois.
Embora com a premissa simples, Maren Ade não se apressa na apresentação de sua história e fazendo com que tenhamos tempo para conhecermos melhor os dois personagens principais e tendo então a chance de compreender melhor a realidade da qual eles vivem. Não há muitos recursos técnicos, ou até mesmo uma trilha sonora que nos chame atenção, mas sim as ações dos personagens é o que falam por si. Num primeiro momento, conhecemos a primeira faceta deles, para gradualmente conhecermos outra e mais outra, para sim então tentarmos entendermos os seus sentimentos e suas ações perante o mundo. 
Se Winfried, por sua vez, cria um personagem animalesco, intitulado Toni Erdmann, para se infiltrar no mundo de sua filha, essa por vez usa uma parede de concreto para ocultar os seus sentimentos e aparentar ser uma pessoa fria e calculista. Tendo consciência que vive numa realidade onde o dinheiro fala mais alto, Ines não perdoa aqueles que trabalham em sua volta, principalmente daqueles que tentam tirar proveito da situação, quando na realidade terminam comendo em sua mão. Se num primeiro momento isso soa como beneficio para ela, infelizmente isso faz com que a relação com o seu pai comecem a ruir, principalmente quando ele persiste cada vez mais em passar o tempo com ela.
Esse cabo de guerra acaba fazendo com que ambos conheçam uma realidade pessoal um do outro e dependerão somente dos dois em saber como irão lidar com os atos e consequências de ambos. Como a trama é envolta somente nessa enigmática relação de pai e filha, precisaria então de uma boa dupla de atuação e é exatamente isso que acontece. Se Peter Simonischek nos brinda com um dos personagens mais esquisitos dos últimos anos, Sandra Hüller, por sua vez, não fica muito atrás e nos brindando com uma atuação de inúmeras camadas interpretação, mas que uma vez todas sendo apresentadas, concluímos que ela busca um equilíbrio emocional, mesmo não aparentando um descontrole perante as outras pessoas.
No ato final chegam a um equilíbrio, do qual ambos chegam ao ápice de suas ações, mas ao mesmo tempo obtendo, mesmo que aparente redenção da qual eles no fundo queriam tanto obter. Com pitadas de drama e humor negro sedutor, Toni Erdmann lhe seduz com a sua mensagem otimista, mesmo perante a uma realidade em que os sentimentos são colocados em segundo plano. 




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