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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 66 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Cine Especial: Michael Haneke: O lado sombrio do nosso tempo: Parte 2


Nos dias 08 e 09 de outubro eu estarei participando do curso Michael Haneke: O lado sombrio do nosso tempo, criado pelo Cine Um e ministrado pelo jornalista  Bruno Maya. Enquanto os dias da atividade não chegam, por aqui eu irei postar sobre os filmes que o cineasta já fez e analisar um pouco sobre o porquê do seu cinema chocar, mas fascinar.



O Castelo (1997)



Sinopse: K. (Ulrich Mühe) é um agrimensor que chega a um vilarejo a trabalho, e no meio dessa aldeia coberta de neve, ele encontra um castelo no dia seguinte da sua chegada. Ele descobre então que o castelo é bem misterioso e que apenas alguns privilegiados têm acesso ao local. No entanto, ele não se satisfaz com isso e decide que vai conhecer o lugar a todo custo, mas logo percebe que a tarefa não será nada fácil.

Michael Haneke filma o romance homónimo de Franz Kafka, escrito em 1922 e publicado postumamente, assumindo uma fidelidade quase absoluta à sua fonte literária, que designa por “fragmento de prosa”. O Castelo (1997) tem como foco a violência anônima e desprovida de fundamento da aparente banalidade e naturalidade quotidianas, motivo que marca grande parte da obra de Haneke, desde logo Violência Gratuita (leia mais abaixo), realizado no mesmo ano, e, de forma ainda mais evidente em Fita Branca (2009), filme que encontra em O Castelo o seu principal antecedente.

 

Violência Gratuita (1997)



Sinopse: Uma família de classe média alta vai passar as férias em sua casa à beira de um lago. Chegando lá, um garoto gordinho e educado bate à porta para pedir um ovo. Logo se junta a ele um rapaz magrelo e que aparenta ser ainda mais polido com as palavras e gestos. Sem se preocupar, a esposa e mãe Anna (Susanne Lothar) deixa os dois adolescentes entrarem na casa, acreditando que são amigos da família ao lado. Uma vez lá dentro, eles começam a praticar violência gratuita com Anna, o marido e também com o filho do casal.


Violência Gratuita conta com uma trama forte, de carga pesada, feito exclusivamente para causar um impacto sem precedentes no psicológico de seu espectador, utilizando a violência, tal como seu título nacional sugere, para conferir um choque emocional no público. Não é um filme para todos, isso porque, esta obra, mesmo que contenha pouca violência gráfica, pretende através de seus artifícios revoltar e imobilizar o espectador através de tudo aquilo que está sendo apresentado. Brutal? Certamente. Entretanto, Violência Gratuita tenta a todo instante provocar a inércia de reações de seu público, que em certos momentos sua crítica social é diluída por esse instinto de transtornar-nos a todo e qualquer custo.
Dez anos depois, o cineasta lançaria uma versão americana da mesma história, mas isso fica para uma próxima postagem. 

 

Código Desconhecido (2000)



Sinopse: A narrativa é divida entre três grupos de pessoas: a atriz francesa Anne Laurent (Juliette Binoche), o marido dela e sogros; uma romena, Maria (Luminita Gheorghiu), luta para ter dinheiro para sua família voltar para casa; e Amadou (Ona Lu Yenke), um professor para crianças surdas-mudas que está em conflito com seu clã africano. O catalisador das histórias começa numa esquina, onde o cunhado de Anne, Jean (Alexander Hamidi), insulta Maria, que implora ajuda. Amadou, enraivecido, provoca uma briga com Jean, resultando em repercussões negativas para os três grupos.

O diretor Michael Haneke faz as transposições de uma cena para outra de maneira radical, com o uso de bastante corte seco construindo assim a atmosfera do filme e utiliza em várias cenas o estilo documentário, nos planos-seqüência. 
Código Desconhecido é um longa-metragem que trata, além do preconceito racial a temática da discórdia e da violência do nosso cotidiano, e o quanto podemos ser impotentes em determinadas situações. Haneke causa impacto na forma ácida de abordar um determinado tema, que é uma de suas características já conhecida em obras como os já citados O Sétimo Continente, Violência Gratuita e A Professora e o Piano, do qual falarei mais semana que vem.   

 
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Cine Dicas: Estreias do final de semana (30/09/16)



O Lar das Crianças Peculiares


Sinopse: O adolescente Jacob Portman (Asa Butterfield) vive um inferno pessoal quando enfrenta uma tragédia. Suas buscas por respostas o levam até às ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, no País de Gales. Lá, o jovem descobre o passado bem peculiar dos órfãos que viveram no local e que eles podem ainda estar vivos.


  A Comunidade


Sinopse:Na década de 1970, o casal Erik (Ulrich Thomsen) e Anna (Trine Dyrholm) decide formar uma comuna num casarão. Lá, as pessoas usam o voto como forma de administrar o lugar. Erik se apaixona por uma jovem e seu relacionamento de 15 anos com Anna desmorona. Os moradores da casa concordam em deixar a jovem morar com eles e a tensão só aumenta. 


A Passageira


Sinopse:Lima, Peru. A rotina de Magallanes (Damián Alcázar), um motorista de táxi, vira de cabeça pra baixo quando Celina (Magaly Solier), uma mulher de seu passado sombrio, entra, subitamente, em seu carro. Os dois se conheceram nos anos violentos em que Magallanes foi soldado do exército peruano. Agora, em busca de redenção, o homem vai participar de um arriscado plano para ajudar Celina a superar seus graves problemas financeiros. 
 

Belas Famílias


Sinopse:Há mais de 10 anos vivendo na China, Jèrôme Varenne, um homem de negócios, volta à França para visitar a mãe e o irmão e descobre que a casa onde ele passou a infância é objeto de uma grande disputa. Ele, então, vai até a propriedade na esperança de resolver o caso, mas um encontro inesperado mudará os rumos de sua vida, revelando lados de sua família que ele jamais imaginaria.

 

Gênios do Crime


Sinopse: Em 1997, na cidade de Charlotte, na Carolina do Norte, o motorista de carro forte David Scott (Zach Galifianakis) cria um plano ousado para roubar o banco Loomis Fargo Bank, com a ajuda de seus comparsas. Mal sabia ele que ficaria conhecido por ter perpetrado um dos maiores roubos da história dos Estados Unidos, até então.
 

Jaime Lerner - Uma historia de sonhos 


Sinopse: Documentário sobre Jaime Lerner, arquiteto e urbanista brasileiro conhecido mundo afora pelos seus projetos que levam em consideração o meio ambiente. Respeitado no campo, ele realizou obras na cidade de Curitiba e, em 1990, recebeu o prêmio máximo das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Além de ser eleito presidente da União Internacional de Arquitetos.  


Meu Amigo, o Dragão


Sinopse:O menino Pete foi encontrado numa floresta, onde viveu por seis anos. Ele revela que sobreviveu com a ajuda de um amigo muito especial, um dragão, Elliot. Agora, a criatura é vista como um perigo e a amizade entre eles é ameaçada.


 

O Bebê de Bridget Jones


Sinopse:A jornalista Bridget Jones (Renée Zellweger) sempre lutou contra a balança e por um grande amor. Entre altos e baixos na sua vida, tudo parece caminhar bem até descobrir que aos 40 anos está grávida de seu primeiro filho.
  

Zé de Julião, Muito Além do Cangaço


Sinopse:Zé de Julião era um homem complexo. Sendo um jovem muito rico, ele decidiu se tornar cangaceiro aos 30 anos, e logo após se tornou um grande empreiteiro e líder político respeitado em Sergipe. Por conta de suas posições e opiniões incisivas, entrou em confronto com diversos coronéis da região, o que colocou um ponto final em sua trajetória. 

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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Cine Especial: Michael Haneke: O lado sombrio do nosso tempo: Parte 1



 Nos dias 08 e 09 de outubro eu estarei participando do curso Michael Haneke: O lado sombrio do nosso tempo, criado pelo Cine Um e ministrado pelo jornalista  Bruno Maya. Enquanto os dias da atividade não chegam, por aqui eu irei postar sobre os filmes que o cineasta já fez e analisar um pouco sobre o porquê do seu cinema chocar, mas fascinar.

 

Trilogia da Violência (ou Incomunicabilidade) (1989 – 2004)


O Sétimo Continente (1989)



Sinopse: Georg e sua esposa Anna percebem o quanto suas vidas são isoladas e monótonas quando sua filha Eva, em uma tentativa desesperada para conseguir atenção, passa a fingir estar cega. A família decide então alterar sua realidade e mudar para a Austrália.


O filme pode ser visto tanto como uma visão de mundo do próprio cineasta, como também uma crítica da sociedade em que ele vive, um modo de refletir sobre a falta de sentido na vida. Esse, aliás, é um dos problemas dos países mais desenvolvidos, aqueles que já conquistaram a riqueza material, mas que agora precisam preencher outro vazio.
Destaque também para o modo distinto de filmar de Haneke, que demora bastante para nos apresentar aos rostos da família. Vemos partes do corpo e objetos: as mãos, os pés, a mesa posta para o café da manhã. Essa demora é outro elemento para gerar um sentimento de inquietude no espectador e uma prova de que, entre os cineastas atuais que preferem o mal estar ao final feliz hollywoodiano, Michael Haneke é provavelmente o mais brilhante.

 

Benny's Video (1992)



Sinopse: A história de um garoto chamado Benny, que assiste filmes violentos, incluindo um vídeo caseiro que documenta o abatimento de um porco. Em um dia, entediado, Benny convida uma garota para ir até sua casa e a assassina, gravando o crime com sua câmera de vídeo.


Numa primeira analise, fica claro que o comportamento agressivo do rapaz é diretamente influenciado pela da violência na mídia, ou simplesmente e pela negligência dos pais. Porém, o problema parece ir muito mais além da cortina. O que o filme busca é mergulhar a fundo na mente de Benny. Por isso, a câmera o foca, o analisa e fazendo com que enxerguemos a sua perspectiva do mundo através do seu olhar.
Mais do que as cenas fortes, o que realmente espanta é na exploração desse mundo complexo e frio: na relação familiar, na posição de Benny após o assassinato, na reação dos pais quando descobrem o que aconteceu, na atitude do garoto nos momentos finais da trama. A frieza é o ponto visceral, brilhantemente explorado pelo diretor, e o que faz desta uma produção forte e envolvente como poucas conseguem ser.

 

Em 71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso (1994)



Sinopse: O título resume a colcha de retalhos que Haneke tece para retratar o dia-a-dia de cidadãos austríacos, antes de um massacre. Os fragmentos expostos pelo cineasta mostram o cotidiano dos personagens, juntamente com seus problemas.


O desfecho do filme é antecipado logo no começo. Um letreiro informa que na véspera de Natal um jovem de 19 anos matará três pessoas em um banco de Viena e depois cometerá o suicídio. A partir daí, o que se segue são imagens desconexas da vida cotidiana de várias pessoas. Rapidamente, entende-se que o destino daqueles indivíduos se encontrará com a tragédia final. A questão que nos envolve e prende ao filme, o terceiro de Michael Haneke, é: como isso vai acontecer?
A partir daí, já sabemos o que esperar. Temos uma contagem progressiva de dias até chegar a data fatídica. Na introdução de cada dia, é mostrada uma reportagem televisiva sobre temas diversos como a guerra na Bósnia, os conflitos na Faixa de Gaza, terrorismo, massacre na Turquia, Sarajevo e até a acusação de pedofilia sofrida por Michael Jackson. Dentre os fragmentos, vemos uma menina prestes a ser adotada por um casal, um idoso solitário em sua casa, um casal amargurado que não consegue mais dialogar, um menino refugiado romeno que vaga pelas ruas e vive às custas de pequenos furtos, jovens universitários lidando com quebra-cabeças e computadores.  Mesmo já sabendo o que vai acontecer, o final é abrupto e inesperado. A direção de Haneke é inconfundível, a câmera fixa, o olhar insistente, quadros parados, alguns movimentos repetitivos, a presença constante da televisão, poucos diálogos, silêncios tensos e angustiantes. Não é o meu filme preferido do diretor, mas, sem dúvida, é Haneke.
  
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