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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 68 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Cine Especial: A Vingança dos filmes B: Parte VI (29/11/16)




Vejam o que eu assisti ontem na mostra que está que esta sendo exibida na sala P.F Gastal de Porto Alegre.    
 
Curtas:
Aquela Rua Tão Triumpho (2016/ SP/ 15’)

Sinopse: Os fantasmas da Rua do Triumpho. Ido Oliveira, antigo cineasta da Boca do Lixo, ainda vive por lá.
Dirigido pelo jornalista, cineasta e crítico de cinema Gabriel Carneiro, o curta metragem é uma bela homenagem a um dos períodos mais produtivos do nosso cinema brasileiro (mais de 1.000 filmes produzidos entre os anos 60 até os 80). Dividido entre ficção e realidade, a pequena trama basicamente mostra alguns realizadores daquele período ainda vivos e que decidem se reunir para se lembrarem dos velhos bons tempos. Destaque para o cineasta fictício Ido Oliveira (Walter Portella, falecido no ano passado) do qual transmite toda paixão de uma geração que gostava de filmar inúmeras obras de diversos gêneros e que atraiam inúmeros cinéfilos. 
Só com a cena final do filme já ganha um espaço no coração de cada cinéfilo ferrenho que se preze.       

 O Sinaleiro (2015 / SP / 15’)

Sinopse: Um velho sinaleiro ferroviário é assombrado por uma série de acontecimentos estranhos. Baseado na obra de Charles Dickens.
Dirigido por Daniel Augusto, o curta é um verdadeiro terror psicológico, onde assistimos ao protagonista ser assombrado pelo próprio ambiente onde trabalha, mas nunca se sabe se há algo sobrenatural, ou tudo não passa de sua mente febril. Com uma montagem ágil e fotografia elegante, o filme é uma espécie de pesadelo filmado, onde em alguns momentos temos a ligeira sensação de que o protagonista irá acordar, mas acaba acontecendo exatamente ao contrário. 
Curta engenhoso e baseado em uma das obras de Charles Dickens.
 
 Till Death (2016 / PR/ 16’)

Sinopse: Enganar a morte tem o seu preço.

Dirigido por Paulo Biscaia, a trama é extremamente simples, onde vemos o protagonista fazer um trato com uma entidade, para fazer com que então a sua mulher sobreviva. Ao longo do curta, vemos situações absurdas, onde testemunhamos o casal brincando mortalmente das mais diversas formas para unicamente se divertirem. Uma metáfora sobre a vida alienada de casais que tentam sempre procurar algo para sair da rotina.   
      
 Panda (Pandi/2013/ SKV/11’)

Sinopse: Nesta animação vinda da Eslováquia, do jogo da evolução sobre descendentes passiveis de sobrevivência, surgem espécies cujo destino, herdado de seus antepassados, é questionável.
De Matús Vizar, essa perturbadora animação é de tudo um pouco, desde mostrar possíveis origens da evolução da vida, como também as inúmeras formas de como modificá-la. O filme também abre espaço para fazer uma crítica com altas doses de humor sombrio sobre a preservação animal criada por certos governos, quando na verdade não passam de lugares para atrair as massas curiosas. Com um final pessimista, o filme dá o que pensar sobre o futuro dos animais de hoje e da própria humanidade.   

  Janaina Overdrive (2016/ CE/ 20’)

Sinopse:​Uma transciborgue busca sua sobrevivência longe do controle biotecnopolítico da corporação.
De Mozart Freire, o curta bebe da fonte cyberpunk, onde retrata uma sociedade cada vez mais submissa aos meios tecnológicos para adquirir o prazer. Sinceramente a pessoa que for assistir talvez demore um pouco para entender a proposta, mas para aqueles que curtem filmes como Fantasma do Futuro e Matrix, irão então captar a mensagem rapidamente. Destaco a sua fotografia e edição de arte, sendo que essa última, mesmo com poucos recursos, pode muito bem sintetizar um futuro sombrio onde os desejos e sentimentos possuem agora um preço a pagar.      
  
 Tango (2016/ PR /14’)
Sinopse: Após anos de seca, uma batata mística brota nas distantes nascentes do Rio Aiatak. Em breve, tudo estará preparado para o grande ritual de Tango. Para o povo, este é o início de uma nova era. Animação inspirada no conto “Um Artista da Fome”, de Franz Kafka.

Dirigido por Francisco Gusso e Pedro Giongo, o curta de animação possui um traço peculiar, onde mostra uma sociedade que venera inúmeras figuras que acreditasse serem sagradas. No final, o curta passa a idéia que a própria sociedade se cega e se destrói ao venerar certas imagens. Uma obra corajosa, principalmente em tempos em que cada vez mais determinados cultos religiões se infiltram na política.  

Longa metragem: Mar Inquieto  

Sinopse:Após uma juventude conturbada pelo uso de drogas, Anita se isola numa pequena praia. Num ambiente repleto de lendas de demônios e óvnis, a maior ameaça para Anita parece estar em sua casa, na forma de Vitorino, seu marido: manifestações de seu passado se mostram mais perigosas do que qualquer demônio.

Exibido no último Fantaspoa, o primeiro longa metragem de Fernando Mantelli poderia cair num suspense convencional, mas o bom uso que ele faz com a câmera, além de uma bela fotografia, faz com que Mar Inquieto não caia numa vala comum. Para começar, Rita Guedes dá um verdadeiro show de interpretação, onde ela interpreta Anita, uma mulher que busca um caminho melhor para sua vida e para o futuro bebê que irá nascer, mas sofre nas mãos de um marido abusivo. O filme vem e volta no tempo e presenciamos no passado outra faceta de Anita, onde caia cada vez mais no mundo das drogas. 
Quando damos de encontro com Anita no passado, nem parece que é a mesma personagem, mas Rita Guedes se encarnou nas duas faces da personagem de tal forma que faz com que achemos que são duas atrizes interpretando a mesma. O filme ainda funciona em usar folclores brasileiros para então se criar um clima sombrio, mesmo num lugar paradisíaco onde se passa a trama.  Embora com um final convencional, Mar Inquieto nos envolve do início ao fim.  
 
Leia mais e programação completa clicando aqui.






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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Cine Dica: Breve em cartaz: The Handmaiden



Sinopse: No intuito de ficar com o dinheiro de uma jovem aristocrata, um falso conde infiltra uma camponesa como dama de companhia para fazê-la se apaixonar por ele e afastá-la de seu tio maluco. Por trás do golpe, há ainda outro e, acima de todos os golpes, o desejo fala mais alto.


Chan-wook Park se tornou mundialmente conhecido ao lançar o genial Old Boy e ter feito com que o restante do mundo prestasse mais atenção ao cinema Coreano. Com uma visão autoral fora do comum, Park gosta de brincar com a perspectiva do cinéfilo, fazendo com que sempre montemos uma trama em nossas mentes, para então descobrirmos que tudo não era exatamente como nós imaginávamos. Exibido em Cannes deste ano e com grande sucesso em seu país de origem, The Handmaiden mantém algum elementos já citados, mas surpreende numa trama que não exige muita violência, mas sim no uso e abuso de encenações entre os personagens.
O filme acompanha a história de Sooke, uma criada contrata para cuidar de Hideko, uma reclusa aristocrata. No entanto, os verdadeiros objetivos daquela empregada é ajudar um falso conde a seduzir, enlouquecer e roubar aquela aristocrata. Porém, ambas se vêem envolvidas amorosamente de uma maneira devastadora.
Sendo uma trama que é apresentada em dois atos, Chan-wook Park constrói uma história que pode ser interpretada como “a desconstrução” da maneira como determinadas pessoas se apresentam uma as outras. Se a primeira mostra todo o lado refinado do universo da aristocracia, a segunda mostra a sua real face, onde envolve ambição, sexo, machismo, intolerância, sadomasoquismo, incesto e tortura ao extremo. Porém, não é um filme que usa e abusa da violência, mas sim as suas ações que acabam se tornando mais fortes do que qualquer banho de sangue que o cineasta já havia apresentado.
Além de escancarar o lado obscuro desse mundo, Park ainda cria uma trama da qual pode ser vista em dois pontos de vistas diferentes. Após o término do primeiro ato, assistimos quase a mesma trama, mas como se ela fosse assistida pelo olhar de outra pessoa. Além disso, o filme retorna no tempo para presenciarmos todas as raízes que irão gerar inúmeros conflitos de interesses futuros para cada um dos personagens centrais.
Com toda mentira e encenação dos personagens vista na tela, não deixa de ser curioso em observar que, a famosa cena de sexo da trama, acaba se tornando o único momento verossímil do qual as duas protagonistas (Sooke e Hideko) se entregam a um sentimento verdadeiro a muito não sentido. A cena, aliás, não chega a ser um “Azul é a cor mais quente”, mas é belamente filmado e acaba fazendo dela algo não gratuito, mas que é graças aos eventos vistos na trama anteriormente que ela então faz todo o sentido. Uma vez consumado tal ato, ambas acabam conhecendo aos poucos as reais intenções uma da outra, assim como nós que assiste do outro lado da tela.

Embora com um final menos pessimista se comparado aos seus filmes anteriores, The Handmaiden é mais um filme inquietante do cineasta Chan-wook Park, do qual consegue testar os nossos palpites e criar a sensação prazerosa do efeito surpresa. 

 
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Cine Curiosidade: Filme com atriz brasileira Cris Lopes tem exibição na Espanha em Festival de Cine

O filme AGS tem obtido sucesso com o público nos festivais brasileiros de cinema onde foi selecionado e exibido em diversos estados nos últimos meses, recebendo recentemente o prêmio de Melhor Roteiro no Brasil no Festival Pop Corn Sorocaba no estado de São Paulo.  
AGS - Agence Générale du S... é baseado em obra francesa dos anos 20 de Jacques Rigaut (em portugues: Agencia Geral do Suicidio) e será exibido em sessão internacional na Espanha nesta sexta-feira dia 25/novembro no Festival de Cine de Loja, Andalucia.
A atriz internacional de cinema Cris Lopes que atua no Brasil e no exterior em diversos idiomas é protagonista do filme vivendo a madame francesa que quer morrer com muito glamour e conforto com o apoio da agência AGS (em portugues: Agencia Geral do Suicidio), onde ela planeja todos os detalhes com o atendente, o ator e roteirista Euler Santi, também protagonista do filme que interpreta o Monsieur oferecendo os serviços e soluções da AGS para a sofisticada madame.
Com muito humor negro, o filme dirigido por Rodney Borges tem fotografia e arte inspirada no filme Grande Hotel Budapeste.
Assista aqui o trailer do filme: https://www.youtube.com/watch?v=W8tnO05edfQ

 
Curtir no Facebook:  @filmeags
                                   @festivalcinedeloja
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Divulgação: Imprensa CL 
Entrevistas: imprensacl@terra.com.br
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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Cine Dica: Em Cartaz: ELIS



Sinopse: Cinebiografia conta a história da cantora Elis Regina, que nasceu em 17 de março de 1945, em Porto Alegre. Ela começou a cantar ainda na infância e deixou o Rio Grande Sul para galgar passos mais largos na carreira. Apelidada de Pimentinha, por causa do gênio forte, a estrela lançou clássicos da música popular brasileira, como “Alô Alô Marciano”, “Fascinação” e “Como Nossos Pais”. Ela morreu em 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos, vítima de uma overdose de cocaína e álcool.

Por eu ter nascido em 1980 eu não tive a chance de acompanhar toda a carreira de sucesso da cantora Elis Regina. Porém, foi graças a estações de rádio aqui do RS (como a Continental) que eu pude ter o privilégio de ouvir a sua voz e conhecer ao longo dos anos inúmeras canções que se tornaram clássicas dentro da história da música brasileira. O filme Elis, pode até não ser fiel 100% com relação a todas as passagens da vida dela, mas que pelo menos passa a sua essência.
Dirigido e roteirizado por Hugo Prata, acompanhamos o princípio, sucesso e  queda da cantora Elis Regina (Andreia Horta, ótima), que veio do interior do RS para tentar sucesso como cantora no RJ. Começando a cantar em boates e pequenos auditórios, Elis rapidamente alcançou o estrelato tanto sonhado por ela. Porém, a realidade aos poucos bate a sua porta e ela descobre que sempre haverá um grande preço a se pagar.
Com uma bela reconstituição de época, onde a fotografia exala o clima das três décadas retratadas na tela, o filme começa justamente em 1964, onde Elis começou a dar os seus primeiros passos, mas ao mesmo tempo teve que enfrentar inúmeros obstáculos, desde as mudanças políticas da época, como também o machismo que imperava. O filme acerta ao retratar a personalidade forte da cantora, onde não se intimidava perante homens gananciosos, mas sim respondia à altura para alcançar os seus objetivos.
Não é fácil, portanto, fazer um retrato fiel, não somente físico, como também de uma personalidade distinta e que falava por si. Para atuar como Elis era preciso uma atriz que se entregasse de corpo e alma e coube Andreia Horta (Muita Calma nessa Hora) para alcançar o tal feito. Embora não tenha um físico parecido, Andreia simplesmente encarnou a Elis, mas não somente graças à maquiagem ou penteado, como também os trejeitos e um olhar cheio de força e determinação assim como tinha a cantora.
Contudo, Andreia tem uma voz que não lembra nem de longe a voz intocável da artista. Coube então aos responsáveis pela trilha sonora e mixagem de som em fazer milagre para que nos momentos em que a atriz atuasse cantando nos palcos fosse no mínimo perfeito. Embora a sincronização tenha saído perfeita, foi graças também ao empenho de Andreia que conseguiu passar toda energia e gingado do qual Elis possuía.
Mas se sua imagem e força são um retrato quase fiel de sua pessoa, talvez os fãs mais radicais sintam falta de uma trama da qual explorasse melhor a sua vida nos mínimos detalhes. Todo mundo sabe que o sucesso que ela obteve foi meteórico, mas na adaptação isso foi usado ao pé da letra, já que não leva nem meia hora de projeção e já vemos a cantora fazendo sucesso na TV. Se isso pode ser considerado um defeito, pelo menos, as presenças de alguns nomes importantes de sua vida, sendo alguns que ajudaram a alcançar o estrelato, se destacam em cena e faz com que a gente se esqueça deste deslize.
Ao começar por Ronaldo Bôscoli, primeiro empresário e marido de Elis e que aqui ganha vida na pele de Gustavo Machado (Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios). Ao retratar essa pessoa importante dentro da vida de Elis, Machado não se intimida em cena e passa todo aquele ar de malandro carioca, do qual não esconde somente ambição em conseguir lucro através da voz dela, como também uma paixão da qual nem mesmo ele soube administrar. É o típico personagem do qual a gente odiaria facilmente, mas é graças ao desempenho do ator que faz com que compreendemos, mesmo com todos os seus defeitos, a pessoa que Ronaldo Bôscoli foi para a vida de Elis.
E se Caco Ciocler não convence em cena como César Camargo Mariano (pianista, último marido de Elis e pai de Maria Rita), Julio Andrade (Gonzaga) rouba cena, ao interpretar o cantor e dançarino Lennie Dale e que ajudou Elis a passar energia no palco. Com um visual que, tanto lembra os melhores dançarinos do documentário Dzi Cocrettes, como também a fase áurea de Ney Matogrosso, Andrade rouba a cena toda vez que surge. Aliás, Lennie Dale foi, em parte, o elo com que fez Elis desse de encontro perante regras e leis rígidas da censura criadas pela ditadura na época.
É aí que o filme se encaminha ao cenário que a levou a ter conflitos, tanto familiares, como também de pessoas próximas e consigo mesma. Elis queria somente cantar, mas ao mesmo tempo tinha a tentação de responder contra os algozes dos artistas da época, mas só não fazia isso para se preservar e proteger a sua família: a cena em que vemos a artista cantando para os militares, para logo depois ser censurada pelos seus próprios fãs, é o principio do fim de uma cantora que, querendo ou não, se tornou vitima de um governo golpista da época.
Infelizmente faltou um pouco mais de coragem no retrato de sua queda, do qual envolveu muitos remédios, bebidas e decepções. Não que fosse necessário um retrato mais cru, mas que talvez tenha faltado um pouco mais de coragem vinda dos seus realizadores. Se os minutos finais funcionam, tanto se deve ao desempenho de Andreia Horta, como também as cenas traumáticas mostradas de cada uma das pessoas próximas ela e que se viram fragilizadas perante a notícia de sua partida. 
Mesmo a gente sentindo que faltou um pouco mais de ousadia, Elis é um filme feito com certo cuidado e carinho para os fãs de ontem e hoje da cantora e que sua presença faz falta dentro do universo da música brasileira.  



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