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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Cine Especial: Michael Haneke: O lado sombrio do nosso tempo: FINAL


Nos dias 08 e 09 de outubro eu estarei participando do curso Michael Haneke: O lado sombrio do nosso tempo, criado pelo Cine Um e ministrado pelo jornalista  Bruno Maya. Enquanto os dias da atividade não chegam, por aqui eu irei postar sobre os filmes que o cineasta já fez e analisar um pouco sobre o porquê do seu cinema chocar, mas fascinar.

 

A FITA BRANCA (2010)



Sinopse: Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, estranhos eventos perturbam a calma de uma pequena cidade na Alemanha. Uma corda é colocada como armadilha para derrubar o cavalo do médico, um celeiro é incendiado, duas crianças são sequestradas e torturadas. Gradualmente, estes incidentes isolados tomam a forma de um sinistro ritual de punição, deixando a cidade em pânico. O professor do coro de crianças e jovens da escola local investiga os acontecimentos para encontrar o responsável, e aos poucos desvela a perturbadora verdade.

Michael Haneke é um diretor ousado ao fazer inúmeras analises sobre a maldade e a loucura humana. Filmes como A Professora e o Piano e Violência Gratuita que são retratos do lado sombrio e louco da alma humana e que simplesmente não existe explicação do porque ser assim. Em seu novo filme é mais ou menos isso, não há explicação.
Através de eventos estranhos que acontece em um vilarejo, o diretor investiga cada traço dos rostos dos seus personagens que, vão se transformando ao longo da projeção, faz um verdadeiro retrato dos costumes desse lugar e que vai caindo à máscara aos poucos, e com isso, seriam eles os responsáveis pelas atrocidades que estão acontecendo? O diretor não dá respostas, ele simplesmente dá ao espectador, através da vida de cada uma dessas pessoas do vilarejo, uma pequena dica do que viria mais tarde, tanto na primeira, como na Segunda Guerra mundial na qual. O país se enterraria e seria responsável, em parte, por uma das maiores atrocidades contra a humanidade. Destaque pela fantástica fotografia em preto e branco como nunca antes vista em muito tempo.

 
AMOR (2013)



Sinopse: Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva) são um casal de aposentados, que costumava dar aulas de música. Eles têm uma filha musicista que vive com a família em um país estrangeiro. Certo dia, Anne sofre um derrame e fica com um lado do corpo paralisado. O casal de idosos passa por graves obstáculos, que colocarão o seu amor em teste.
 “Pessimismo” é a palavra que melhor define a filmografia de Michael Haneke como um todo. Nos seus filmes, os seus personagens nos incomodam, nos fazer pensar e nos surpreendem pelas suas atitudes imprevisíveis, mas ao mesmo tempo humanas. Em Amor, embora seja um filme leve se comparado a outras obras do cineasta, não deixa de ser incomodo o fato que, o que vemos na tela, nada mais é do que um retrato de uma situação que todos nós um dia iremos passar queira ou não.
O filme já começa com isso, onde vemos um grupo de bombeiros e policiais arrombando um apartamento, para então encontrar uma idosa, jaz morta em seu leito. Haneke já de cara nos prepara o terreno para o que estar por vir e mesmo à gente já sabendo o que irá acontecer, mas até lá, vemos a degradação psicológica e física que o casal de idosos protagonista passa, devido ao fato da esposa ter sofrido um derrame. Raramente outros personagens de fora contracenam com eles (a não ser um pianista ou a filha), sendo que aquele universo apresentado por nós é somente eles e o apartamento que, embora esse último esteja cheio de riquezas culturais como livros e musicas,  aos poucos se torna um cenário mórbido, mesmo não havendo nenhuma alteração.
Não há salvação, nem esperança, apenas as coisas vão acontecendo e piorando. Nestes momentos, é quando Jean Luis Trintignant e Emmanuelle Riva se sobressaem e principalmente ela, que nos surpreende no princípio do filme, onde a sua personagem dá os primeiros sinais de um mal que estará por vir. Mas não há como negar que  Trintignant  é quem rouba o filme da metade para o final, sendo que seu personagem começa a sentir o grande peso que é de ter que cuidar de sua esposa, que cada vez mais se distancia dessa vida. O ator  consegue passar para o espectador controle, mas ao mesmo tempo um desespero interior do seu personagem, que o leva a uma difícil decisão que, embora possa ser terrível para alguns, fez na verdade por amor a esposa, por mais mórbido que seja.
Mesmo com esse retrato sobre o fim da vida de cada um de nós, Michael Haneke nos brinda com momentos nos quais nos dá certa esperança, mas isso somente aflora dependendo de cada pessoa que for assistir, sendo crente ou não sobre os significados da vida e da morte. É um filme que vai junto com a gente quando nos saímos de dentro do cinema e que, embora não nos traga nenhuma sensação agradável, sabemos que acabamos de assistir algo diferente e ao mesmo tempo familiar para todos nós.


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