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Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 69 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Cine Especial: Cinema Explícito: Êxtase, censura e transgressão: Parte 3

Nos dias 22 e 23 de outubro eu estarei participando do curso Cinema Explícito: Êxtase, censura e transgressão, criado pelo Cine Um e ministrado pelo escritor e crítico de cinema Rodrigo Gerace. Enquanto os dias da atividade não chegam, por aqui eu irei relembrar um pouco dos principais filmes do cinema explicito, dos quais não só nos excita como também nos provoca e nos faz pensar. 
 

O sexo "softcore"


Na postagem anterior eu dei destaque sobre os motivos que levaram os produtores da Boca do Lixo em abandonar o lado inocente do subgênero da Pornochanchada  e investindo mais em filmes de sexo explicito. Mas essa virada não durou muito, pois veio a crise econômica da época e explosão do VHS, onde o freguês poderia ver tranquilo um filme pornô em sua casa.  Parecia então que os filmes eróticos inocentes entrariam então numa espécie de extinção, mas só parecia.
Entre anos 80 e 90 surgiu o subgênero "softcore", que são filmes eróticos, mas não exatamente explícitos, pois se houvesse cenas com pênis eretos, penetração e ejaculação eram então vetados. O que parecia ser um tiro no pé perante o mercado forte da pornografia em vídeo, acabou então se tornando um bom lucro e visto pelo público brasileiro com bons olhos, já que boa parte desses filmes se podia ser vistos de graça na TV. Em 1993 a Band havia criado uma sessão para esses filmes, intitulado Sexta Sexy, mas foi somente em 1995, com a criação do Cine Band Privé que esses filmes ganharam o grande público e fazendo com que o canal sempre se tornasse líder de audiência nas madrugadas de sábado para domingo por um bom tempo. 
Inúmeros títulos são muitos bem lembrados pelo público até hoje, como no caso dos telefilmes de Emmanuelle da França e dos EUA (aquele em que ela vai para o espaço). Na realidade sou da geração que conheceu a personagem somente nessas madrugadas e só posteriormente soube que todos esses filmes nasceram graças ao clássico de 1974 e que foi estrelado pela atriz holandesa Sylvia Kristel. Desse período do Cine Band Privé, destaco também a atriz Kira Reed, que havia estrelado inúmeros filmes pela Playboy,como no caso de Desejo e Ganância e se tornou então uma das minhas preferidas.  
É claro que todo o seu auge tem também a sua decadência e o Cine Band Privé começou  perder a sua força no momento que a internet começou a cada vez ser mais acessível para os brasileiros e assistir filmes pornôs se tornou para o bem ou para o mau muito fácil. Em homenagem a esse período, segue abaixo um vídeo com os dez filmes mais reprisados no Cine Band Privé. Cliquem aqui. 

   

Anos 90: Sexo, suspense e atrações bizarras


Enquanto o softcore e a pornografia dominavam as locadoras, o cinema de Hollywood começou aos poucos a explorar esse público interessado em curtir uma trama envolvendo muito sexo, mas ao mesmo tempo contendo tramas no mínimo originais. Isso gerou uma mistura de inúmeros gêneros um dentro do outro e destaco mais precisamente esses abaixo. 


Atração Fatal (1987)


Embora seja um filme de 1987, ele era muito a frente do seu tempo, pois reuniria ingredientes do cinema erótico/suspense que viríamos muito na década de 90. Dirigido por Adrian Lyne ( Flashdance), o filme fez com que muitos homens pensassem antes de pular a cerca, pois a infidelidade poderia se tornar num verdadeiro inferno. Em Atração Fatal, Dan Gallagher (Michael Douglas) sente na pele isso.
Após ter apenas algumas horas de diversão com Alex Forrest (Glenn Close), ela começa a perseguir incontrolavelmente Dan, ao ponto de fazer certos terrorismos explícitos. Atenção para cena aonde a mulher de Dan (Anne Archer) descobre o que está cozinhando na panela ao chegar em sua casa. Se o filme era visto como a frente do seu tempo nos anos 90, atualmente podemos interpretá-lo também como um sinal de alerta para o período, pois na época a AIDS estava estourando na mídia e a idéia de ter uma amante psicopata seria uma forma ideal para os homens pensarem em ligar o sinal de alerta antes de adquirir certos problemas futuramente.  
     
 

Instinto Selvagem (1993)

Instinto Selvagem foi um dos grandes sucessos de público e crítica no início da década de 90 e que lançou a atriz Sharon Stone ao estrelato. Boa parte do seu sucesso se deve ao ótimo suspense orquestrado pelo diretor Paul Verhoeven que, em vários momentos da película, lembra em muito os momentos de originalidade dos filmes de Alfred Hitchcock e Sharon Stone, por sua vez, usa o cabelo no interrogatório idêntico a de Kin Novak em Um Corpo que Cai. 
Claro que as cenas de sexo explicito também chamou bastante atenção, sendo que as cenas de Michael Douglas com a atriz foram bem reais e com certeza pioraram a situação de Douglas, pois neste tempo ele era viciado em fazer sexo, sendo algo que acabou se tratando mais tarde. Só assim mesmo para o casamento dele com Caterine Zeta Jones durar até hoje. Sharon Stone por sua vez fez o papel de sua vida, como escritora manipuladora, que simplesmente sabe manipular os personagens que rodeiam ela. Os únicos que não confiam nela são próprio espectador, pois sabe desde o início que ela não é flor que se cheire, mas se alguém tinha dúvida sobre se ela era culpada ou não dos seus crimes, tudo é respondido num final rápido e perturbador.
Na época, houve manifestações dos gays e lésbicas contra o filme da maneira com que eles eram retratados, pois sendo a protagonista bissexual e possível criminosa da trama, o grupo não gostou nada disso. Outra coisa que incomodou foi ar de anti gay, principalmente na parte da danceteria. O próprio diretor por sua vez se defendeu dizendo que jamais queria transmitir isso, contudo ficou essa sensação no ar.
E como todo bom filme, Instinto Selvagem não poderia deixar de ter uma cena marcante que entrasse para história: a cena do interrogatório em que a atriz cruza as suas pernas e mostra que deixou alguma coisa em casa é desde já uma das mais marcantes dos anos 90. Por conta disso, as fábricas de calcinha tiveram uma leve baixa nas vendas do produto. Porque que será né?
Mais de vinte anos depois, o filme continua mais atual do que nunca e um dos filmes mais lembrados da década de 90! 



Crash - Estranhos Prazeres (1996)


A violência e o sexo são temas até bastante explorados na filmografia de David Cronenberg, mas unidos numa mesma forma, somente mesmo neste filme de 1996 que causou a maior polêmica, mas colecionou elogios e prêmios no mundo a fora. Acredito que, para Cronenberg, o ato sexual se assemelha a um ato de violência, e ao mesmo tempo, a violência e o ato sexual é um ato de prazer que, unidos juntos, tornam o prazer em dobro e irresistível. Só mesmo dessa forma para explicar a razão de um grupo de pessoas (de um possível futuro próximo) terem prazer em se acidentar de carro, para depois começar o sexo, mesmo entre as ferragens do veiculo, após o acidente. Porque eles fazem isso? Os personagens simplesmente são jogados na tela, não tendo nenhuma explicação plausível do porque agirem assim, mas isso seria tão absurdo? Talvez a mensagem que o filme passe é que eles estejam vivendo ao máximo e pondo para fora os seus desejos selvagens e primitivos, já que as outras formas de comunicação já não são mais possíveis, pela possibilidade delas terem tornados banais e dispensáveis neste futuro, aparentemente, caótico.
Baseado no livro escrito por J.G. Ballard, o filme possui um elenco que estava fazendo um relativo sucesso nos anos 90, como no caso de James Spader (Sexos, Mentiras e vídeo tape) totalmente à vontade como o cara novo nesse grupo estranho de pessoas, mas dando uma de veterano e entendedor no assunto, e Holly Hunt (O Piano) mais do que a vontade ao tirar a roupa em cenas de pura tensão.

 

Ligadas pelo Desejo (1996)


Violet (Jennifer Tilly) está cansada de ser maltratada pelo seu marido, Caesar (Joe Pantoliano), um chefão da Máfia. Ela acaba se envolvendo em uma relação homossexual com uma ex-presidiária Corky (Gina Gershon) e, ambas acabam se apaixonando. Com o objetivo de ficarem livres, armam um plano para matar Caesar, ficar com seu dinheiro e fugir.  Primeiro grande sucesso de critica da carreira das irmãs Wachowski (Matrix), onde elas criam um elegante clima noir contemporâneo, enlaçado com um intenso relacionamento entre as protagonistas que deu o que falar na época. Atenção para a primeira noite de sexo entre as duas protagonistas, sendo ela muito bem filmada e excitante.  
Semana que vem tem mais. Até lá.


Mais informações e inscrições para o curso você clica aqui.


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