Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 69 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Cine Dica: Em Cartaz: O ROUBO DA TAÇA


Sinopse:Rio de Janeiro, 1983. O corretor de seguros Peralta está atolado em dívidas e tem a ideia de invadir a sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Com a ajuda do amigo Borracha, ele rouba a Taça Jules Rimet, que o Brasil venceu na Copa do Mundo de Futebol do México, em 1970.

Muitas vezes surgem casos em que a situação é tão absurda que supera qualquer filme de ficção. O roubo da taça Jules Rimet é um desses casos de situações que beiram ao absurdo, ao ponto de se tornar tragicômico. Não é de se surpreender que, mais cedo ou mais tarde, haveria uma adaptação que levasse para as telas aquela história cabeluda e O Roubo da Taça veio para nos brindar com uma comédia caprichada e nostálgica.
Estamos em 1983, onde o Brasil ainda sofre nas mãos de um governo golpista, mas que começa a dar sinais de despedida. Nesse cenário de cores quentes, mas sem muita esperança com relação ao futuro, o brasileiro aposta as suas fichas de felicidade no futebol, mas não se dando conta que a própria CBF, nada mais era do que uma representação do próprio governo falido do país. Isso acabou gerando o desaparecimento da Taça Jules Rimet dentro da própria sede, sendo que poderia ter sido evitado, se não fosse um erro grotesco e fora do normal vindo das mãos do Presidente da época (Stepan Nercessian).
Vindo de documentários, Caio Ortiz cria uma ácida comédia de humor, por vezes pastelão, onde vemos a figura do malandro carioca, representada pelo personagem Peralta (Paulo Tiefenthaler) tentar a sua última jogada desesperada para pagar suas dividas de vida ou morte. Roubar a replica da taça seria até uma boa idéia. Porém, ela se torna má, no momento que o protagonista descobre que roubou justamente a taça verdadeira, mas graças a um erro criado pelo próprio Presidente da CBF.
O roteiro não poupa os personagens centrais ao se meterem em situações absurdas graças à batata quente que tem em mãos. Segundo o próprio cineasta, as situações que mais beiram ao surreal na trama, são momentos que realmente aconteceram na vida real. Por mais que isso possa ser questionado, os personagens e suas motivações vistos na tela são de um grau de verossimilhança que nos convence e o absurdo acaba se tornando convincente.
Claro que o roteiro somente funcionária graças a um ótimo elenco e é exatamente isso que a produção tem. Paulo Tiefenthaler faz do seu Peralta uma espécie de malandro do RJ marcado pela decadência, mas não deixando de lado a persistência em se dar bem, mesmo quando faz de tudo para só se dar mal. Mas é Tais Araujo, que ao fazer Dolores, esposa de Peralta, que dá um verdadeiro show de humor, sensualidade e nos surpreendendo até mesmo nos minutos finais da trama.
Tecnicamente o filme é um colírio para os olhos, pois Ortiz caprichou na reconstituição da época. A RJ de 1983 é vista aqui com cores quentes, exalando um frescor de uma época já distante, mas que nos cria uma deliciosa sensação de nostalgia. Moda, costumes e política se cruzam nessa reconstituição de época e sintetizando muito bem o principio do fim daquele período de tempos de chumbo. 
O Roubo da Taça é uma deliciosa comédia brasileira que, diferente de outras descartáveis, nos faz rir da situação absurda, mas bem convidativa. 


 
Me sigam no Facebook, twitter e Google+

Nenhum comentário: