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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cine Dica: Em Cartaz: OS 33



Sinopse: Capiapó, Chile. Um desmoronamento faz com que a única entrada e saída de uma mina seja lacrada, prendendo 33 mineradores a mais de 700 metros abaixo do nível do mar. Eles ficam em um lugar chamado refúgio e, liderados por Mario Sepúlveda (Antonio Banderas), precisam racionar o alimento disponível. Paralelamente, o Ministro da Energia Laurence Golborne (Rodrigo Santoro) faz o possível para conseguir que os mineiros sejam resgatados, enfrentando dificuldades técnicas e o próprio tempo.


O filme Os 33, dirigido pela mexicana Patricia Riggen baseia-se no livro do jornalista norte-americano Hector Tobar, narrando a odisseia dos mineiros que permaneceram quase setenta dias nas profundezas da montanha, tentando resistir, com restrição de comida e água, além de tentarem manter as baterias dos meios de iluminação, seja dos capacetes que usavam seja dos spots no espaço que estava dedicado aos intervalos de jornadas e sobrevivência em caso de acidente. O roteiro de Mikko Alane, Craig Borten, José Rivera e Michael Thomas foi talvez à pedra no sapato para a adaptação do livro de Tobar. A empresa de Hollywood 20th Century Fox adquiriu os direitos de filmagem e começou exigindo as falas em inglês para americano comum entender.
A diretora então achou coerente colocar seu elenco falando com um sotaque como os personagens dos westerns ou os hispanos que se ouvia antigamente. Pesares a parte, há seqüências verdadeiras incluídas no trabalho. O caso das transmissões de TV e algumas cenas do acampamento que se formou nas vizinhanças da mina onde os familiares dos soterrados, depois a imprensa em geral, permaneceram acompanhando as tentativas de resgate. E é nestas tentativas que reside o suspense ainda preservado na apreciação do filme, mesmo todos nós já sabendo como tudo irá terminar. 
Os 33 consegue ser, apesar de manter determinados moldes ridículos para americano entender, é um filme deveras intenso, onde a ação se modula pela eficiente montagem a partir de planos tomados em câmera manual e uma bem equilibrada iluminação responsabilidade do fotografo Checco Varese. Infelizmente o filme não dá espaço para todos os personagens, já que o numero é grande. O líder do grupo, interpretado por Antonio Banderas, é talvez o que melhor se destaca, mas isso já era mais do que esperado vindo do veterano ator.
Do lado de fora da mina, há tipos como o de Maria (Juliette Binoche), mulher que espera o irmão mesmo com certo atrito entre eles. Embora num papel pequeno, Juliette sempre rouba a cena quando surge, mesmo sendo uma francesa atuando num papel chinelo e que com certeza muitos acharam meio estranho isso. Na verdade a maioria dos personagens que se destacam nem são  interpretados por atores chinelos, sendo que temos até o nosso Rodrigo Santoro ensaiando um estereótipo que leva o drama dos mineiros à dimensão política e se sobressai nessa atuação representando a única pessoa do governo do presidente Sebastian Piñera a manter o objetivo de tirar os 33 soterrados do local, uma vez que o Ministério de Minas considera um caso encerrado já nos primeiros dias do acidente. Mas em 27  de agosto é criado a Superintendência de Minas. 
Os 33, embora nada acrescente ao que se sabe de um fato amplamente divulgado no mundo todo merece ser visto. E fica para o cinéfilo um caso de consciência ao saber por legendas que os homens que por pouco não morreram em serviço não foram indenizados (e certamente perderam o emprego, pois a mina fechou). Eles aparecem no final da projeção festejando estarem vivos e se dizendo sempre irmãos. 


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