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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Cine Dica: Retrospectiva Werner Schroeter na Sala P. F . Gastal

A partir de terça-feira, 18 de agosto, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) exibe em parceria com o Goethe-Institut uma retrospectiva com dez filmes de Werner Schroeter, um dos nomes mais radicais do cinema moderno alemão. Com projeção em blu-ray, a mostra tem entrada franca.

WERNER SCHROETER

Embora o cinema de Werner Schroeter tenha nascido no espírito do Novo Cinema Alemão e tenha feito parte deste movimento desde o início, seu estilo o diferencia dos outros cineastas do período. Schroeter criou uma estética própria que é marcante em todos os seus filmes, sejam de ficção ou documentários, algo que o deixou numa posição marginal dentro do Novo Cinema Alemão. Amante de óperas, Schroeter usa imagens extremamente estilizadas e iconográficas, com uma linguagem opulenta e expressionista. Suas obras obedecem rigorosamente a um ideal artístico e são tão inovadoras quanto provocadoras.

Os primeiros filmes de Schroeter, Argila e Eika Katappa, ainda no final dos anos 1960, expandem as fronteiras do cinema narrativo tradicional a partir de telas múltiplas e colagens experimentais. Na década de 1970, realiza alguns de suas obras mais célebres, transitando por estilos e territórios distintos. Entre elas, A Morte de Maria Malibran, uma homenagem singular a grandes divas do canto, da personagem-título a Maria Callas e Janis Joplin, o surrealismo californiano de Willow Springs, o romantismo brega de influência mexicana em Anjo Negro e a Cuba imaginária de Os Flocos de Ouro.    

“Schroeter é o Cocteau do nosso tempo. O cinema de Werner Schroeter é a mais pura magia, ele cria um novo mundo, um novo tempo, cheio de artifício e beleza. Visões de um reino imaginário onde tudo é permitido. Magic Werner, Magic Cinema.” Libération 4/9/2008

“Você faz, ou você não faz” disse Werner Schroeter numa entrevista para o jornal alemão Berliner Zeitung, resumindo assim, em poucas palavras, a ideia básica do chamado Novo Cinema Alemão. Foi com esse espírito que começaram os grandes mestres do Novo Cinema Alemão: Herzog, Fassbinder, Wenders, Schlöndorff - e Werner Schroeter. Naquela época houve uma ruptura radical com a forma com que até então se entendia e se fazia cinema: o diretor tornava-se o autor dos seus filmes, o objetivo não era mais o sucesso comercial, mas a relevância da temática política e social. Começava um movimento que pretendia distanciar os filmes da perspectiva de investimento e retorno financeiro e garantir o máximo de liberdade ao cineasta. Os filmes não deveriam mais apenas entreter o público, mas provocar um debate sobre questões sociais e políticas. Especialmente nos primeiros anos, foram realizados muitos filmes com orçamentos baixíssimos, muitas vezes movidos somente pelo idealismo e pela convicção dos cineastas e de suas equipes: nascia o Novo Cinema Alemão.

Werner Schroeter nasceu em 1945, na Alemanha. Começou a fazer cinema de forma autodidata no final dos anos 60, com filmes experimentais em super 8 e 16mm. O seu primeiro longa-metragem, “Eika Katappa”, de 1969, já despertou o interesse da crítica e do público. A partir dos anos 1970, paralelamente às suas produções para o cinema, Schroeter passou a encenar espetáculos de ópera e de teatro, tanto na Alemanha quanto em palcos internacionais.


FILMES

ARGILA
1969, 33 min, ficção, 18 anos
Essa obra experimental de Werner Schroeter faz parte de seus primeiros trabalhos e foi criada em forma de projeção dupla. O filme utilizado como base exibe um homem e três mulheres, duas interagem diretamente com ele, a terceira comenta os acontecimentos. O filme é projetado uma vez em cópia muda em preto e branco e uma colorida e sonorizada na outra metade da tela. A cópia em preto e branco começa um minuto mais cedo, com esse adiantamento, a cor e o som tornam-se uma lembrança complementar das imagens já vistas.

EIKA KATAPPA
1969, 143 min, ficção, 18 anos
Uma colagem experimental de Werner Schroeter de imagens e sons assíncronos, sem vínculo direto e explícito. O vínculo é criado inicialmente na cabeça do público. Aqui se forma um contexto entre lendas antigas, opereta, cinema, show, Beethoven, Maria Callas, Verdi e Caterina Valente. O filme foi exibido em 1970, na Quinzaine des realisateurs do Festival de Cannes.

PILOTO DE BOMBARDEIO (Der Bomberpilot)
1970, 65 min, ficção, 18 anos
Este é o primeiro trabalho de Werner Schroeter para a televisão alemã. O filme narra a carreira de três mulheres como cantoras e dançarinas, desde o tempo do nazismo até o milagre econômico nos anos 1950 e 60.

A MORTE DE MARIA MALIBRAN (Der Tod der Maria Malibran)
1972, 104 min, ficção, 18 anos
A meio-soprano Maria Malibran, cujas voz e beleza conquistaram os corações de Rossini e Bellini, faleceu em 1836 com 26 anos em decorrência de uma queda do cavalo. O filme não pretende ser biográfico, mas destina-se ao seu mito e seu misticismo, apresentando Magdalena Montezuma e Candy Darling nos papéis principais. O filme retrata os pontos fortes e fracos das divas, independente do século; de Maria Callas a Janis Joplin, as Malibrans modernas, a quem Werner Schroeter dedica esse filme.

WILLOW SPRINGS  
1973, 78 min, ficção
Três mulheres levam uma vida recatada no deserto californiano e sentem-se ameaçadas pela chegada de um homem estranho. O filme conta a história de um humor surreal como um sonho, caracterizado por identidades femininas descontinuadas.

ANJO NEGRO (Der schwarze Engel)
1974, 71 min, ficção
O filme começa com imagens documentais e comentários em voice-over sobre a Cidade do México, conduzindo o espectador por uma viagem mística de duas turistas, uma alemã e uma secretária da embaixada americana, que buscam o sentido de vida e realização pessoal nas ruínas dos Deuses Incas. O próprio Schroeter descreve a sua obra como ‘piada nostálgica, uma farsa barata’ - romantismo brega e colonialista.

OS FLOCOS DE OURO (Goldflocken)
1976, 160 min
O filme se passa em Cuba (inventada), na França, na região do Ruhr e na Baviera, é falado em vários idiomas e dividido em quatro atos. Schroeter reflete sobre destino e moral e a atriz Bulle Ogier comenta esse filme mais tarde: ‘As sequências em preto e branco são a coisa mais bela que já fiz no cinema. Werner conseguiu captar a fragilidade, a transparência delicada dentro de mim. Assim como com Andréa Ferréol, que nunca esteve mais sexy e mais renoir em um filme de cinema’.

DIA DOS IDIOTAS (Tag der Idioten)
1981, 106 min
O que se passa na cabeça da bela Carol Schneider? Ela não se encaixa na vida normal. Tenta escapar com todos os recursos: grita, chora, xinga e implora pela atenção de seu apático amante Alexander. "Matem-me!" ela grite para o nada. O seu comportamento a leva à internação em um manicômio. Aqui ela quer ficar para sempre, apesar de continuar isolada. Finalmente, ela recebe alta, está curada. Os muros do manicômio desabam e Carol é atropelada por um carro. – Reflexão com aspecto surreal sobre a fuga do manicômio.

CONCÍLIO DE AMOR (Liebeskonzil)
1982, 90 min
Com raiva sobre as atividades depravadas das pessoas na época da renascença, Deus convoca um concílio no céu e se consulta com Maria, Jesus e o Diabo sobre a possibilidade de castigar as pessoas e ao mesmo tempo resgatar suas almas, para que ainda tenham súditos no reino do céu. Finalmente o Diabo é incumbido de encontrar esse castigo. Ele gera uma filha com Salomé que vai à corte imoral do Papa Borgia Alexander VI para contagiar as pessoas com sífilis. – Filmagem da peça de teatro de Oskar Panizza (1853-1921) em uma encenação do Teatro Belli em Roma. A ação principal do filme é o processo contra Panizza, que em 1895 é condenado a um ano de prisão por blasfêmia em "Concílio de amor", e mais tarde acaba no manicômio.

DE L’ARGENTINE  
1986, 94 min, documentário
Documentário sobre os pavores e a tortura da ditadura militar argentina. Werner Schroeter compara as informações oficiais publicadas pelo regime militar aos depoimentos de vítimas, dissidentes e as famílias dos “desaparecidos”.  A partir da intimidade com os entrevistados, através de sua mímica e suas palavras, o filme transmite o pavor da violência. 

GRADE DE HORÁRIOS
18 a 30 de agosto de 2015


18 de agosto (terça-feira)
17:00 – Os Flocos de Ouro (1976)
20:00 – A Morte de Maria Malibran (1972)

19 de agosto (quarta-feira)
17:00 – Dia dos Idiotas (1981)
19:30 – Eika Katappa (1969)

20 de agosto (quinta-feira)
17:00 – Concílio de Amor (1982)
19:30 – Willow Springs (1973)

21 de agosto (sexta-feira)
17:00 – De l'Argentine (1985)
19:30 – Anjo Negro (1974)

22 de agosto (sábado)
15:00 – Argila (1969) + Piloto de Bombardeio (1970)
17:00 – Willow Springs (1973)
19:00 – Os Flocos de Ouro (1976)

23 de agosto (domingo)
15:00 – Dia dos Idiotas (1981)
17:00 – Concílio de Amor (1982)
19:00 – De l'Argentine (1985)

25 de agosto (terça-feira)
17:00 – Anjo Negro (1974)
19:00 – Willow Springs (1969)
20:30 – Sessão Plataforma

26 de agosto (quarta-feira)
17:00 – A Morte de Maria Malibran (1972)
19:00 – Os Flocos de Ouro (1976)

27 de agosto (quinta-feira)
17:00 – Concílio de Amor (1982)
19:00 – Dia dos Idiotas (1981)

28 de agosto (sexta-feira)
17:00 – Argila (1969) + Piloto de Bombardeio (1970)
19:00 – Eika Katappa (1969)

29 de agosto (sábado)
15:00 – Anjo Negro (1974)
17:00 – A Morte de Maria Malibran (1972)
19:00 – Sessão Plataforma (reprise)

30 de agosto (domingo)
15:00 – De l'Argentine (1985)
17:00 – Argila (1969) + Piloto de Bombardeio (1970)
19:00 – Eika Katappa (1969)
  
Sala P. F. Gastal
Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia
Av. Pres. João Goulart, 551 - 3º andar - Usina do Gasômetro
Fone 3289 8133
www.salapfgastal.blogspot.com

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