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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cine Dica: Em Cartaz: "ELA"



 SPIKE JONZE NOS BRINDA COM UMA BELA FÁBULA ROMÂNTICA CONTEMPORÂNEA E INUSITADA


Sinopse: Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor solitário, que acaba de comprar um novo sistema operacional para seu computador. Para a sua surpresa, ele acaba se apaixonando pela voz deste programa informático, dando início a uma relação amorosa entre ambos. Esta história de amor incomum explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia.



Quando eu caminho pela rua, percebo as pessoas conversando com seus celulares sem ao menos tocar neles e com isso, tenho a estranha sensação de estarem falando sozinhos. Quando eu vejo duas amigas se encontrarem, elas ficam colocando a conversa em dia, mas não deixam de clicarem em seus smartfones para falar com seus amigos, sendo que alguns deles nem os conhece pessoalmente. Por vezes, eu vejo um relacionamento nascer através das redes sociais, onde o casal se relaciona muito bem dessa maneira por anos, mas quando se encontram pessoalmente se perde o brilho.

Tudo isso eu enxergo atualmente, onde os meios de comunicação estão cada vez mais fáceis graças ao avanço da tecnologia, mas ao mesmo tempo, me parece que as pessoas estão cada vez mais preguiçosas em querer se relacionar da forma como era antigamente. Ou então, me parece que está cada vez mais difícil compreender a pessoa que ama e a tecnologia, para se conversar a distancia, se torna ainda mais sedutora e sem dar dor de cabeça. Mas dai eu paro e penso assim: e o que aconteceria se a própria tecnologia criasse uma forma para a pessoa voltar a saber se sentir como um ser humano de antigamente com relação aos sentimentos vindos do coração?   

É mais ou menos isso que acontece com Theodore (Joaquin Phoenix ótimo), cuja sua profissão é passar sentimento nas cartas que as pessoas escreverem para outras pessoas pelo computador. Contudo, ele não consegue com ele próprio se relacionar mais direito com o próximo, principalmente após ter se separado de sua esposa (Rooney Mara). Certo dia, ele compra um programa para o seu PC e móvel, capaz de não somente administrar o seu serviço, como também se relacionar com ele.

Isso somente acontece graças ao fato do programa ter um sentimento praticamente idêntico  de um ser humano. O programa se chama Samantha (voz de Scarlett Johansson), que no momento que é ativada, imediatamente surge uma química entre ela e o protagonista, se tornando amigos e até mesmo namorados. A partir daí, se inicia um relacionamento como outro qualquer, de altos e baixos e por incrível que pareça nos convencendo que esse amor imprevisível é realmente real.   

Essa relação nos convence, porque a gente se enxerga nele, pois uma vez ou outra na vida, nós já nos relacionamos com alguém assim, pelo menos em redes sociais. A diferença está no fato de eles jamais poderem se tocar algum dia. Mas se pensarmos bem acontece também com muitos casais que se relacionam a distancia e se tornando impossível o contato algum dia.  

Claro, que fora o fato de nos identificarmos com a situação, nada funcionaria se a química e autenticidade do casal não funcionasse, mas ela funciona perfeitamente. Joaquin Phoenix nos brinda novamente com um grande desempenho, onde ele passa as suas sensações de conflito, amor, tristeza e até mesmo ciúmes quando Samantha, por exemplo, começa a conversar com outro programa. Já Scarlett Johansson, ouso dizer que aqui ela nos apresenta o seu melhor desempenho, mesmo com o fato de a gente somente ouvirmos a sua voz. Sempre considerei o fato de sua beleza ofuscar por demais os seus desempenhos nas telas e como aqui nós não a enxergamos, da a entender que ela se sente completamente à vontade para expor todos os sentimentos que Samanha sente e vai aprendendo a sentir no decorrer da relação com Theodore.  

Além de o casal nos conquistar, Spike Jonze acerta em cheio ao criar um futuro não muito distante, mas que facilmente é identificável, pois a tecnologia vista na trama não é muito diferente do que nós vemos no nosso dia a dia. Não há carros voadores, tão pouco um visual apocalíptico, mas sim um mundo reconfortante, mesmo com o fato de retratar uma sociedade que tem cada vez mais dificuldade de se relacionar. Não me surpreenderia então, se daqui algum tempo "ELA" venha a ser reconhecido como um dos filmes que melhor sintetizou o que foi a nossa sociedade contemporânea atual.

Com todos esses louros, o filme ainda nos faz sentir um verdadeiro soco no estômago no ato final da trama, pois se compramos a idéia de que aquele relacionamento é realmente genuíno, acabamos por então sentirmos os altos e baixos do casório acaba enfrentando. Os minutos finais provocam na gente conflitos internos, o desejo de a gente querer que eles fiquem para sempre juntos e nem mesmo o cinéfilo com o mais duro coração deixará de escorrer uma lágrima no seu rosto. Com essa montanha russa de sentimentos e identificação que sentimos pela trama, não me admira que o roteiro tenha se tornado franco favorito para o próximo Oscar.

Com a participação ainda da sempre competente Amy Adams (O Vencedor) "ELA" é um filme delicado, que expressa o que nós somos atualmente e que nos mostra quais os meios de voltarmos a nos relacionar como antigamente, sem medo e com desejo de vivermos uma boa relação amorosa e com total plenitude.     



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