Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 65 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

terça-feira, 30 de abril de 2013

Cine Dica: Em Cartaz: HOMEM DE FERRO 3

MARVEL SE ARRISCA  E CRIA UMA TRAMA QUE DIVIDIRÁ O PUBLICO.
Sinopse: Desde o ataque dos chitauri a Nova York, Tony Stark (Robert Downey Jr.) vem enfrentando dificuldades para dormir e, quando consegue, tem terríveis pesadelos. Ele teme não conseguir proteger sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) dos vários inimigos que passou a ter após vestir a armadura do Homem de Ferro. Um deles, o Mandarim (Ben Kingsley), decide atacá-lo com força total, destruindo sua mansão e colocando a vida de Pepper em risco. Para enfrentá-lo Stark precisará ressurgir do fundo do mar, para onde foi levado junto com os destroços da mansão, e superar seu maior medo: o de fracassar.

Verdade seja dita: os filmes do Homem De Ferro jamais seriam a mesma coisa sem a presença magnética de Robert Downey Jr, sendo que o ator criou uma personalidade para o personagem que nos contagia e faz com que sua contra parte das HQ meio que se torne apática. Portanto, é de se perdoar, se às vezes em alguns momentos a mais nova aventura do herói ferroso decepcione, pois basta o ator estar em cena que o cenário muda. Mas se nos filmes anteriores (pré-Vingadores), a Marvel optou por seguir a risca com os seus filmes (sem inventar muito), eis que nesta terceira aventura solo do herói, eles decidem arriscar, injetando novas idéias, que embora manjadas, até que funciona num certo ponto.
Todos esperavam por mudanças é claro, principalmente com o novo diretor do comando:  Shane Black se tornou conhecido nos anos 80 por ter roteirizado os dois primeiros Maquina Mortífera e surpreendeu a critica ao dirigir o eficiente Beijos e Tiros ( também com Robert Downey Jr). Com isso, podemos reparar elementos que vimos em seus filmes anteriores na aventura do ferroso, como humor, enlaçado como momentos sombrios, mas jamais exagerados e de quebra, as cenas que  Robert Downey Jr divide com  Don Cheadle, me fizeram me lembrar os bons tempos de parceria de Mel Gibson e Danny Glover, onde sempre surge uma piada em meio ao tiroteio. Outro ponto a considerar, é que esse filme é o que menos faz referencia ao universo que a Marvel fez no cinema, muito embora os eventos do filme Os Vingadores uma vez ou outra são citados, principalmente pelo fato que o protagonista acabou tendo crise de pânico após ter salvado o mundo em Nova York.
Mas essas seqüelas que o personagem sofre logo se tornam irrelevantes, pois o que surge a seguir, com certeza irá fazer os nerds debaterem por dias a fio. Para começar, todo mundo sabia que o grande vilão da trama seria o Mandarim (Ben Kingsley) e que sua caracterização para as telas, remete logicamente a Osama Bin Laden, pois sempre quando surge, é através de um sinal pirata pelas TVs americanas. Mas não vou entregar muito o jogo aqui, pois contar muito seria estragar a grande (e bombástica) revelação que acontece durante o filme com relação ao personagem. O que eu posso dizer é que se por um lado o publico em geral irá ficar surpreso é até admirado quando uma grande peça chave for revelada, por outro, posso ter absoluta certeza que fãs de carteirinha das HQ (aqueles que levam o seu gibi para o banheiro) irão odiar as mudanças e irão dizer que chuparam a idéia na trilogia de Batman do Nolan.
Eu, mesmo sendo fã de HQ, considerei a revelação (e armação), corajosa, mas arriscada, pois os estúdios já deviam ter aprendido há muito tempo que com fã de gibi não se brinca. A meu ver, essa artimanha toda que inventaram com relação ao vilão, foi para fazer referencias as teorias de que o próprio estado americano cria os seus próprios terroristas para um objetivo maior. Neste caso, em tempos em que a recém o povo americano está se recuperando de um ataque em Boston, a produção acaba se tornando corajosa em tocar num assunto tão espinhoso, principalmente em cenas que toca bem na ferida, como ataque terrorista no teatro da china, que, aliás, é bem tenso.   
Nesta teia de eventos, Guy Pearce e Rebecca Hall se saíram bem interpretando uma espécie de vilões que trabalham em meio aos bastidores, mas que vão crescendo conforme  vai se descascando a cebola cheia de segredos. Para a surpresa de todos, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) surpreende ao se tornar uma (quase) super heroína, numa cena em que ela própria usa a armadura do Tony, durante o ataque da mansão e sua cena final do filme é digna de nota. Agora, se o publico esperar encontrar cenas de ação que superem as espetaculares cenas vista em Vingadores, pode tirar o cavalo da chuva, pois ainda não foi dessa vez que a Marvel conseguiu se superar. Muito embora, as cenas de ação desse filme são bem eficientes, como o já citado ataque contra a mansão do Stark, o ataque à Força Área Um (a melhor de todas) e o surgimento da 40 armaduras que vem salvar o dia no ato final de filme, mas que cá para nos, elas estão ali não somente para fazer o serviço, como também vender mais brinquedos no nosso mundo real.
Com minutos finais que colocam em duvida o futuro do Homem de Ferro no cinema, no saldo geral o filme encerra bem a trilogia, enlaçando todas as pontas soltas que existiam nos filmes anteriores (como no caso do primeiro filme) e deixando terreno livre para até quem sabe um reinício para o personagem no cinema. Mas do jeito que a carruagem anda, imaginar um filme do Homem de Ferro sem Robert Downey Jr seria um verdadeiro tiro no pé que o estúdio faria. Esperemos para ver o que irá acontecer nos próximos anos.

Nota: Não saia da sala até ver o uma cena extra após os créditos, que embora não seja nada importante é bem divertida.   

Me Sigam no Facebook e Twitter:  

domingo, 28 de abril de 2013

Cine Especial: Zé do Caixão: 50 anos de terror: FINAL


Como amanhã começa o curso sobre José Mojica Marins,  encerro por aqui minhas postagens sobre o universo desse cineasta, que fala por si e que não se intimidou em criar filmes chocantes, mesmo numa época que infelizmente foi muito conservadora devido a ditadura militar. Lembrando, que a atividade será ministrada por Carlos Primati, maior especialista do gênero de terror aqui no Brasil e que melhor sabe explicar o legado que Mojica  nos deixou para o nosso cinema brasileiro. Sendo que até mesmo houve uma época que seus filmes faziam mais sucesso lá fora do que aqui.
Por fim, quem acompanhou aqui, espero que tenham gostado e quem for participar comigo amanhã da atividade, adianto que será imperdível.   


Exorcismo Negro 

Sinopse: O cineasta José Mojica Marins vai passar uns tempos no interior, na casa de uma família de amigos. Repentinamente, começam a ocorrer fenômenos paranormais com os familiares. Os acontecimentos estão ligados a um pacto ocorrido no passado e que se relaciona de forma obscura ao personagem Zé do Caixão.

Numa época (anos 70) em que no gênero de terror estava proliferando com os temas como possessão, exorcismo e rituais satânicos, era uma questão de lógica que José Mojica não ficaria muito atrás desse embalo e eis então que ele lança esse filme dentro dessa safra. Curiosamente, Mojica  interpreta ele próprio, buscando inspiração para o seu próximo filme, numa casa de família que são os seus amigos. Mas ao mesmo tempo, coisas sinistras acontecem, fazendo ele mesmo se perguntar se não é ele próprio que esta provocando isso. Claro que as situações que ocorrem durante a trama não são novidades nenhuma dentro do gênero e para aqueles que sempre assistiram. Filmes como O Bebê de Rosemary (filme favorito do diretor), O Exorcista e A Profecia ecoam na nossa cabeça quando assistimos a obra.
Contudo, Mojica foi sabido ao inserir (novamente) sua maior cria: quando chegamos ao ápice da trama, Mojica nos brinda com um duelo do criador com a criatura, que é ninguém mesmo que o próprio Zé do Caixão, que aqui, mais parece um ser do próprio demônio do que uma pessoa sem crença nenhuma. O que da a entender, é que talvez isso fosse uma espécie representação do subconsciente do cineasta, em querer se desvencilhar da sua criatura que lhe marcou para sempre em sua carreira. Mas os segundos finais dão entender que isso dificilmente aconteceria, mas duvido muito que hoje em dia ele reclame disso.

Leia também: Partes 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

Me Sigam no Facebook e Twitter:  

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cine Dicas: Estreias do final de semana (26/04/13)


Homem de Ferro 3 

Sinopse: Desde o ataque dos chitauri a Nova York, Tony Stark (Robert Downey Jr.) vem enfrentando dificuldades para dormir e, quando consegue, tem terríveis pesadelos. Ele teme não conseguir proteger sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) dos vários inimigos que passou a ter após vestir a armadura do Homem de Ferro. Um deles, o Mandarim (Ben Kingsley), decide atacá-lo com força total, destruindo sua mansão e colocando a vida de Pepper em risco. Para enfrentá-lo Stark precisará ressurgir do fundo do mar, para onde foi levado junto com os destroços da mansão, e superar seu maior medo: o de fracassar.

2 Dias em Nova York 

Sinopse: O jornalista e famoso apresentador de um programa de rádio Mingus (Chris Rock) e sua namorada francesa, a fotógrafa Marion (Julie Delpy), vivem confortavelmente num apartamento em Nova York com um gato e dois filhos de relacionamentos anteriores. Porém, quando o animado pai de Marion (interpretado pelo pai de Julie Delpy na vida real, Albert Delpy), sua irmã fogosa, juntamente com seu namorado ofensivo, aparecem sem avisar para uma visita internacional, começa uma confusão familiar que durará por dois dias inesquecíveis. Com franqueza sexual e muita extroversão, o trio não tem limites e ninguém passa despercebido por eles. Os visitantes provocam o casal em todos os quesitos, colocando seu relacionamento à prova.

Atrás da Porta 

Sinopse: Hungria, metade do século 20. A Europa Central ainda sente os efeitos da II Guerra Mundial, que devastou boa parte do continente e deixou marcas que nunca poderão ser apagadas. É neste cenário que a vida de duas mulheres bem diferentes se cruzam de uma maneira especial. Magda (Martina Gedeck) está ganhando cada vez mais notoriedade por seu trabalho como escritora quando conhece a reservada governanta Emerenc (Helen Mirren), que carrega na alma as cicatrizes do passado. As duas iniciam uma amizade emocionante que ultrapassa os limites das convenções sociais.

 
ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA 


Sinopse: Verônica (Hermila Guedes) tem 24 anos e acaba de terminar o curso regular de Medicina. Mora com o pai, José Maria, muito mais velho que ela. A mãe morreu quando ela era ainda pequena. A casa é cheia de discos de vinil antigos. No momento, Verônica não tem mais tempo para discos, para cantar músicas ou mesmo para noitadas com as amigas, pois trabalha em um ambulatório de Psiquiatria de um hospital público. Em uma dessas noites de volta para casa, Verônica, já cansada de tanto ouvir problemas alheios, decide usar o gravador, fiel companheiro das provas da faculdade, para narrar, em forma conto de fadas, os próprios problemas. E começa: Era uma vez eu, uma jovem, brasileira...
  
Margaret Mee e a Flor da Lua 

Sinopse: O trabalho e o legado da artista botânica inglesa Margaret Mee são apresentados neste documentário dirigido pela cineasta Malu De Martino. A britânica se mudou para o Brasil na década de 1950, produziu mais 400 ilustrações sobre a flora brasileira e, através da arte, defendeu a bandeira do ambientalismo.

Um Bom Partido 

Sinopse: Quando George (Gerard Butler) recebe uma segunda chance para se aproximar de seu filho Lewis (Noah Lomax) ele percebe o quanto esteve ausente devido a sua carreira. Agora ele tentará reconstruir sua vida mas para isso precisa reconquistar sua ex -mulher Stacey (Jessica Biel) e mostrar que ele é de fato um bom partido.

    Me Sigam no Facebook e Twitter:

Cine Dica: A Resistência à Ditadura Militar na Sala P. F. Gastal


A RESISTÊNCIA ÀS DITADURAS MILITARES NA AMÉRICA LATINA EM MOSTRA DE FILMES NA SALA P. F. GASTAL
         
A Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) recebe entre os dias 30 de abril e 5 de maio uma mostra de filmes sobre a resistência às ditaduras militares na América Latina, que integra a programação da exposição Movimento de Justiça e Direitos Humanos – Onde a Esperança se Refugiou, em cartaz no andar térreo da Usina do Gasômetro desde o dia 25 de abril. A mostra será inaugurada às 19h do dia 30 de abril, com a pré-estreia do documentário inédito Dossiê Jango, de Paulo Henrique Fontenelle.
Entre os destaques da programação, filmes do cineasta Silvio Tendler (homenageado pelo evento) e produções de impacto como Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski.
Toda a programação, que tem o apoio da Programadora Brasil, projeto do Ministério da Cultura destinado à difusão de filmes brasileiros,  tem entrada franca.
  
PROGRAMAÇÃO
  
Dossiê Jango, de Paulo Henrique Fontenelle (Brasil, 2012, 102 minutos)
Escolha do público do Festival do Rio 2012, o documentário alerta para a necessidade de investigação da morte do presidente e recupera os dias da deposição de João Goulart, seu exílio e morte. Sessão comentada por Christopher Goulart (neto de Jango) e Jair Krischke.
  
Os Anos JK – Uma Trajetória Política, de Silvio Tendler (Brasil, 1980, 110 minutos)
O filme aborda a história do Brasil: a eleição do presidente Juscelino Kubitschek, o nascimento de Brasília, a renúncia do sucessor Jânio Quadros, a crise política, o golpe militar e a cassação dos direitos políticos de JK. O foco é a trajetória política do “Presidente Bossa Nova”, popular entre os artistas, que propunha a aceleração no desenvolvimento do país rumo à modernidade e à ocupação de um lugar entre as potências mundiais. Referência para estudantes e pesquisadores, o filme já foi visto por 800 mil pessoas e ganhou vários prêmios. Sessão comentada pelos historiadores Francisco Cougo e Solon Viola.
  
Marighella – Retrato Falado do Guerrilheiro, de Silvio Tendler (Brasil, 2001, 55 minutos)
Deputado constituinte de 1946 e um dos principais dirigentes do partido Comunista, cassado quando o partido foi posto na ilegalidade, Carlos Marighella foi um dos líderes da luta armada contra a ditadura militar no Brasil. Em 1966, ainda no PC, propôs o caminho da guerrilha e por isso foi expulso. Fundou a Ação Libertadora Nacional, primeiro movimento armado pós-64 do país. O filme retrata a trajetória do professor Marighella, do deputado Marighella, do romântico guerreiro Marighella. Mas, acima de tudo, conta a história do homem Marighella.
  
Utopia e Barbárie, de Silvio Tendler (Brasil, 2010, 120 minutos)
Retrata e interpreta o mundo Pós-Segunda Guerra Mundial e suas transformações, as utopias que nele foram criadas e as barbáries que o pontuaram. Descreve o desmonte das utopias da geração sonhadora de 1968 e analisa a criação de novas utopias nesse mundo globalizado. Sessão comentada pelo diretor Silvio Tendler e por Jair Krischke.
  
Jango, de Sílvio Tendler (Brasil, 1984, 117 minutos)
O documentário captura a efervescência da política brasileira durante a década de 1960 sob o contexto histórico da Guerra Fria. Jango narra exaustivamente os detalhes do golpe e se estende até os movimentos de resistências à ditadura, terminando com a morte do presidente no exílio e imagens de seu funeral, cuja divulgação foi censurada pelo regime militar. Sessão comentada pelos jornalistas Juremir Machado da Silva e Carlos Alberto Kolecza.
  
Atletas e Ditadura – A Geração Perdida, de Marco Antonio Villalobos, Marcelo Outeiral e Milton Cougo (Brasil, 2007, 32 minutos)
A vida era mais segura no alto do pódio. Mas eles preferiram descer e enfrentar um adversário que tinha criado as próprias regras do jogo. "Atletas x Ditadura - A Geração Perdida" é um documentário que revela a cruel relação entre o esporte e a ditadura militar na Argentina. Em apenas oito anos de regime (1976-1983), cerca de 30 mil pessoas morreram ou desapareceram. Entre elas, jovens atletas que deixaram as competições para lutar pela liberdade. O ponto de partida é um discurso do Tenente-General Jorge Rafael Videla na despedida da seleção Argentina de rúgbi, que partia para o Campeonato Mundial, em 1978. No momento em que o ditador celebra a equipe como uma "embaixada da liberdade" no exterior, 17 jogadores do La Plata Rugby Club já tinham desaparecido nas mãos de agentes do seu governo. Com depoimentos e imagens inéditas, Atletas x Ditadura - A Geração Perdida mostra também a história de Adriana Acosta, uma jovem revelação do hóquei sobre a grama que desapareceu três dias antes do início da Copa do Mundo de 1978, uma competição que foi claramente usada como arma de manipulação popular pela ditadura. Nesse período, o tenista Daniel Schapira, que chegou a estar entre os 10 melhores do país, foi morto da Escola de Mecânica da Armada (ESMA), a poucas quadras do estádio Monumental de Nuñez, onde a Argentina conquistou seu primeiro título mundial. O documentário mostra, ainda, detalhes da passagem do corredor Miguel Sánchez pelo Brasil. O atleta foi sequestrado em casa dias depois de voltar da Corrida de São Silvestre, em São Paulo. E pode ter sido o primeiro esportista vítima da Operação Condor. São quatro histórias cruéis e envolventes que ajudam a contar uma parte esquecida de um dos períodos mais sombrios da América do Sul. Sessão comentada pelo diretor e jornalista Marco Antonio Villalobos e pelo historiador Ramiro José dos Reis.
  
Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski (Brasil, 2009, minutos, 93 minutos)
Documentário que foca a vida de Henning Albert Boilesen, ex-presidente da Ultragaz, assassinado pela guerrilha em São Paulo, no dia 15 de abril de 1971. Boilesen, um dinamarquês naturalizado brasileiro, estava intimamente ligado à Operação Bandeirante (Oban), grupo paramilitar criado pelo II Exército para combater os guerrilheiros que lutavam contra a ditadura militar brasileira.
  
Mundial 78 – Verdad o Mentira, de Christian Remoli  (Argentina, 2007, 95 minutos)
Um documentário revelador da verdadeira trama do projeto mais ambicioso da ditadura argentina, a Copa do Mundo da Argentina de 78. Sessão comentada pelo advogado e jornalista Ibsen Pinheiro e pelo jornalista Cláudio Dienstmann. Exibição em espanhol sem legendas.
  
Programa Memória do Movimento Estudantil
Programa que reúne os médias metragens Ou Ficar a Pátria Livre ou Morrer Pelo Brasil e O Afeto que se Encerra em Nosso Peito Juvenil, ambos dirigidos por Silvio Tendler, que resgatam a memória do movimento estudantil, passando por diversos fatos marcantes da história brasileira, através de depoimentos de militantes e dirigentes de entidades representativas da classe, como Vladimir Palmeira, Rui César, Franklin Martins, e imagens de arquivo. Os dois documentários contam esses 70 anos de história a partir de dois pontos de vista. O primeiro deles, Memória do Movimento Estudantil – Ou Ficar a Pátria Livre ou Morrer pelo Brasil, é focado na história política e faz um percurso cronológico sobre o período. Já o segundo, Memória do Movimento Estudantil – O Afeto que se Encerra em Nosso Peito Juvenil, é mais subjetivo e explora, nas entrevistas e depoimentos, os aspectos culturais e comportamentais relacionados ao movimento estudantil.
  
Vale a Pena Sonhar, de Stela Grisotti e Rudi Böhm (Brasil, 2003, 75 minutos)
Retrata os sonhos e utopias de uma geração de homens e mulheres que dedicaram suas vidas à luta pela justiça, liberdade e democracia, tendo como fio condutor a história de Apolônio de Carvalho. Sua luta, sem fronteiras, junto aos republicanos na Guerra Civil Espanhola, na Resistência Francesa contra o nazismo e no combate à ditadura militar no Brasil nos anos 60, assim como fatos da vida cotidiana e familiar do militante de esquerda que assina a ficha número um de filiação do PT.
  
História de uma Vida Hermana, de Marco Antonio Villalobos, Milton Cougo e Universindo Rodriguez Diaz (Brasil/Uruguai, 2012, 23 minutos)
Ações arriscadas. Perigo. Os crimes enfrentados quando o Condor dominava os céus do Cone Sul da América. A solidariedade vencendo o medo. Duas mil pessoas que encontraram em Porto Alegre o endereço da esperança. A história de uma vida hermana não nos deixa esquecer a lição sobre a importância do reconhecimento. Em cada frase, em cada lembrança, em cada pensamento transborda a gratidão de irmãos uruguaios salvos pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos. São vidas hermanas que como todos os que prezam o sagrado direito à liberdade se juntam para homenagear e dizer em coro: Muchas Gracias, Movimento de Justiça e Direitos Humanos de Porto Alegre. Sessão comentada pelo diretor e jornalista Marco Antonio Villalobos, pelo psiquiatra José Outeiral e pelo  repórter cinematográfico Milton Cougo.

Mais informações e horários das sessões, vocês conferem na pagina da sala clicando aqui. 

    Me Sigam no Facebook e Twitter: 

Cine Dica: Em Cartaz: O ACORDO



Sinopse: O astro de filmes de ação The Rock está de volta na história de um pai cujo filho é sentenciado a 10 anos de cadeia por envolvimento com drogas. Para reduzir a sentença do garoto, o pai concorda em atuar infiltrado para derrubar um poderoso narcotraficante.

Já havia falado por aqui, que de todos esses atores brucutus de filmes de ação que surgem atualmente, The Rock talvez seja o único que passa um ar de simpatia e até mesmo humanidade. Portanto, não é de se admirar muito em ver ele se arriscar em outros gêneros, sendo que aqui, embora seja um filme que namora, com as habituais cenas de ação que o ator esta acostumado em participar, o filme vai mais para o lado de uma trama policial pé no chão. Aqui, The Rock surge com uma pessoa simples e bem sucedida, mas que vê sua estabilidade despencar no momento em que seu filho é preso por um crime que não cometeu. 
A partir desse ponto, o seu personagem embarga no universo, tanto da justiça, como também do lado mais podre do universo das drogas, com o intuito de ajudar a lei e fazer com que a pena da sua cria seja reduzida. Embora visualmente nos reconhecêssemos ele como um herói de filmes de ação, aqui o seu personagem vai pro fundo do poço, sendo até mesmo espancando e nos convencendo de quando se sente impotente e a mercê da vilania. Do lado da lei, destaque para Susan Sarandon, que interpreta uma juíza dura de pedra, mas que cá pra nos, qualquer personagem que atriz faça, ela sempre estará bem. Mas quem rouba a cena da turma de coadjuvantes é Jon Bernthal, recém saído da série de sucesso The Walking Dead: aqui, ele interpreta um sujeito com um passado sujo, que embora tente se redimir acaba tendo que retornando ao seu passado nebuloso, para ajudar o personagem de The RockAs cenas de ação existem, mas embora sejam poucas, elas são eficazes e verossímeis. 
Embora o final se apresse demais para terminar a historia, o filme é uma boa pedida para os fãs do astro de filmes de ação, que não se intimida nenhum pouco em cenas mais dramáticas, principalmente aquelas que ele contracena com o seu filho que esta entre as melhores partes da película.   

    Me Sigam no Facebook e Twitter: 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Cine Especial: Zé do Caixão: 50 anos de terror: Parte 6


Nos 29 e 30/Abril; 02 e 04/Maio eu estarei participando do curso Zé do Caixão: 50 anos de terror, criado pelo Cena Um e ministrado pelo especialista no assunto Carlos Primati. Enquanto os dias da atividade não chegam, por aqui, estarei postando um pouco do que eu sei, sobre o melhor representante do gênero do terror do nosso cinema tupiniquim.
  
Delírios de Um Anormal 

Sinopse: Um brilhante psiquiatra é aterrorizado por pesadelos nos quais Zé do Caixão tenta roubar sua esposa, escolhendo-a como aquela que irá gerar seu filho perfeito. Desorientados, seus colegas médicos decidem buscar ajuda com o cineasta José Mojica Marins, que tenta fazer o psiquiatra compreender que Zé do Caixão não passa de uma simples criação de sua mente.

Quando eu estava assistindo a esse filme, me ficava perguntando porque cargas d’águas Mojica fez um filme que mais parecia uma retrospectiva dos seus trabalhos anteriores? A parte original, onde o psiquiatra sofre de alucinações, serve apenas para o cineasta descarregar as melhores e mais fortes cenas que ele já filmou no passado. Mas existe um porque disso: Usurpado de seu direito de criar e mostrar ao público sua arte por mais de dez anos de sistemática perseguição pela Censura Federal. Mojica decidiu compilar as cenas mais chocantes de seus melhores filmes, para narrar esta história, através do "restos dos meus próprios restos" - nas palavras do próprio diretor.
Embora possa parecer em alguns momentos como mera colagem, a criativa edição de Nilcemar Leyart remonta cenas famosas e lhes dá um novo significado. Claro, que para o publico que ainda não havia visto as versões sem cortes dos seus filmes anteriores, Delírios de Um Anormal com certeza foi um verdadeiro soco no estomago para os maus acostumados, mas visto atualmente (principalmente por uma geração que já viu os filmes anteriores completos), esse efeito acaba por se perdendo, mas que ao mesmo tempo serve de exemplo da persistência de Mojica, numa época em que se pensar diferente, tanto no cinema como na musica, era preciso ser feito com cautela.       

Me Sigam no Facebook e Twitter: 

Cine Dica: Cineterapia apresenta a mezzo-soprano Luciane Bottona e o filme Amadeus


Cineterapia apresenta a mezzo-soprano Luciane Bottona e o filme Amadeus 

O segundo Cineterapia do ano apresenta o emocionante drama biográfico estadunidense Amadeus (1984), dirigido por Milos Forman, baseado na peça homônima de Peter Shaffer, estrelado por Tom Hulce, Murray Abraham, Elizabeth Berridge, Simon Callow e grande elenco, que apresenta a história do compositor austríaco de música clássica Wolfgang Amadeus Mozart - Mozart.
 O homem. A magia. A loucura. A música. O assassinato. Amadeus significa “Amado por Deus”. A película se passa em flashback e é relatada por Salieri, que acredita que a música de Mozart é divina e desejava ser tão bom músico como o jovem e irreverente compositor. Após tentativa de suicídio, Salieri confessa a um padre que foi responsável pela morte de Mozart, há muito já falecido.
 Diversos acontecimentos da vida real de Mozart foram incluídos no roteiro da obra, como seu encontro com Maria Antonieta quando criança. Amadeus foi indicado a 53 prêmios, recebendo 40, dentre eles 8 Oscars (incluindo o de Melhor Filme) e 4 Globos de Ouro.
 A convidada para debater o filme é a gaúcha Luciane Bottona, mezzo-soprano que estudou em Montevidéu, com o baixo-barítono Juan Carlos Gebelin; na Universidade de Indiana, com a professora Alice R. Hopper; e no Conservatório N. Rimsky-Korsakov, em São Petersburgo, com o tenor Igrayr Hanidonyan. Bottona foi a vencedora do 8º Cia Ópera São Paulo International Festival realizado no Teatro São Pedro (SP) em 2004.
 A exibição tem entrada franca e acontece na segunda-feira (29/04), às 19h, no CineBancários (Rua General Câmara, 424 - Centro), em Porto Alegre.
 Em seu quarto ano e 24ª edição, o projeto disponibiliza clássicos que estudam novas formas de desenvolver a sensibilidade e possibilita análise comportamental por destacados pensadores, psiquiatras e escritores gaúchos. Já participaram do evento nomes como Thedy Correa, Frank Jorge, Jorge Furtado entre outros. A mediação da conversa fica por conta dos terapeutas Cínthya Verri e Roberto Azambuja.

Reservas de ingressos deverão ser feitas pelo e-mail projetocineterapia@gmail.com
  
CINETERAPIA
Toda última segunda-feira do mês
Um convidado extraordinário
Um filme inteligente
Com entrada franca

CineBancários
(51) 34331204 / 34331205
Rua General Câmara, 424, Centro - POA
blog: cinebancarios.blogspot.com
site: cinebancarios.sindbancarios.org.br
facebook.com/cinebancarios
Twitter: @cine_bancarios


Me Sigam no Facebook e Twitter: 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Cine Especial: Zé do Caixão: 50 anos de terror: Parte 5


Nos 29 e 30/Abril; 02 e 04/Maio eu estarei participando do curso Zé do Caixão: 50 anos de terror, criado pelo Cena Um e ministrado pelo especialista no assunto Carlos Primati. Enquanto os dias da atividade não chegam, por aqui, estarei postando um pouco do que eu sei, sobre o melhor representante do gênero do terror do nosso cinema tupiniquim.

  
O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968) 

Sinopse: Elevado ao estado inatingível dos seres sobrenaturais, Zé do Caixão desfia sua filosofia e apresenta três contos.

O estranho mundo de Zé do Caixão (1968) é composto por três curtas-metragens: O fabricante de bonecas, Tara e Ideologia. O primeiro narra à história de Mestre Bastos, um idoso fabricante de bonecas reconhecido pelo seu trabalho aprimorado e detalhista, sobretudo, pelo aspecto realista dos olhos de suas criações. Ao saber que o idoso guardava seu dinheiro em sua oficina, um grupo de assaltantes planeja invadir o local para roubá-lo. Ao por em prática o plano, eles se deparam também com as belas filhas do mestre, que o ajudavam na confecção, e decidem estuprá-las. Porém, as coisas não caminham como eles esperavam. Esse conto, que termina de uma forma bem previsível, imediatamente me lembrou alguns dos filmes que eu assistia na saudosa sessão cine trash da Band, que alias apresentado pelo próprio Mojica.
O segundo (e melhor) seguimento, Tara, conta a história de um vendedor de balões obcecado por uma bela e jovem mulher. Ele a persegue e observa dia a dia sem que ela perceba. Por fim, ele só tem a oportunidade de concretizar os seus desejos após a morte da jovem. De todos os três, este é o curta que reúne elementos e referências ao cinema clássico, principalmente do período do expressionismo alemão. A pequena trama não possui palavras, sendo que sua estética, que se aproxima ao mais puro naturalismo, faz com que agente nos lembre facilmente do clássico Nosferatu de 1922.
Ideologia é o seguimento mais forte e tipicamente trash. O professor Oãxiac Odéz (José Mojica Marins) convida um professor rival e sua esposa até a sua sombria casa para que possa comprová-los a sua absurda teoria materialista contra a razão e o amor, na qual o ser humano se reduz ao instinto. Odéz submete o casal convidado a uma série de experiências sádicas que envolvem dor, tortura física e psicológica, canibalismo, resistência física e outras bizarrices que buscam provar uma animalização do ser humano. Não há duvidas de quem assiste que essa é a parte mais forte da obra, que desafia a força mental da pessoa que vê e mais recomendada para pessoas de mente aberta.  
No saldo geral, era um filme que realmente ia contra a maré das obras brasileiras que eram lançadas naquele tempo e que lembra mais os contos sombrios do escritor Edgar Alan Poe.  

Me Sigam no Facebook e Twitter: 

Cine Dica: Em Cartaz: A Morte do Demônio (2013)



Sinopse: cinco amigos de vinte e poucos anos se isolam num chalé retirado. Quando descobrem um Livro dos Mortos eles inconscientemente invocam demônios adormecidos vivendo nas florestas adjacentes e os jovens um após outro vão sendo possuídos por eles até que resta somente um intacto para lutar pela sua sobrevivência.

Embora tenha sido anunciado em todo o mundo, que essa produção era uma refilmagem do clássico de 1981, o filme está mais para uma continuação da obra original de Sam Raimi. Produzido pelo próprio, o filme começa nos jogando no mesmo cenário do primeiro, dando a entender que os eventos vistos na trilogia anterior (mais uma cena do inicio desse filme), já aconteceram na cabana. Portanto não falta referencias daqueles filmes, desde a espingarda, porão, colar, cerra elétrica e ate mesmo o carro amarelo de Ash, que se encontra ali perto abandonado.     
Assim como no original, o filme é protagonizado por cinco amigos (Jane Levy, Lou Taylor Pucci, Shiloh Fernandez, Jessica Lucas e Elizabeth Blackmore), mas diferente das vitimas do filme de 81, aqui eles vão à cabana com a intenção de desintoxicar um deles que é viciado em drogas. Não é preciso ser gênio, que quando começa os ataques de abstinência da personagem de Jane Leyy, imediatamente eles se misturam com os ataques de possessão do demônio já a solta no local, que alias, é muito mais forte do que seus antecessores. Na verdade o humor negro tanto visto na trilogia original, aqui é zero e se vocês acreditam que as marcas registradas de Raimi se encontram em cena, já adianto que a única coisa dele que eu vi foi à clássica seqüência da câmera correndo na floresta e só.
Na verdade o filme do começo ao fim é do diretor Uruguaio Fede Alvarez, convidado por Raimi, que ficou impressionado com o curta que ele fez de um ataque alienígena na terra. Isso foi o suficiente para Alvarez, não só ganhar o emprego como diretor, como também de roteirista e injetando então personalidade própria em seu primeiro longa americano. O que vemos na tela, é uma visão pessoal de Alvarez com relação aquele universo já estabelecido, mas injetando idéias novas no que já existe e em dobro: sangue gore, mutilações e possessões desenfreadas para ninguém botar defeito. Sangue, alias, é uma coisa que fazia tempo que não via na tela grande e aqui não tem o que reclamar, pois da à sensação de que a qualquer momento irá nos respingar.
Infelizmente isso também é o maior defeito do filme, pois Alvarez talvez tenha se preocupado mais em querer chocar com cenas fortes, do que criar cenas assustadoras criativas, que fizesse com que o publico pulasse da cadeira, sendo que elas, da para se contar nos dedos. Pouco posso falar sobre o desempenho do quinteto, já que eles estão somente ali para serem vitimas das inúmeras situações que viram a seguir. Muito embora, devo reconhecer o esforço de Jane Levy, já que da para ver que ela sofreu o diabo (literalmente) durante todo o processo de produção, desde há usar uma maquiagem “a lá Linda Blair” e ser enterrada viva por vários minutos.
Com um ato final que foge um pouco do que acontece no original (embalado com inúmeros litros de sangue) o filme pode até terminar de uma forma previsível, mas deixando o território armado para uma possível seqüência, que alias, podemos já ter uma idéia do que irá acontecer. Se você for paciente, assista á todos os créditos finais, para escutar uma narração off conhecida dos fãs da trilogia original e dar de encontro com um rosto super conhecido desse universo criado por Raimi.    

Leia também: Tudo sobre os filmes de Sam Raimi clicando aqui. 

Me Sigam no Facebook e Twitter: 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Cine Especial: Zé do Caixão: 50 anos de terror: Parte 4



Nos 29 e 30/Abril; 02 e 04/Maio eu estarei participando do curso Zé do Caixão: 50 anos de terror, criado pelo Cena Um e ministrado pelo especialista no assunto Carlos Primati. Enquanto os dias da atividade não chegam, por aqui, estarei postando um pouco do que eu sei, sobre o melhor representante do gênero do terror do nosso cinema tupiniquim.

O Despertar da Besta / Ritual de Sádicos

Sinopse: Um renomado psiquiatra injeta doses de LSD em quatro voluntários com o objetivo de estudar os efeitos do tóxico sob a influência da imagem de Zé do Caixão. O personagem aparece de maneira diferente nos delírios psicodélicos e multicoloridos de cada um, misturando sexo, perversão, sadismo e misoginia. Interrogado por um grupo de intelectuais o psiquiatra faz uma revelação surpreendente que os obriga a questionar suas convicções.

De todos os seus filmes, O Despertar da Besta foi o mais perseguido e rotulado como maldito de sua filmografia aos olhos da censura do regime militar. Batizado na época de Ritual de Sádicos em 1969 foi rapidamente proibido pelos censores, que não satisfeitos, pretendiam destruir as copias e negativos.  Liberado nos anos 80 foi exibido em festivais e mostras, mas infelizmente não teve lançamento comercial.
Toda essa raiva que o governo da época teve contra o filme, foi devido à abordagem franca sobre o consumo de drogas e sexo desenfreado na época, mas tudo filmado de uma forma bem inventiva, que é bem da característica do diretor.  O primeiro ato do filme, mostra a degradação de civis devido as drogas e sexo desenfreado, que ao mesmo tempo se divide com cenas de depoimento de um médico (Sérgio Hingst), que é colocado na parede por  entrevistadores (entre eles os diretores Carlão Reichenbach e Maurice Capovilla), sob o silencio de Mojica presente, que interpreta a si mesmo. O médico a recém havia lançado um livro que aborda o consumo de drogas (ou “tóchicos”), e apresenta os casos para compreender melhor suas teorias.
Os diálogos com frases como “são os atos anormais de uma juventude sem freio” da impressão que o filme tenderá para a simplória e reducionista abordagem refletida pela citação acima. Contudo, Mojica filma as cenas com um clima carregado e bem próximo do seu terror habitual. Pegamos um exemplo de uma jovem colegial do inicio do filme: ela participa de uma festinha cheia de drogas de um grupo de jovens translocados, para que então no auge da situação, é morta num ato de estupro de um taco de madeira. Em outra seqüência (a mais inventiva delas), vemos uma jovem sendo entrevistada para uma vaga de emprego, para então ser assediada pelo seu futuro patrão, que por vezes, ela enxerga ele como um porco ou um cachorro.
Com esses momentos, é preciso realmente se tirar o chapéu, pois além dessas cenas criativas, a utilização de musica e som, se casa muito bem com as cenas, onde destaco a musica em que é tocada na abertura e no encerramento do filme. Tudo isso, se da uma verdadeira sensação de experimentação, para aqueles que assistem pela primeira vez e que acaba se enquadrando com o lado inventivo do cineasta. Já no segundo ato do filme, o médico explica o seu estudo, que é a utilização da droga LSD num grupo de drogados, a partir do momento que eles focam suas atenções a figura do Zé do Caixão.  
Não deixa de serem bastante curiosas as imagens do programa de TV da época (Quem tem medo da Verdade), no qual o cineasta é interrogado por um júri formado por celebridades daquele período, mas  que por sua vez é defendido  pelo diretor Carlos Manga e absolvido pela quase unanimidade dos componentes. Nestes momentos, Mojica é sempre rotulado pelo seu personagem e destaca sua desilusão como artista nacional. A partir daí, o filme começa a ficar  carregado de um clima de auto-referência, que a partir de então marcará presença em quase toda sua obra: o cineasta faz uso da sua popularidade, pressupondo a presença de Zé do Caixão nas mentes das pessoas, o que levaria o pesquisador a utilizar a figura do personagem  para testar então os drogados.
 E é nas seqüências dos delírios acompanhados pelo médico, no qual cada uma das quatro pessoas da experiência apresenta sua visão e opinião pessoal de Zé do Caixão, onde por sua vez o cineasta abre a sua imaginação por completo na tela, criando seqüências surrealistas e que se distancia da simples realidade, com direito a cemitérios, mulheres seminuas, uma escadaria de corpos humanos e rostos desenhados em bundas. Assim como a própria presença do  Zé do Caixão e tudo embalado em cores e que se acaba criando um verdadeiro contraste com o resto do filme que é em todo preto e branco.
O despertar da besta acaba por então sintetizar sobre o que acontecia naquele período, onde popularização do rock’n’roll, sexo e das drogas, que, apesar da impressão inicial, acabam por não ser satanizadas, quando o médico apresenta como conclusão de seu estudo o fato de não serem elas as responsáveis pela perversidão de seus usuários, mas apenas como fator de liberação de suas frustrações. No saldo geral, O despertar da besta foi um filme corajoso para época, mesmo tendo um moralismo um tanto que disfarçado aqui e ali, mas que isso não foi o suficiente para que os sensores o deixassem em paz. Felizmente o tempo é o melhor juiz para todos. 

Me Sigam no Facebook e Twitter: 

Cine Curiosidade: ZÉ DO CAIXÃO NA ESPREITA


CURSO SOBRE O CINEASTA BRASILEIRO FOI DESTAQUE NO JORNAL DO COMÉRCIO DE HOJE.

   Me Sigam no Facebook e Twitter: