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sexta-feira, 8 de março de 2013

Cine Especial: BRIAN DE PALMA: O PODER DA IMAGEM: FINAL

Bom, chego ao final desse especial sobre os filmes de Brian de Palma e que antecede minha participação do curso sobre ele pelo CENA UM. Abaixo, segue uma matéria especial de um filme ainda inédito dele em nossos cinemas e que merece ser conferido, não importa de que forma.
  
 Guerra Sem Cortes (Redacted)
  
Sinopse: Um esquadrão de soldados americanos está parado em um posto no Iraque, convivendo com a população local e a mídia instalada na região. Cada grupo destes é afetado pela guerra de forma distinta, e suas histórias são contadas pelas imagens criadas no momento: um soldado produz um vídeo-diário, uma equipe francesa filma um documentário, sites árabes colocam cenas de insurgentes plantando bombas, mulheres mandam mensagens para seus maridos via blogs e o You Tube revela a barbaridade existente na guerra.

Durante boa parte da minha vida que assisto filmes, tanto no cinema como em casa, normalmente jamais recuo ou fecho os olhos quando assisto uma imagem do mais puro terror, Talvez porque lá no fundo do meu subconsciente, algo grita dizendo que aquilo, por mais forte que seja, é uma ficção. Contudo, talvez o ser humano seja preparado a assistir a uma imagem forte, porém artificial, mas jamais estará preparado para ver o horror da realidade e meu “ser” não estava preparado para os segundos finais de uma das ultimas obras realizadas por Brian De Palma.
Mas cinema é isso: seja para entreter, fazer reflexão ou simplesmente dar uma tapa na cara e fazer o cinéfilo acordar para a realidade. Num mundo “pós governo Bush”, haverá outros filmes como esse, que não terão papas na língua para escancarar a idiotice que foi a invasão do Iraque, mas enquanto não houver mais filmes sobre o assunto, esse será o melhor representante do que foi toda essa guerra. Com pouco mais de cinco milhões de dólares do bolso e feito no formato digital, De Palma cria um falso documentário que retrata a historia real de um grupo de soldados norte americanos que estupra e assassina uma jovem de 15 anos Iraquiana, além de fuzilar toda a sua família por meio de um ato cruel e sem sentido. De Palma culpa quem nesse episódio? Culpa o governo norte americano que inventou a mais fajuta desculpa para invadir aquele país? Culpa os soldados despreparados que não souberam administrar seus atos em meio à guerra? Culpa a própria guerra em si, que faz nascer o pior de nos?
A resposta para isso talvez seja um tanto difícil e que com certeza, para encontrá-la, se alonga por muito tempo a busca, mas está mais do que provado que De Palma, assim como muitos, foi contra a essa guerra que acabou tirando inúmeras vidas de ambos os lados. O filme não tem heróis e tão pouco vilões, pois tudo que se vê são seres humanos, que acabam por ficarem cegos demais perante o que acham certo ou errado, perante as suas crenças duvidosas e perante a espera interminável pelo inevitável ataque vindo de qualquer lugar. Tudo que se vê, são pessoas que se perdem nas estribeiras de um inferno que não pediram para estarem ali. E para fazer todo esse terrível cenário, De palma está quase que irreconhecível, pois o filme em nada lembra sua pirotecnia com a câmera e sim lembra mais um filme realmente amador e cru e o diretor aproveita para escancarar que, por mais que o governo tente censurar um determinado ato, não existe mais como. Isso graças à tecnologia rápida atual como a internet, em que inúmeras pessoas usam e abusam para escancarar e fazer a sua critica, um retrato mais do que atual e que o diretor soube muito bem retratar
Os momentos de pura tensão como o ato do estupro e a decapitação de um determinado personagem feito por um grupo terrorista, são de momentos que o espectador prende a respiração. Contudo, o diretor jamais nestes momentos quer ser 100% explicito e com isso a câmera se afasta, ou determinado personagem fica na frente do aparelho, sendo isso tudo para fazer o espectador ficar ainda mais aflito, ou fazer-lo imaginar o que esta acontecendo nos segundos em que o diretor tenta esconder o terror dos nossos olhos, mas que o pior estava por vir. Após a declaração em forma de desabafo de um determinado personagem sobre o que viu na guerra, o diretor joga na tela fotos de cenas que mostram o horror desse conflito, como mortos e feridos, mas nada me preparou para a foto da verdadeira menina de 15 anos estuprada e morta pelos soldados norte americanos. Sinceramente não esperava por aquilo e foi um verdadeiro baque para o meu cérebro que tentou, mas não conseguiu esquecer-se daquela cena. Alias isso me fez me lembrar de outro filme de guerra, a animação Valsa com Bashir, no qual o protagonista tenta, mas não se lembra do que lhe ocorreu na guerra do Líbano, sendo que o motivo veio como resposta no final do filme com cenas terríveis dessa guerra no qual o protagonista, perante o horror do que viu, subconscientemente fez por esquecer daquilo tudo. No meu caso não participei de uma guerra, e sim simplesmente vi uma terrível cena na qual, depois da sessão tentei, mas não consegui esquecer, felizmente, a luz do sol da tarde me serviu de consolo.
Em Apocalipse Now foi dito que a guerra era um horror. Em Guerra ao Terror foi dito que a guerra era uma droga, sendo essas duas palavras não precisaram ser ditas no filme de Brian de Palma, elas simplesmente irão soar na mente de cada espectador que for assistir a esse filme, que é para poucos, mas basta um para dizer o que viu, seja numa guerra ou em um filme que retrate ela de maneira real, nua e crua.

Nota: Infelizmente esse filme se encontra ainda inédito nos cinemas e sem previsões de chegar em DVD no Brasil. Tive o privilegio de participar de uma sessão especial e debate seguido no Cinebancários de Porto Alegre tempos atrás. Para a direção dessa sala os meus parabéns.  
  
Leia também: BRIAN DE PALMA: O PODER DA IMAGEM: Partes 1,2,3,4,5,6,7 e 8.

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Um comentário:

disse...

Parece mesmo ser um filme interessante. Muito sugestivo associar Brian De Palma ao poder da imagem, uma vez que várias imagens de seus filmes permanecem fortes nas mentes de quem assistiu, em especial as imagens com tons fortes de vermelho, como em Carrie e Os Intocáveis.
Abraços!