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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Cine Dica: Em Cartaz: ARGO



Sinopse: Em 4 de novembro de 1979 a revolução iraniana chega ao seu ponto de ebulição quando militares invadem a Embaixada americana em Teerã e levam 52 americanos como reféns. Mas no meio do caos seis americanos conseguem fugir e se refugiar na casa do Embaixador canadense KenTaylor. Sabendo que é apenas uma questão de tempo até os seis serem encontrados e possivelmente mortos um especialista da CIA em exfiltração chamado Tony Mendez bola um plano arriscado para tirá-los do país em segurança. Um plano tão incrível que só poderia acontecer no cinema.

Até alguns anos atrás era difícil de levar a sério Bem Affleck, não só pelas suas interpretações regulares, mas por também escolher péssimos filmes para atuar. Mas eis que o ator segue um novo caminho no cinema, trabalhando agora como cineasta e que para surpresa de todos até agora não decepcionou nem um pouco. Se em sua estréia como diretor em Medo da Verdade parecia ser uma duvidosa promessa, em Atração Perigosa ele provou que tinha pulso firme e agora neste Argo ele definitivamente prova que veio pra ficar na direção. 
Em seu terceiro projeto, Affleck abraça uma historia, que por mais absurda que ela seja, na verdade realmente aconteceu. O resgate de seis americanos em solo Iraniano no inicio dos anos 80, poderia ser feito de inúmeras formas, mas o agente da Cia Tony Mendez (Affleck) cria um plano absurdo, de se fingir de produtor de cinema, usar como desculpa os desertos daquela terra como possíveis cenários, disfarçar os americanos (que estão escondidos no consulado Canadense) de produtores do falso filme e sair de mansinho do país. Absurdo? Pois isso realmente aconteceu, em eventos  em que Hollywood realmente salvou a pátria!
Dito isso, Affleck foi feliz na construção desses fatos, contornando momentos de pura tensão, com momentos de humor, onde a fabrica de sonhos se torna o cenário da trama. Nestes momentos, os atores John Goodman e Alan Arkin roubam a cena, ao interpretarem os produtores  que embarcam no falso filme sem fins lucrativos e para um bem maior. Lembrando, que esses momentos na terra do faz de conta, servem principalmente para deixar o espectador respirar um pouco, porque do segundo para o terceiro ato, a tensão cresce freneticamente, quando o protagonista e os reféns se vêem numa tentativa de fuga arriscada e que pode lhe custar a suas vidas. Essa montanha russa de adrenalina é muito bem representado pelo personagem de Bem Affleck, que passa todo o peso que sente nos ombros perante a situação, mas que não irá desistir, mesmo que possa lhe custar um alto preço.
É bom salientar, que mesmo que o filme represente o inicio dos anos 80, Argo possui uma trama mais atual do que nunca, em termos de conflitos entre o ocidente e o país do Irã, que de lá para cá não mudou muita coisa. Muito embora o filme não se prenda em tratar os Iranianos como os verdadeiros vilões da historia, o que torna o filme diferente de outros projetos, que sempre tratavam os outros povos estrangeiros como animais, como no caso do erro absurdo criado em Falcão Negro em Perigo. Claro, que para o bem da dramaticidade, existe alguns momentos (principalmente nos momentos finais), que soam um tanto que inverossímeis, mas que acredito que eles estejam ali unicamente para aumentar a tensão que o espectador já esta sentido, pois naquelas alturas, ficamos torcendo para que a missão seja bem sucedida. Com isso, essas invenções dramáticas acabam se tornando bem vindas. 
Com engenhosos créditos finais, que fortalece a veracidade dos fatos ocorridos, Argo entra facilmente na lista dos melhores filmes do ano e que com certeza irá estar na lista dos finalistas do próximo Oscar. Pois afinal de contas, não é todo dia que a fabrica de sonhos (mesmo que falsos) sirva ao seu país e de uma forma tão bem sucedida. 

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